
Capítulo 24
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden caminhou calmamente em direção à beira da floresta.
Logo, estaria fora dela.
Chega de árvores. Chega de bestas. Chega de raízes ensopadas de sangue ou galhos partidos sob seus pés. Apenas—
[Então… Seja forte!]
[Anfitrião, você estava falando sério ou só tentando parecer duro?]
Seu lábio se contorceu.
Desde que deixou aquela garota serpente para trás, a Morte não parava de reclamar sobre o que ele desejou a ela.
"O que você quer de mim?" murmurou Kaden, irritado. "Nem me lembro da última vez que conversei com alguém fora da minha família."
"E você sabe como era minha última vida. Espera que eu seja um orador eloquente agora?"
[Fraqueza é um pecado…]
Ele ignorou a Morte. Novamente.
Só queria sair daquele bosque logo.
…
Horas se passaram.
Encontrou mais criaturas pelo caminho, mas eram fracas—no máximo, animais despertos de nível básico. Sem cérebro, previsíveis. Mesmos movimentos, mesma abordagem.
Por impulso.
Mas impulso não valia de nada contra alguém mais forte. Mais inteligente.
E naquele bosque?
Kaden era ambos.
Finalmente, ele avistou.
A Grande Muralha do Bastião de Waverith—pedra esculpida de ferro negro, imensa, antiga. Um símbolo de poder. De proteção.
'Agora que penso… não somos os únicos que vêm de famílias grandes aqui.'
Waverith tinha três pilares de força: os Guerreiristas, os Elamin e os Cerveau. Cada um com seu domínio. Cada um governando a seu modo.
Juntos, controlavam tudo dentro do Bastião.
'Não que isso me preocupe.'
Kaden não ligava para política.
Nunca ligou.
Os Guerreiristas, em geral, também não. Não se importavam com jogadas de poder ou negócios nas sombras. Não cochichavam em cantos nem traiam aliados às costas.
Combatiam guerras. É isso que eles faziam.
Simples e eficiente.
E se alguém os provocasse?
Eles sangrariam, feio.
Mas toda essa besteira de conspiração? Não era o estilo deles.
Era uma coisa boa?
Bem… depende de quem perguntar.
…
Kaden parou às portas.
E mais uma vez, enfrentou alguém inesperado.
"…Irmã?"
Daela Warborn estava na frente do portão do Bastião, braços cruzados, expressão fria e indecifrável. Vestia sua roupa de treino preta como uma armadura, sua aura afiada e sufocante.
Um tipo de presença que gritava: aproxime-se de mim, e você vai morrer.
Ninguém se atreveu. Claro.
Teria que ser idiota para abordar qualquer descendente de Warborn com desprezo assim.
Mas então os sussurros começaram.
"…Ei, não é aquela Criança de Sangue?"
"Sim, nasceu durante aquela batalha com o covarde do Rei das Bestas, né?"
"Consegue sentir esse desejo de matar? Parece que ele quer eliminar todos nós."
"Cala a boca, otário. Não deixe ele te ouvir—"
Os rumores se espalharam como fogo em palha seca. Todos ficaram te olhando.
O nascimento dele era algo que os Warborns comemoravam. Então, eles ficaram curiosos.
Observavam, estudavam e mediam.
Ele realmente merecia o nome?
Seria ele realmente um Warborn?
E Kaden… ficou abalado.
Nunca tinha chamado atenção assim antes. Nem na vida passada. Nem mesmo quando a família dele ainda vivia.
Sempre foi só… ali.
Medíocre. Quieto. O garoto com dois amigos decentes e sem interesse em ser o centro das atenções.
Mas agora?
Todos os olhos estavam nele.
Até então, ele nunca tinha entendido o que realmente significava o nome Warborn.
'É… estranho.'
Mas se há uma coisa que seu teste lhe ensinou—uma coisa que a morte gravou em seus ossos—é que—
Medo é uma raiz. Se a deixarem crescer, ela vai sufocar você.
Então, ele virou as costas, endireitando as costas.
Seus olhos vermelhos se aguçaram.
Reditha apareceu em sua mão direita, vibrando suavemente com desejo de sangue.
Então—
Ele começou a caminhar.
Não devagar. Nem apressado.
Justamente com intenção.
A cada passo, silêncio. Mas sua presença exalava morte. O silêncio foi instantâneo. Ninguém ousou falar. Ninguém respirou sequer.
Toque. Toque. Toque.
Daela levantou uma sobrancelha.
Percebeu imediatamente. Seu irmão mais novo não era mais o mesmo. Sua postura. Seu olhar. Sua vontade.
Estava diferente.
Mais afiado.
E mais forte.
Ela deixou um pequeno sorriso surgir nos cantos dos lábios.
Durante todo esse tempo, ela se preocupou. Perguntou-se se ele conseguiria carregar o nome deles. Carregar as expectativas do mundo.
Mas ao vê-lo agora?
Cabeço erguido e olhos fixos à frente.
Ela ficou aliviada… profundamente.
Ela se virou.
"Vamos, irmãozinho," ela disse suavemente. "Estamos esperando."
Kaden sorriu levemente.
"Sim, irmã."
…
Mansão da Família Elamin – Quarto de Gelo
Dentro de uma sala isolada, congelada em inverno eterno, uma jovem garota sentava-se de cruzado em um gelo sólido. Seu cabelo era de um roxo suave. Seus olhos prateados e indecifráveis.
Meris Elamin.
Flocos de neve caíam ao seu redor como cinza, mas ela não se mexia.
Então, uma voz ecoou em sua mente.
"Temos uma nova informação. A Criança de Sangue retornou."
Ela não respondeu. Mas a voz sabia que ela ouvia.
"Você não precisa se incomodar com ele. Assim como os pais dele… só força bruta, sem cérebro. Não vale nossa atenção."
A voz desapareceu.
Meris abriu lentamente os olhos. "Não digno…?"
Ela sussurrou as palavras, como se as degustasse.
Depois balançou a cabeça.
"Vou ver com meus próprios olhos."
Ela não acreditava em rumores.
Ela só acreditava no que via.
E essa "Criança de Sangue"… ela iria vê-lo com seus próprios olhos.
Para melhor ou pior.
Ela fechou os olhos novamente e retomou seu treinamento.
…
A Mansão da Família Cerveau – Estudo Azul
Um jovem sentado em uma sala silenciosa pintada de azul profundo. Cabelos longos, lisos, azuis, presos em um rabo de cavalo. Olhos azuis, frios e calculistas.
Nuke Cerveau.
Estava sentado de cross em suas pernas, uma mão na cabeça enquanto folheava outro livro—até que—
Guess, guess.
Ele franziu um pouco a testa.
"Entre."
Sua voz era sem emoção.
Uma criada entrou. Cabeça baixa, movimentos precisos.
"Pode falar."
"…Jovem mestre," ela disse, "recebemos notícias sobre o mais novo Warborn."
Ao ouvir 'Warborn', Nuke largou o livro.
Agora ela tinha toda a sua atenção.
"Conte."
Ela assentiu. "Foi visto fora do Bastião, com Daela Warborn. Provavelmente concluiu seu teste com sucesso. Ou pelo menos… voltou vivo."
Nuke se inclinou para frente, dedos tapping no braço do assento.
"Como ele foi?" perguntou. "A Criança de Sangue — como ela apareceu?"
A criada hesitou. Então disse: "Confiante e arrogante. Como todos os Warborn."
Silêncio.
Então—
Um sorriso malicioso, frio e perverso.
"Que conveniente," Nuke murmurou.