
Capítulo 25
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Passaram-se cinco anos—
E nesses cinco anos, muitas coisas mudaram.
Após seu retorno, Kaden passou pelo segundo teste—um teste de vontade. Mas, com suas altas estatísticas, passou tão facilmente que deixou todos os Warborns sem palavras.
Desde então, seu nome se espalhou pela Fortaleza como um fogo incontrolável.
Mas ninguém mais o chamava de Kaden.
Agora, só o chamavam de:
A Criança de Sangue.
Uma criança nascida de sangue. Da morte. Da prova.
E, uma vez comprovado, as pessoas se agarraram a isso.
Ele virou popular. Famoso, até. Mas, com a fama?
Veem tanto os benefícios quanto as desvantagens.
Para Kaden, não havia benefícios. Nem para ele.
Mas as desvantagens? São tantas que nem dá pra contar.
Como dizem:
A árvore mais alta é sempre a primeira a ser cortada.
Por quê? Porque chama mais atenção.
E os Warborn—Kaden incluído—chamavam atenção demais.
Temidos. Respeitados. Odiados.
Sempre eram os primeiros a ir à guerra. Os primeiros a defender. Os primeiros a sangrar.
E isso os tornava um problema. Porque eles são queridos pelo povo.
Uma ameaça.
E, para alguns dentro da Fortaleza... era hora de cortar a árvore.
Todas as ramos incluídos.
…
Sítio da Família Cerveau.
"Precisamos cuidar deles", disse Nuke Cerveau, de quinze anos, herdeiro da família Cerveau.
Ele estava no escritório do pai, com o rosto sério.
Seu pai—Brain Cerveau—parecia quase idêntico. Cabelos azuis. Olhos azuis. Um longa bata branca marcada com o brasão da família: um cérebro azul entrelaçado com linhas que lembravam nervos.
Muito apropriado.
"E eu sei disso", disse Brain, calmo e frio. "Mas ainda não é o momento."
"Já te falei—paciência é fundamental ao lidar com pessoas como eles."
"Você não pode apressar. Não pode enfrentá-los de frente."
Ele olhou para o filho com olhos afiados.
"Porque eles não vão fugir. Vão vir com tudo contra nós."
"E isso seria um incômodo, não é assim que agimos."
Nuke assentiu lentamente. "Sei. Nunca planejei atacá-los de frente. Todo mundo sabe como eles são."
"Só quero uma coisa, pai."
Ele deu um passo à frente, inclinando-se sobre a mesa.
"Deixa comigo, o Criança de Sangue."
Brain levantou uma sobrancelha.
"Por quê? Você se sente desafiado porque ele tem a sua mesma idade?"
Nuke não hesitou.
"Não. Ninguém da minha idade é meu igual."
Disse com calma. Sem arrogância. Apenas certeza.
"Só tenho interesse. Uma criança nascida de sangue. Cercada pela morte. Uma lenda desde antes mesmo de pegar uma arma."
"Esses tipos de pessoas… se você os deixar crescer—"
"—eles viram um problema", terminou Brain com um sorriso suave.
Ele já sabia. Já tinha planejado eliminar o garoto eventualmente.
Mas ouvir isso do filho?
Deixou-o satisfeito.
‘Criei bem,’ pensou.
Assentiu. "Então, cuide dele."
"Deixo tudo nas suas mãos. Não vou me meter."
Depois, sua expressão mudou.
Sua aura se alterou.
De repente, tudo na sala parecia pesado. Sufocante.
"Mas—não me decepe, Nuke. Está me ouvindo?"
O olhar de Nuke permaneceu firme. "Não, pai."
A pressão desapareceu.
"Bom. Pode ir."
Nuke virou-se para sair, caminhando em direção à porta. Mas, antes de sair, parou.
Ainda de costas, falou.
"Tenho uma reunião marcada com os herdeiros das três grandes famílias."
Ele sorriu de canto.
"Também convidei a Thornspire."
"Ouvi dizer que a herdeira deles despertou uma Origem Lendária. Ela se encaixa."
Brain assentiu, desinteressado. "Faça o que quiser. Eu quero resultados. Não métodos."
Nuke sorriu mais, então entrou no corredor.
Enquanto caminhava pelo corredor, sua voz ecoou suavemente—fria e absoluta.
"Envie as cartas para cada um deles."
Uma voz invisível respondeu.
"Entendido, jovem mestre."
Os olhos de Nuke se estreitaram levemente.
'Bom… vai ser divertido.'
…
Sítio Warborn – Biblioteca
Enquanto isso, Kaden estava sentado na biblioteca da família Warborn.
