Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 31

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden caminhou lentamente do lado de fora, mas não seguiu na direção da sua carruagem. Ainda assim, Rea o acompanhava a uma distância tranquila e constante.

A noite estava deslumbrante, com estrelas preenchendo o céu—uma das raridades no mundo de Darklore… uma noite estrelada.

Perfeito para um encontro.

Mas nenhuma das duas jovens aqui se importava com isso.

Uma, porque simplesmente não se importava com nada disso e queria voltar para casa e se preparar para Fokay.

A outra, porque agora ela estava de mau humor após as palavras de Nuke.

No geral,

A atmosfera tinha um clima bastante constrangedor. E Kaden nem tentou mudá-la.

'Que incômodo…' pensou Kaden internamente. Ele pode até ter agido em favor de Rea lá dentro, mas foi só porque ela agora era oficialmente sua noiva, então mesmo que ele não tivesse sentimentos verdadeiros por ela—ou por qualquer coisa—ele tinha que agir em seu nome.

É o que a honra exige.

É o que a responsabilidade manda.

Ela faz você agir de maneiras que não deseja. Faz você fazer coisas que preferiria deixar de lado, tudo em nome das aparências, do dever e do peso que você nunca pediu.

Era tão… limitador.

Mas o que você poderia fazer?

Neste mundo, até mesmo o homem mais livre tem suas responsabilidades.

Então, realmente…

O que significa ser livre?

Kaden não sabia. E, para ser sincero, esse não era seu objetivo.

Seu objetivo era ser forte. Forte o suficiente para que até as restrições—responsabilidade, honra e reputação—pudessem ser esmagadas sob o peso do seu poder.

E se sua força não fosse suficiente?

Kaden sorriu silenciosamente, com seus olhos vermelhos brilhando intensamente.

'Então, tenho que morrer de novo. E de novo. E de novo. Até chegar ao ponto em que eu seja intocável. Até alcançar um ponto em que a morte nunca possa me reivindicar, até que até a morte comece a sentir minha falta.'

Esse era seu objetivo.

Mas isso era só uma parte do que queria.

Então—

"Qual é o seu objetivo?" perguntou Kaden de repente, parando de caminhar. Ele não virou imediatamente para ela.

Chegaram a uma espécie de colina. Um lugar perfeito para olhar o céu.

'Por que eu segui por esse caminho?' pensou suavemente, antes de se afastar dos pensamentos ao ouvir a voz de Rea quebrando o silêncio.

"Meu objetivo?" Rea repetiu suavemente, com uma voz carregada de curiosidade.

Ela não esperava uma pergunta assim—não dele.

Kaden assentiu, com as costas ainda voltadas para ela. "Sim. Seu objetivo. O que você deseja conquistar na vida?"

"Se isso puder te ajudar a se abrir facilmente, eu vou primeiro. Meu objetivo não é nada extraordinário, só quero ser forte o bastante para que nada possa ameaçar a mim ou à minha família."

Kaden falou de forma despreocupada, como se fosse algo banal.

Mas o quão difícil é ser forte o bastante para que nada possa ameaçar você neste mundo amaldiçoado?

Isso era algo que Rea ainda não compreendia completamente. Sua mente ainda estava tomada de raiva, e talvez ela não fosse madura o suficiente para entender toda a dimensão do que ele havia dito.

Então,

Ela simplesmente descartou o objetivo de Kaden como algo básico. Algo que todo homem gosta de afirmar.

"Meu objetivo…"

Ela fez uma pausa. Depois, se recompos.

"Meu objetivo é reviver minha família. Fazer ela se reerguer ao lado das outras três grandes casas. Também quero encontrar o assassino do meu avô e vingar-me. E eu…"

Ela parou novamente.

Não sabia por quê estava dizendo aquilo para um homem que acabara de conhecer. Mas, de alguma forma, sentia que precisava falar. Como se aquelas palavras precisassem sair. Como se o momento exigisse isso.

