
Capítulo 39
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
O guarda— cujo nome, aliás, era Roma—não conseguiu evitar ficar pasmo com a pergunta de Kaden.
Só quando as palavras finalmente penetraram, só quando ele percebeu onde estava e o que acabara de acontecer, é que seus olhos se arregalaram de choque.
"Você… invadiu o território do Império Celestial," disse Roma, perplexo. Seu olhar instintivamente caiu sobre seu corpo, buscando algo. Mas ele não encontrou nada—apenas sua forma quase nua. Seja qual fosse o uniforme ou talismã que um dia carregou? Sumiu.
"Você acha que pareço burro?" Kaden debochou, captando aquele olhar desesperado. "Posso ser novo aqui, mas sei o básico."
Claramente, ele se referia àquele pequeno talismã rúnico que a maioria dos guardas usava—algo que agora não estava mais ali.
"E o que você quer dizer com invadir?" acrescentou Kaden, frio, ao dar um passo à frente, parando a apenas um centímetro do rosto de Roma.
"Você acha que estou aqui por vontade própria?" A voz dele caiu, baixa e amargurada.
Porque, na verdade, ele estava passando um inferno graças àquela maldita coisa chamada Testamento de Fokay, e esse sujeito tinha a cara de pau de falar como se tivesse escolhido tudo isso?
"Você é—!"
"Cale a boca." Kaden o interrompeu sem hesitar.
Ele não tinha tempo a perder. Seu traço—Instintos do Lobo—estava percorrendo seu corpo.
Suave, mas constante.
E quando isso acontecia, só tinha um significado: perigo estava próximo.
Ele não podia mais perder um segundo sequer.
"Vou fazer perguntas. Você responde. Se não, sentirá tanta dor que desejará estar morto." Os olhos vermelhos de Kaden brilhavam com uma luz perversa, artificial, de modo que o corpo de Roma tremeu sozinho.
Era o que acontecia quando você baixava a guarda—even em um local supostamente seguro.
Porque, vamos ser honestos—se Kaden tivesse enfrentado Roma de frente, sem truques ou armadilhas?
Ele teria dificuldades enormes contra ele.
Não apenas porque Roma, na Faixa Intermediária, tinha estatísticas melhores em tudo. Mas porque seres nesse nível despertavam uma Segunda Habilidade de Origem—e a primeira também era reforçada.
Porém Kaden o atirou de surpresa.
Seria esse o modo Warborn?
De jeito nenhum.
Warborns eram brutamontes, os mais pesados do ramo. Odiavam truques, desapreciavam enganação. Gostavam de luta sangrenta, audaciosa, direta.
Mas Kaden não concordava exatamente com essa linha de pensamento.
Ele acreditava em algo completamente diferente—na flexibilidade.
Na batalha, adapte-se ou morra. Mesmo que isso signifique jogar sujo.
Especialmente se for para jogar sujo.
Então foi exatamente isso que ele fez. E é isso que ele estava fazendo agora.
"Onde fica a saída?" perguntou novamente, frio e concentrado.
Roma olhou na direção dele, desafiador, com os lábios fechados.
Kaden não insistiu mais.
Em vez disso, rasgou um pedaço de sua própria camisa e o enfiou na boca de Roma.
Os olhos de Roma se arregalaram de horror. Ele se debateu, tentou resistir, mas o sangue corrosivo que corria por suas veias o deixou fraco demais, exausto demais. Seu corpo já estava praticamente inútil.
Depois veio a dor.
Kaden cortou seu dedo novamente—apenas um pouco—e deixou algumas gotas de sangue escorrerem sobre a perna de Roma.
Fsss—
"Mhhhh—!"
Um grito abafado saiu da garganta de Roma enquanto seus olhos se arregalavam de agonia selvagem, quase animal.
Ele assistia—assistia sua própria pele borbulhar e partir em fragmentos, mudando de branco para preto, enquanto a carne se tornava translucida, sua perna lentamente definhando.
Era lento.
Lentamente demais.
Porque Kaden ainda era iniciante nessa habilidade, aprendendo e crescendo—mas isso só tornava a dor mais intensa.
Quanto mais devagar, mais fundo ela penetrou.
Roma gritou, tentou gritar, mas seu corpo não tinha força e a boca estava amordaçada. Tudo que saiu foram gemidos fracamente quebrados.
E, através de tudo isso?
