Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 36

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Rea ficou paralisada por um longo segundo após ouvir as palavras dos guardas. As vozes, o tom, os… sorrisos forçados, tudo nisso a perturbava profundamente. Ainda assim, ela forçou um sorriso educado, escondendo o peso que apertava seu peito.

“Tem algum lugar aqui onde eu possa ficar?” perguntou calmamente, com voz controlada.

Ela precisava de uma base. Algum lugar para se estabelecer, respirar e planejar. Porque assim como Kaden, ela já havia saturado sua origem. Agora, o único passo restante era encontrar uma pedra de evolução, iniciar a Missão de Evolução e avançar para o próximo nível de força.

Mas pedras de evolução não crescem em árvores. Encontrar uma na natureza era tecnicamente possível—mas as chances eram ridículas.

Isso deixava uma única solução.

'Preciso comprar uma. E para isso… preciso de dinheiro.' pensou Rea, enquanto seus olhos se estreitavam ligeiramente.

Um dos guardas assentiu lentamente, seu sorriso inquietante ainda fixo no rosto.

“Há uma pousada no centro da cidade. Vá lá. Se tiver moedas, pague. Se não—pode trabalhar para a Igreja e ganhar o que precisa.”

Isso era tudo.

Os guardas se viraram, recuando para seus postos como bonecos com corda, retornando à postura de espera. Deixaram Rea ali, sozinha, com seus pensamentos mastigando seus ossos.

Ela começou a caminhar em direção à Igreja. Não porque estivesse sem fundos—mas porque o que tinha não seria nem de longe suficiente. Mesmo as pedras de evolução de baixa qualidade eram caras, e sua família… não tinha exatamente recursos abundantes.

Seus passos eram calmos, mas suas mãos apertadas demonstravam o contrário.

Ela odiava isso.

Odiava o fato de que, enquanto os outros herdeiros provavelmente entrariam em Fokay com o apoio de artefatos, guardas, financiamento e planos de evolução já prontos—ela tinha que ralar por migalhas. Tinha que lutar por cada passo.

No final das contas,

Eles tinham dinheiro.

Eles tinham conforto.

Eles tinham tempo.

Ela tinha pressão.

Por isso, para ela, a solução era simples.

“Ficar mais forte. Depois, juntar dinheiro.”

Sim.

Rea acreditava firmemente que quase tudo—lealdade, segurança, proteção, sobrevivência—podia ser resolvido com riqueza e poder.

Ela estava errada?

Quem sabe.

Enquanto Kaden e Rea enfrentavam Fokay de suas próprias formas, Meris também entrava na jogada.

Mas diferente deles, ela não surgiu em um lugar perigoso. Nem numa zona amaldiçoada. Nem numa terra controlada por fanáticos ou monstros.

Ela surgiu com conforto.

Na capital do Império Celestial—um lugar onde sua família já tinha uma presença consolidada há tempos.

Por isso, neste momento, Meris Elamin bebia calmamente seu chá, com as pernas elegantemente cruzadas, seu cabelo roxo fluindo como seda ao seu redor.

“Minha senhora, o que deseja fazer agora?” perguntou Lari, sua devotada aia, com cautela educada.

Meris não respondeu de imediato. Pegou mais um gole de chá, saboreando as notas florais, antes de finalmente abrir a boca—

“Não estou com pressa,” disse ela com um ar preguiçoso, olhos semi-cerrados. “Treinei sem parar por cinco anos. Um descanso agora não vai matar ninguém, né?”

Soava tão calma. Tão razoável.

Mas Lari já suava em bicas.

“Minha senhora…” começou ela, com a voz tensa. “A Matriarca enviou mensagem. Disse que se você passar nem um dia descansando, ela vai destruir seus conjuntos de chá, suas roupas, suas joias… e toda sua coleção de bonecas.”

O rosto de Meris tilintou. Sua expressão se tornou ainda mais calma, mas seus dedos pararam ao redor da xícara de chá, congelados.

Ela podia suportar perder as joias.

