
Capítulo 23
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Enquanto isso, na mesma floresta onde Kaden havia acabado de descansar, uma jovem garota corria por sua vida.
As árvores passavam velozes por ela enquanto impulsionava suas pernas ao máximo, seus suspiros ofegantes e desesperados.
Mas "garota" já não era exatamente o termo adequado.
Seu corpo brilhava com escamas verdes, semelhantes a serpentes. Seu cabelo era de um verde-esmeralda profundo e seus olhos amendoados brilhavam como veneno sob a luz da lua. Ela não era humana.
Ela era uma besta. Uma besta serpente.
E estava sendo caçada.
Logo atrás dela, dentes e garras rasgavam o ar — lobos verdes, do mesmo tipo que Kaden enfrentou no início do seu desafio. Rápidos. Impiedosos. Cruéis.
HUFF— HUFF— HUFF—
Seu nome era Inara.
E, neste momento, ela estava perdendo.
'Por favor… alguém… me salve…'
Ela implorava mentalmente, várias vezes. Por um momento, ela conseguiu escapar de suas garras, graças à sua natureza escorregadia, mas o tempo estava acabando. Sem fôlego, sem sorte.
E quando você está exausta—
BAM!
Ela tropeçou em uma pedra e caiu de cara na terra.
A queda quase foi cômica—se a situação não fosse tão tragicamente absurda.
"Arghh…!" Inara gemeu, dor subindo pela perna. Seus olhos se encheram de lágrimas enquanto ela olhava para trás.
Os lobos tinham desacelerado.
Não estavam mais correndo.
Andavam agora.
Devagar. Com paciência. Brincando.
Estavam brincando com ela.
Sempre fizeram isso com presas que sabiam que não tinham como reagir.
E Inara? Ela parecia exatamente uma presa.
Ela tentou levantar a mão. Seus dedos tremeram. Uma névoa verde fraca começou a se formar ao seu redor, girando como uma névoa fraca. Veneno.
Mas era patético.
Ela mal conseguia se concentrar.
O suor escorria pelo rosto dela. Seu corpo tremia. Ela cerrava os dentes, forçando o veneno a se transformar numa pequena esfera e a lançava contra os lobos.
Uma esfera.
Cinco lobos.
Nem sequer tentaram desviar.
O veneno atingiu um e… nada aconteceu. O lobo piscou, lambeu os lábios.
Eram Despertados. Como ela.
Mas por quê?
Por que eles eram tão poderosos, enquanto ela…
Era tão fraca?
Uma questão que a assombrava desde o dia em que despertou.
'Por quê eu?'
Seu corpo tremia ainda mais forte.
Ela tinha medo.
Medo de morrer.
'Eu não quero morrer… alguém… qualquer…'
'Por favor, me salve.'
Mas ela não gritou.
Nem se moveu.
O medo a enraizou, apertou sua vontade, paralisou seu corpo. Ela já nem conseguia pensar claramente.
E é assim que o medo age.
Rouba tudo.
'Eu só queria provar que estavam errados…
Que eu não era inútil. Que eu não era fraca. Que não era um erro só por causa da minha origem.'
Mas agora?
Não me importo mais.
'Deixa eu ser fraca. Deixa eu ser nada. Só não me deixe morrer…'
Lágrimas escorreram pelo rosto dela. Ela não conseguia se mover. Nem mesmo rastejar.
Os lobos se aproximaram.
Rosnaram.
"Ah… ah… por favor… não me matem…"
Ela engasgou as palavras entre soluços. O rosto molhado e contorcido.
"Por favor… hic… por favor…"
Os lobos sorriram.
E então avançaram.
Os olhos dela se arregalaram. Seu grito rasgou a floresta como o grito de uma banshee.
"AAAAAAHHHHHHHH! ALGUÉM ME AJUDA!!"
E então—
Uma voz. Calma e frio.
"Lança de sangue."
Assim que as palavras soaram—antes que ela pudesse processar completamente—um dos lobos caiu.
TROND!
Uma lança vermelha como sangue atravessou seu crânio, cravando-o na terra.
Os outros quatro lobos pararam de repente. Olharam ao redor.
Inara também virou, a visão ainda turva pelas lágrimas.
Ali, a poucos metros dela, estava um menino. Vestido de preto, com um brasão de duas espadas cruzadas acima de uma poça de sangue vermelho.
Cabelos negros como a noite — uma noite sem estrelas.
E seus olhos…
Seus olhos eram oceanos de sangue. Profundos. Sem fim. Silenciosamente furiosos.
Kaden Warborn.
No instante em que os lobos olharam para ele—um medo puro os invadiu.
Não era magia. Não era uma habilidade.
Era instinto. Instinto animal gritando uma palavra em suas mentes—
Correr.
E, como verdadeiros feras, obedeceram.
Ou pelo menos, tentaram.
"Para onde você pensa que vai?" Kaden perguntou, avançando.
Veneno se enroscava ao seu redor como fumaça.
"Você já está aqui. Melhor ficar."
Decotes de lanças vermelhas surgiram atrás dele e dispararam adiante.
Nem tiveram chance de gritar.
TRIN! TRIN! TRIN!
Silêncio.
Todos os cinco lobos estavam mortos.
Sobraram apenas soluços.
HIC—HIC
Inara permaneceu imóvel, com os olhos arregalados e o corpo tremendo.
'Como…?'
Ela não conseguia entender como alguém da idade dela—ou até mais jovem—podia ser tão poderoso.
Kaden apenas olhou para ela.
Ele não pretendia interferir. Sentiu a perturbação de longe, graças à sua alta percepção. Quase ignorou. Quase.
Mas algo o puxou.
Curiosidade. Instinto. Ou talvez—
Algo mais.
Ela lhe lembrava… dele mesmo.
Ele não sabia por quê.
Mas ela sabia.
E talvez por isso—
"Frieza é pecado," ele disse, com a voz baixa e cortante.
"Então… seja forte."
Ele se virou e desapareceu entre as árvores.
Vazio. Como uma sombra.
Deixando para trás uma Inara atônita, ainda ajoelhada na terra, lágrimas ainda não secaram.
E então—
"Princesa Inara! Princesa Inara, você está segura!!"
Um grupo de Homens-Serpente saiu de repente das árvores, armas na mão. Seus rostos, antes tensos de pânico, relaxaram ao encontrá-la.
"Ah… sim…" ela murmurou, ainda meio perdida em pensamentos.
Ela não estava pensando neles.
Estava nele.
Em Kaden.
Aquelas palavras…
Ela já as conhecia.
Ouvir coisas semelhantes a vida toda.
Mas ouvir dele—um estranho que salvou sua vida e nem olhou para trás—
Teve um peso diferente.
"Princesa, por favor, temos que correr! A Matriarca vai nos ralar se algo acontecer com você!" disse um dos guardas, preocupado ao ver o sangue no chão.
Inara acenou distraidamente. "É…"
Mas mesmo enquanto eles caminhavam, suas mãos estavam cerradas com mais força.
As palavras dele ecoaram na sua cabeça.
Seja forte.
Mas como?
Ela ainda não sabia.
Mas agora queria descobrir.
E talvez…
Só talvez…
'Eu vou te encontrar de novo.'