Agora com quinze anos, seus traços se aguçaram. Sua voz mais profunda, mais madura. Mas os olhos? Ainda os mesmos—vermelhos, frios e tranquilos.
Estava com suas roupas pretas de sempre. O brasão Warborn no peito brilhava discretamente.
Folheava um livro, lendo em silêncio.
"Então, até bestas podem entrar na Fokay… mas só aquelas com linhagens fortes, inteligência e consciência."
Murmurou, quase impressionado.
"Bastante interessante."
Passou os últimos cinco anos lendo.
Livros sobre história. O legado Warborn. A estrutura de Fokay. Bestas. Linhagens sanguíneas.
Tudo.
Aprendeu bastante.
Mas havia coisas que não conseguia entender.
Como a primeira Warborn—o antepassado. Dizem que foi o primeiro a usar uma Origem de arma. Tão poderoso que nem os reinos de Fokay e Darklore ousaram enfrentá-lo.
E depois?
Ele desapareceu.
Sem explicação, sem rastros.
Não fazia sentido.
Depois, surgiram sussurros—sobre deuses e deusas. Igrejas em Fokay. Famílias que veneravam esses próprios deuses.
"Deuses, hein…"
Kaden bufou. "Ainda não consigo entender isso."
Já tinha perguntado ao pai uma vez.
Mas a resposta era tão louca que ele nunca quis pensar nisso de novo.
"Tudo fica mais confuso."
O mundo era grande. Bagunçado. Perigoso.
Mas ele não tinha medo.
Treinou.
Não morreu nesses anos todos—porque praticamente não saiu do sítio—mas isso não significava que estivesse parado.
De jeito nenhum.
Ele cresceu.
"Morte. Mostre-me meu perfil."
<<<<< Perfil >>>>>
Nome: Kaden Warborn
Idade: 15
Classe: Despertado (Saturado)
Origem: Rei da Espada Sangrenta (Lendária)
Título: Criança de Sangue
Atributos: Sangue Corrosivo
FOR: 175
AGI: 175
CON: 190
MP: 170
INT: 170
VOL: 190
PES: 150
Pontos de Atributo: 15
Fragmentos: Instintos de Lobo
Missões Ativas: Nenhuma
Moedas da Morte: 1.000
Habilidades:
→ Reservatório de Sangue [Despertado]: Cada morte adiciona sangue ao reservatório interno, que pode ser usado como combustível para transformações, armas ou recuperação.
Técnicas:
→ Forma Presa de Ferro (Rara): Estilo de ataque fundamental. Um golpe. Uma morte. Se você acertar duas vezes, algo está errado.
→ Passo de Ferro (Raro): Cada passo é uma decisão. Cada mudança, uma preparação para a próxima morte. Mova-se de forma simples—mas com propósito.
<<<<< Fim >>>>>
Kaden observou suas estatísticas, um pequeno sorriso nos lábios.
Cinco anos.
Várias missões.
Cada atributo acima de 150.
Mas ainda assim…
"Tá ficando mais difícil ganhar pontos de habilidade. Por quê, Morte?"
[Ainda sem oportunidade.]
Simples.
O mundo não tinha o testado o suficiente recentemente.
Kaden suspirou.
De qualquer forma… seu núcleo de Origem agora estava saturado.
O que significava que, ao entrar na Fokay, poderia começar imediatamente seu teste de evolução.
Ele estava animado.
E nervoso.
Local novo. Novos perigos. Novas regras.
"Mas o pior que pode acontecer… é a morte."
Ele sorriu de canto.
"…E a morte só me fortalece."
Esse pensamento sempre o tranquilizava.
Olhou para a seção de técnicas.
Diferente das habilidades, as técnicas não eram dadas pela Origem. Elas eram criadas—por clãs, guerreiros, antepassados.
E ele tinha escolhido duas técnicas raras, fundamentais. Uma para ataque. Uma para mobilidade.
Não as mais chamativas. Nem as mais fortes.
Mas flexíveis, equilibradas e limpas.
Ele não buscava extremos.
Queria algo do qual pudesse construir seu estilo.
"Ataque forte, defesa fraca… nunca funciona."
"Preciso de algo sólido."
Ele fechou a tela, inclinou-se para trás e respirou fundo.
Então—
Batida na porta.
"Jovem mestre Kaden. Seus pais estão te esperando."
Kaden levantou-se, estalou o pescoço, e sorriu de canto.
"…Acho que o tempo de brincadeira acabou."
—Fim do Capítulo 25—