Ela podia engolir a perda do chá.

Ela até poderia perdoar as roupas.

Mas as bonecas?

De jeito nenhum!

“…O que?” ela perguntou de forma aguda.

Levantou-se, agarrando os ombros de Lari. “Me diz que isso é uma brincadeira, Lari.”

Lari nem vacilou. Já estava acostumada.

“Sinto muito, minha senhora. Você conhece a Matriarca. Ela nunca faz piada.”

O semblante de Meris escureceu.

“Aquilo velha Maldita…”

Murmurou por baixo, virou-se de repente e foi embora com passos firmes.

“Para onde vamos agora, minha senhora?” perguntou Lari, seguindo sem perder o ritmo.

Meris sorriu—um sorriso brilhante, alegre e completamente falso.

“Que pergunta estranha, Lari. Afinal, tenho um encontro pra preparar, não tenho?”

Ela brincou um pouco com um fio de cabelo entre os dedos.

“Preciso fazer as unhas. Meu cabelo precisa de uma renovada. E, claro, roupas novas.”

Lari quase tropeçou.

Olhou para cima, incredulidade no rosto. “Você fala sério…?”

Meris nem se deu ao trabalho de responder. Seguia caminhando, radiante, despreocupada e… sem preocupações.

Lari suspirou por baixo, frustrada.

“Abelhona doida.”

“Ah, porra…” resmungou Kaden, com as costas grudadas na parede de uma caverna estreita—uma que tinha encontrado com dificuldade depois de horas rastejando como uma ratazana caçada.

Quase tinha desistido de achar um lugar assim.

Agora, precisava pensar.

UM plano.

Um plano decente.

Porque a missão não era derrotar alguém, pegar algo, ou sobreviver X horas—era escapar sem ser pego.

Esse era o segredo.

Mas esse também era o problema.

“…Cadê mesmo a saída?” perguntou em voz alta.

Ele não sabia.

E isso significava que teria que encontrá-la.

Depois de horas procurando na floresta dourada sem fim, não tinha achado nada. Nenhuma pista. Nenhuma saída. Nenhum sinal de direção. Só calor intenso e árvores por todos os lados. Até se concentrar era difícil com aquele abafamento.

O que deixou uma coisa clara:

Procurar a saída a pé, de forma passiva, cuidadosa… não era uma opção.

Ia levar muito tempo.

Então—

“Vou ter que perguntar pra alguém.”

Deixou as palavras suspensas no ar quente. Não havia humor na voz.

A missão dizia para não ser pego.

Não dizia nada sobre não interagir.

Então, tecnicamente—tecnicamente—se ele fizesse alguém falar, sem ser pego…

Isso era jogo limpo.

“Fácil, né?” falou secamente.

Depois, riu baixinho de si mesmo. Feio, cansado.

Ele era um Guerreiro Despertado.

Os guardas e guerreiros ali? Todos mais fortes. Pelo menos um nível superior.

Isso significava—

“Estou ferrado, não estou?”

Mas ele não se afundou nisso.

Havia aprendido há muito tempo que reclamar não salva ninguém. Chorar não muda o destino. Perder tempo nunca deu força a ninguém.

Só a ação importava.

E na situação dele?

Não havia um milhão de opções.

Apenas uma.

Uma simples no papel. Horrenda na prática.

“Só preciso encontrar alguém… e pedir educadamente pela saída.”

E por “educadamente”, é claro—

Ele quis dizer torturar.

Rigoroso, sangrento, eficiente.

Este não era o momento de fazer o herói. Este não era o momento de ser mole. Se quisesse viver, se quisesse completar essa missão, evoluir e sobreviver—

Então, era hora de fazer jus ao nome.

Filho do Sangue.

E sangue iria verter.

Quer ele…

Ou eles.

De preferência, não dele. 

“Porra,” resmungou Kaden de novo—depois se levantou, com Reditha materializando-se em sua mão.

Hora de caçar.

Hora de matar.

Hora de sobreviver.

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