
Capítulo 40
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden exalou suavemente e fechou os olhos por um breve momento.
Agora, isso já tinha se tornado um hábito — sempre que ia fazer algo perigoso, algo realmente importante, ele fechava os olhos e respirava. Profundamente, com calma, de forma deliberada.
Era a sua maneira de se ancorar. De se preparar para a tempestade.
Então, lentamente, Kaden abriu os olhos novamente.
Agora estavam calmos. Vazios. Como se tivesse se livrado de toda emoção para melhor suportar o silêncio.
Ele se aproximou de Rome e se agachou na sua frente, aproximando-se ao nível dos olhos.
E com uma voz que soava longe demais suave, demasiado controlada pelo que carregava por baixo, perguntou—
"Você tem alguém que estima?"
Rome piscou.
De todas as coisas que esperava, essa pergunta não estava entre elas. Mas ainda assim, respondeu—ele tinha que responder. Depois de tudo que Kaden tinha feito, de tudo que tinha visto, insubordinação já não era mais uma opção.
"Eu… tenho," ele assentiu com firmeza fraca. "Tenho um irmão. Está me esperando dentro da capital."
Kaden não disse nada. Sua expressão não mudou, nem mesmo um músculo.
Mas por dentro?
Por dentro, ele lutava.
Ele aceitara a necessidade de crueldade. Aceitara que misericórdia muitas vezes era uma faca virada contra você. Mas algo ao matar alguém que tinha um destino marcado, alguém que estava sendo esperado—
Não parecia certo.
Não fazia sentido. Puta merda, era idiota.
E mesmo assim.
Ele conhecia essa dor muito bem—a dor de esperar por alguém que nunca retornaria. A angústia de segurar esperança só para vê-la apodrecer em silêncio. A echo infinito da solidão.
Por isso—
Kaden decidiu poupá-lo.
Era arriscado. Ele sabia disso. De verdade, sabia.
Ele soltou um suspiro baixo. 'Por favor, não me faça me arrepender.'
Finalmente, falou.
"Vou poupá-lo," disse Kaden.
Os olhos de Rome se arregalaram, alegria piscando por entre o cansaço e o terror.
Mas então—
"Mas…" acrescentou Kaden, e a palavra caiu como uma guilhotina.
O frio desceu com ela. Agudo e repentino.
Como se dedos da morte tivessem acabado de tocar as paredes da caverna.
"Se alguma vez tentar me armar uma cilada… se algum dia falar uma palavra a meu respeito…"
Os olhos vermelhos de Kaden escureceram, mudando de sangue para algo pior—algo vile.
"Eu vou te encontrar. Vou te matar. Não só você—seu irmão também."
Ele deixou aquilo no ar. Deixou o silêncio se alongar.
"Você entende?"
Rome ficou sem palavras, inicialmente.
Porque ele tinha anotado o rank de Kaden—ele estava agora no Rank Despertado, o estágio mais fraco. Isso significava que tinha sido lançado nesse calabouço pela Vontade, não por escolha própria. Afinal, nenhum Desperto consegue entrar aqui sozinho.
E, no entanto, ele estava ali—não em pânico, não destruído, mas planejando, se adaptando, suportando.
Isso era aterrorizante.
Porque esse tipo de pessoa, o que não quebra mesmo quando deveria, esse é o mais perigoso de todos.
E se ele conseguisse escapar dessa floresta?
Se ele voltasse?
Rome sabia o que isso significaria.
'Vou morrer.'
Então, ele respondeu.
"Não vou contar a ninguém," disse Rome, com a voz trêmula, mas clara. "Juro… pela Vontade."
Ele não era burro o suficiente para provocar uma coisa dessas. Tinha um irmão para proteger. Queria simplesmente viver.
Kaden estudou-o por um momento, depois levantou a mão.
Reditha apareceu instantaneamente, convocada com um pensamento.
"Durma um pouco," disse Kaden, levantando a empunhadura da espada. "E quando acordar… esqueça tudo."
BAAAM!
O golpe atingiu limpo a cabeça de Rome.
Ronc—
Ele caiu como uma marionete com os fios cortados.