Kaden permaneceu ali.
Calado. Frio. Inalterado.
Seus olhos vermelhos não vacilavam. Suas mãos ensanguentadas não tremiam. Sua mente não se confundia com questões de ética ou certo e errado.
Ele não se importava… enquanto o homem não estivesse morto. Pode sofrer à vontade.
O que importava era sobreviver—e se era isso que tinha que fazer?
Assim fosse.
Passaram-se minutos—minutos esses que pareceram uma condenação eterna para Roma. Ao final, seus olhos estavam vidrados, desfocados, quase fenecidos.
Kaden lhe deu uma gota de poção de cura—não por misericórdia, apenas o suficiente para manter sua sanidade mental.
—Ei. Acorde,
dizendo, dando um tapa no rosto dele uma vez.
Roma piscou. A névoa se dissipou. E no momento em que seus olhos encontraram os de Kaden novamente, seu corpo tremeu—descontroladamente.
Kaden sorriu.
"Da próxima vez que eu perguntar alguma coisa e você ficar quieto…"
Apontou.
Seu dedo baixou—devagar, deliberadamente—em direção à cueca de Roma.
"Vou deixar meu sangue naquela coisinha," sussurrou, com voz cruel, sorriso ainda mais cruel.
Roma entrou em espasmo. Balanceou a cabeça como um homem possuído, como um frango desesperado tentando ciscar a terra. "Sim… sim, eu vou falar. Por favor, não faça isso—por favor!"
"Bom. Agora… onde fica a saída?"
Dessa vez, Roma não hesitou.
"Fica… lá dentro do castelo de ouro. Na borda da floresta."
Kaden inclinou a cabeça. "Que diabo ela está fazendo lá?"
"É… um portal de teletransporte."
Kaden franziu a testa. Um portal de teletransporte?
Droga.
"E para onde esse portal leva?"
Porque portais de teletransporte tinham destinos fixos. E se ele pulasse lá e acabasse em um pesadelo ainda pior?
Perderia a cabeça.
Roma hesitou. "Tem dois. Um leva ao Quartel dos Cavaleiros do Império Celestial. O outro…"
Ele silenciou, relutante.
Mas um olhar nos olhos de Kaden—aqueles olhos—e tudo veio à tona.
"O outro leva à ala privada da princesa Sora."
Kaden congelou.
Ele inclinou a cabeça para trás e olhou para o teto da caverna—e, por um breve momento, a vontade de gritar, de amaldiçoar, de quebrar algo violentamente tomou conta dele.
Mas ele se conteve.
Forçou sua mente a funcionar.
Porque, claramente, a Ala da Cavaleira estava fora de questão.
A ala da Princesa…
Ainda pior.
Ele precisava de outro caminho. Uma terceira alternativa. Qualquer coisa.
E então veio uma ideia.
Porque, se sua memória não falhava, os portais de teletransporte eram construídos com símbolos rúnicos. Ou seja, se alguém pudesse manipular as runas…
Eles poderiam mudar o destino.
'Se isso for verdade… só preciso de alguém que saiba fazer isso,' pensou Kaden, estreitando os olhos.
Mas aí veio o problema.
Ele não entendia porcaria de runas.
Sua família? Não era da área. Eram músculos, não cabeça. Do tipo que não conseguia resolver um quebra-cabeça, nem se estivesse escrito em sangue.
E o design de runas era mais difícil que alquimia. Mais difícil que forjar ferro. Precisava de intelecto, precisão e talento especial nesse campo.
Coisas que a família dele não tinha.
Então, Kaden voltou seu olhar para Roma.
"Você sabe como alterar o destino da runa do portal?"
Roma entendeu a pergunta na hora—mas ainda assim balançou a cabeça. "Não… mas a Princesa Sora sabe. Dizem que ela é uma gênio na criação de runas."
Kaden ergueu uma sobrancelha. "Quer me enrolar?"
Levou lentamente a mão, com sangue escorrendo.
O corpo de Roma travou. "Não! Não, eu juro! Pelo Testamento de Fokay—juro que não estou mentindo!"
Isso fez Kaden parar.
Porque jurar pelo Testamento de Fokay?
Ninguém brincava com isso.
O que significava…
'Tenho uma princesa para chantagear.'
Ele deu uma respiração profunda.
De verdade, essa coisa já estava demais.
—Fim do Capítulo 39—