Ela queria contar seu objetivo a ele, mas, na mesma frase, também queria compartilhar seu medo com esse rapaz que parecia não temer nada.

"E eu… quero ser feliz também."

Foi uma frase estranha de se dizer. Porque o que exatamente significa ser feliz?

Uma declaração tão abstrata.

Uma palavra tão vaga.

Felicidade.

"O que pode te fazer feliz?"

"Você será feliz se conseguir vingar-se e trazer sua família de volta ao mesmo nível da nossa?"

Kaden perguntou imediatamente. Seus olhos vermelhos ainda fixos no horizonte distante, como se houvesse algo fascinante lá fora.

Mas, na verdade, não havia.

Ele achou que seria mais fácil se abrir com alguém quando não tivesse que sentir os olhos da outra pessoa sobre si.

Como um pecador que entra na igreja e confessa para um padre sem rosto.

Mesma ideia.

Ambiente diferente.

"Sim… Eu ficaria feliz se isso acontecesse." Sua voz vacilou, cheia de dúvida.

E Kaden percebeu isso.

Finalmente, ele virou-se e olhou para ela.

Não preciso dizer, Rea era uma mulher deslumbrante. Cabelos brancos e olhos vermelhos que brilhavam como rubis, com uma silhueta esguia que mostrava a graça e o controle de uma verdadeira nobre.

Mas Kaden a observava com olhos indiferentes. Sua beleza nem sequer tinha efeito sobre ele.

Ele estava mais interessado em outra coisa.

"O que você está se preparando para fazer em relação a esse seu objetivo?"

Era isso que ele queria saber.

Porque ele estava disposto a morrer. Disposto a sofrer colapsos mentais. Disposto a passar por mortes horríveis de novo e de novo só para alcançar a força que precisava.

Então… e ela?

Rea hesitou.

Ela não sabia o que dizer.

O que ela realmente estaria disposta a fazer para alcançar seu objetivo?

Nunca tinha pensado nisso. Nem de forma séria.

Aliás, ela nem sabia como conquistar seus objetivos—então, como poderia saber do que estaria disposta a abrir mão?

"Eu… não sei," respondeu em voz baixa. Sua voz tremia levemente.

Kaden a observou em silêncio. Seu olhar não tinha críticas.

Depois, ele sorriu.

"Tudo bem. Você ainda é uma criança, afinal."

Disse, como se ele mesmo não fosse uma criança.

Ele então começou a caminhar, mas sua voz ecoou suavemente atrás dele.

"Você nunca vai alcançar seu objetivo se não souber o que está disposta a abrir mão. O que está disposta a sacrificar."

Mas a voz de Rea cortou o ar—afiada e alta.

"E você? O que está disposto a abrir mão?"

Ela gritou as palavras às costas dele.

Kaden não parou de caminhar.

Mas respondeu mesmo assim.

"Minha vida. Estou disposto a morrer. De novo e de novo. Já fiz da morte minha aliada por esse pequeno objetivo meu."

E, com isso—

Ele desapareceu.

Rea ficou ali, atônita.

A própria vida dele?

'Será que por isso…?'

Será que por isso ele não tem medo da morte?

Por que não teme o fracasso?

Porque já estaria disposto a perder tudo?

'Como pode um menino de 15 anos pensar assim?'

Ela não se moveu. Apenas olhou na direção de onde Kaden tinha se afastado, com olhos distantes e impenetráveis.

E, após um tempo… um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.

"O que estou disposta a sacrificar,... huh…"

Ela virou-se e foi embora.

Dessa vez, seus passos não eram hesitantes ou pensativos.

Eles tinham mais propósito. Mais peso.

Ainda não tão firmes quanto os de Kaden.

Mas já tinham avançado.

Havia fumaça agora. Um rastro tênue.

E, como dizem—

Onde há fumaça…

Há fogo.

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