Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 26

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Dentro da sala de reunião da família Warborn—

Sarena e Garros estavam sentados lado a lado, diante de Daela, que recostava-se na poltrona do outro lado, com aquela expressão neutra, impassível.

Garros inclinou a cabeça. "Por que você está aqui?"

"Chamamos o Kaden. Não você. Então—vá embora. Sai daqui," ela disse, mandando-a embora como se fosse uma mosca irritante.

E, para ele, Daela era irritante. Sempre que o assunto era Kaden, ela aparecia—querendo se intrometer, achando que tinha direito. Mesmo quando não era coisa da sua conta, ela surgia, e se ela não gostasse? Oposição na lata, sem vacilar.

Uma verdadeira pirralha ousada.

Por isso mesmo, Garros não queria ela aqui hoje. Não hoje. Hoje, finalmente, iriam contar a verdade para Kaden. Algo que eles escondiam desde o momento em que ele nasceu.

"Vai treinar ou fazer alguma coisa, Daela," Sarena disse, com aquela tranquilidade habitual.

E aí, os sinos de alarme tocaram na cabeça de Daela.

Se até a mãe dela estava mandando ela sair?

'Significa que é alguma coisa que eu não vou gostar,' pensou ela sombrio.

E isso só aumentou sua vontade de ficar.

Ela balançou a cabeça. "Vou ficar."

Os lábios de Garros se contorceram.

Um segundo depois, toda a sala começou a tremer.

A mesa tremeu. Decorações nas paredes caíram. Rachaduras se espalharam pelo chão de mármore. Poeira caiu do teto como cinza de tempestade.

E a pressão? Ainda aumentando.

Daela franzia a testa—mas não se moveu. Estava acostumada a isso. Seu pai sempre fazia essas besteiras quando ela se opunha a ele sobre Kaden. Sempre tentava intimidá-la.

Mas nunca funcionou.

E sempre terminava do mesmo jeito—

"Cessa, Garros," Sarena disse com frieza, observando a decoração em colapso. "Se você quebrar mais um dos meus enfeites, quem vai pagar por isso vai ser você."

Garros virou para ela com um sorriso selvagem. "Ah, é? E o que vai fazer a respeito?"

Sarena devolveu o sorriso sem vacilar. "Dar uma surra em você, querido marido."

"HAHAHAHA! É isso aí, Sarena! Venha! Faz tanto tempo que não brigamos!"

Pois é. Toda hora era assim.

Tranca a porta.

A sala congelou.

Um barulho de batida ecoou, seguido de uma presença familiar entrando na sala.

Kaden Warborn.

Instantaneamente, a pressão desapareceu. Garros e Sarena se viraram para o filho.

"Olá, pessoal," saudou Kaden, com aquele sorriso calmo que, de alguma forma, sempre cortava mais do que qualquer grito.

Ele olhou para o mobiliário destruído e depois de volta para os pais.

"Vocês estavam brigando de novo?" perguntou, com uma expressão de quem já sabia a resposta.

Garros cruzou os braços, como uma criança birrenta. "Por que você age como se fosse o chefe aqui?"

'Ah, eu queria tanto brigar com a Sarena,' lamentou silenciosamente Garros.

'Chega de besteira, Garros. Age como um homem, pelo amor de Deus,' resmungou Aeron na cabeça dele, já cansado como sempre.

Garros não deu atenção.

Estava acostumado com as cobranças do velho.

Kaden entrou, sentou-se ao lado de Daela, que nem sequer olhou pra ele.

"Então," ele disse. "Por que me chamaram?"

E, num instante, o clima mudou.

A atmosfera brincalhona desapareceu. Sarena e Garros endireitaram-se. O silêncio ficou mais pesado.

"Chamamos você para informar uma coisa," disse Sarena.

Um pequeno clarão—e uma carta apareceu na mão dela.

Kaden notou o anel no dedo dela.

Anel espacial, ele pensou silenciosamente.

Sarena continuou, "Este é um convite da família Cerveau. Uma reunião formal entre você e os herdeiros das três maiores famílias."

Ela fez uma pausa.

"Mas haverá uma quarta pessoa participando. Alguém que também despertou uma Origem de nível lendário."

Daela se tensionou ao lado dele.

Kaden inclinou a cabeça, curioso.

"Ela se chama Rea Thornspire," disse Sarena, com a voz de repente monótona. "Sua noiva."

Silêncio.

Kaden pisou lentamente. Seus olhos se moveram dos pais para Daela—que virou a cabeça na direção dele ao mesmo tempo.

Ele sorriu de modo torto.

"Devo ter entendido errado, né, irmã? Eu realmente não tenho uma noiva?"

Daela assentiu, com os olhos estreitos. "Pensava o mesmo. Obrigada por confirmar, mano, achei que estava ficando louca."

Sarena e Garros fremiram.

"Você ouviu certo, Kaden," disse Sarena, com aquele tom de mãe severa. "O nome dela é Rea. Você vai conhecê-la na reunião. Então, comporte-se bem."

Kaden e Daela não ficaram impressionados.

"Você tá brincando?" perguntou Kaden, com a testa franzida. "Desde quando tenho uma noiva? Por que nunca ouvi falar disso?"

"Pois é," disse Garros com um encolher de ombros. "Você tá ouvindo agora."

Daela se inclinou um pouco pra frente, com a voz fria como o gelo. "Quem foi que decidiu isso?"

"Seu avô," respondeu Sarena, finalmente demonstrando irritação na voz.

Kaden soltou uma risada curta, amarga.

"Alguém que nunca nem vi decidiu isso por mim?"

Nunca tinha visto seu avô, mal tinha ouvido falar dele. E agora esse fantasma decidiu quem ele iria se casar?

Deixou um gosto amargo na boca de Kaden.

Mas ele não discutiu. Percebeu pelo jeito que falaram—isso já estava resolvido. Não tinha como mudar isso.

Respirou fundo.

"Tudo bem."

Essa palavra soou como um silêncio na sala.

Sarena e Garros piscarem, surpresos.

Sabiam que Kaden era maduro, calmo, sempre pensando. Mas tão de repente?

Até para eles, aquilo foi surpreendente.

Sarena sorriu docemente. "Obrigada por entender, querido."

Garros, é claro, perdeu a cabeça.

"HAHAHAHA! É isso aí, meu menino!" gritou, batendo na perna como um tio bêbado numa festa. "Ele não é um pirralho chorão!"

Kaden apenas sorriu discretamente. Não disse nada.

Mas alguém mais não estava sorrindo.

Daela.

'Uma garota? Uma noiva? Pra quê?'

'Ele não precisa de uma noiva... Ele só precisa de uma irmã.'

Seu pensamento começou a virar uma espiral escura, ficando mais sombrio a cada respiração. Pensava em encontrar a tal dessa Rea. Pensava em machucá-la. Torturá-la. Matá-la, quem sabe.

E ela realmente quis dizer isso.

"Você está bem, irmã?" perguntando para tirá-la da espiral.

Ela piscou, olhou para ele. Os olhos dele tinham preocupação.

Seu coração derreteu.

'Meu irmãozinho é fofíssimo!!' gritou ela dentro da cabeça.

Mas, externamente, ela estava fria como sempre.

"Sim. Estou bem."

Kaden sorriu. "Ótimo."

A mente de Daela travou naquele sorriso repentino. Mas, após um segundo, os lábios dela tremeram. Um sorriso invisível, quase imperceptível, surgiu lentamente.

Só uma sombra dele.

'Sim... ele só precisa de uma irmã.'

Com certeza.

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