Kaden soltou um suspiro longo, pesado, e se levantou. Olhou mais uma vez para o homem inconsciente, ainda se perguntando se aquela havia sido a decisão certa.
Mas ele já tinha feito sua escolha.
Decidira deixá-lo vivo.
E se fosse um erro?
Então, assim que tivesse aquelas Moedas da Morte, voltaria, o encontraria e o mataria. E também mataria toda a maldita família dele.
Sem misericórdia. Sem dúvidas.
Mas, por agora—
Deixou sua humanidade vencer.
Com mais um suspiro—talvez o décimo, quem sabe o vigésimo—ele rasgou uma tira da camisa já toda destruída e a amarrou no rosto, deixando apenas os olhos à mostra.
Era uma máscara frágil. Patética, na verdade.
Mas era tudo o que tinha.
E quanto mais esse momento se prolongava, mais percebendo o quão totalmente despreparado estava.
Mesmo assim.
Vamos olhar pelo lado positivo.
Pelo menos agora sabia o que não devia esquecer na próxima vez.
Mas usar esse conhecimento?
'Primeiro, vamos sair dessa maldita floresta.'
Pensou nisso, então saiu.
Timing perfeito.
Os guardas acabavam de começar o descanso de 30 minutos.
Então, com passos preguiçosos e percepção aguçada, Kaden se dirigiu ao castelo dourado—pronto para arriscar tudo só para escapar daquele lugar amaldito.
Na mansão Warborn, dentro de seu aposento, Daela jazia deitada de costas, olhando fixamente para o teto preto.
Ela o encarava como se escondesse segredos.
Mas não escondia. Nada ali tinha.
Daela simplesmente não sabia mais o que fazer.
Seu treinamento tinha acabado. E, normalmente, a essa hora, ela estaria seguindo o seu irmãozinho—observando ele treinar, vendo ele fazer o que bem entendesse.
Porque, não importa o que ele fizesse, sempre deixava seu coração mais leve. Só de observá-lo… já era suficiente.
Mas agora?
Essa alegria tinha desaparecido.
E a estava enlouquecendo.
'Eu… sinto saudades do meu irmãozinho,' pensou Daela, enquanto sua mão se fechava com força.
Ela queria—precisava—entrar na Fokay. Encontrá-lo.
Ela não precisava estar perto. Só de ver de longe já ia aliviar a dor.
'Mas não sei onde ele está. Nem sei como rastreá-lo…'
Fokay era enorme. Procurar sem rumo era impossível. Ela não podia se dar ao luxo de se mover às cegas.
E isso só a deixava mais irritada.
Mas Daela não era do tipo que desistia.
Ela não sabia quando Kaden voltaria. Pode ser amanhã. Pode levar anos.
Porque é assim que funcionam as missões de evolução. Imprevisíveis. Impiedosas.
Principalmente porque a família dela nem tinha deixado uma Pedra de Evolução para ele.
Por quê?
Simples.
Eles eram Warborns.
Deveriam seguir perseverando por conta própria—sem mimos, sem ajuda.
Daela teria aceitado toda essa filosofia — se fosse por alguém mais.
Mas não por Kaden.
E se ao menos tivesse força para obrigar seu pai a ouvir…
Ela teria quebrado aquele idiota até não sobrar nada. O espancaria por tantas razões. Especialmente aquelas relacionadas a Kaden.
Toc toc.
Uma batida suave que quebrou o silêncio enquanto sua criada, Sana, entrava.
Ela curvou a cabeça.
"Minha senhora, fiz exatamente o que pediu," disse, com respeito silencioso.
Daela não respondeu. Apenas assentiu, com o rosto imutável, os olhos ainda fixos no teto.
Sana não se incomodou. Já estava acostumada com isso.
Mas tinha uma coisa que ainda não se acostumava—
A maneira como Daela era tão apegada ao irmão.
Era…
'Estranho.'
Era a única palavra que Sana encontrava para descrever.
E só podia pensar nisso.
Porque se ela ousasse dizer em voz alta?
Vamos apenas dizer que—Daela era uma Warborn.
E Warborns?
Eram amantes de matar.
—Fim do Capítulo 40—