Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 27

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Propriedade Thornspire—

Dentro de uma sala simples e branca, desprovida de móveis além de uma cama e uma mesinha de cabeceira, uma garota que parecia ter no máximo quinze anos virava-se de um lado para o outro, inquieta enquanto dormia.

Rea Thornspire.

Porém, seu sono não era tranquilo. O suor cobria sua pele, suas sobrancelhas estavam enrugadas e seu corpo se movia incessantemente, como se não conseguisse encontrar conforto em nenhum posicionamento.

O sorriso de preocupação aprofundou-se. Seu corpo começou a tremer — primeiro de forma sutil, depois com força suficiente para fazer a cama ranger e obter estalos.

Então — estalo.

Seus olhos se abriram de repente.

Ela se ergueu rapidamente, ofegando e com o peito acelerado.

"Ah… ah… de novo…" ela sussurrou, com a voz baixa e trêmula, carregada de algo que se assemelhava ao medo.

"Por que ainda estou tendo esses sonhos?"

Era a mesma dúvida que ela se fazia desde que despertou sua Origem. Porque desde aquele dia, o mesmo pesadelo insistia em assombrá-la.

Uma mulher distorcida. Um rosto que ela não conseguia distinguir claramente. E aquelas lágrimas negras… escorrendo, reluzentes como óleo, manchando tudo ao redor.

Ver aquelas lágrimas fazia sua pele arrepia. Dava vontade de arrancar seus próprios olhos.

Mas a pior parte?

Ela nem mesmo sabia o motivo.

Tudo o que tinha certeza era de que os sonhos começaram no instante em que despertou sua Origem. Portanto, deviam estar conectados.

Mas saber disso não ajudava em nada.

"O que diabos devo fazer com isso?" ela murmurou, com a voz cortante de irritação.

Ela não tinha respostas. Nenhuma pista. Nenhum conselho. Apenas aquele pesadelo vago e esmagador, que a fazia sentir como uma estranha dentro do próprio corpo. Como se estivesse observando através dos olhos de outra pessoa. Não vivendo aquilo — apenas presa dentro de si mesma.

E essa era a parte mais assustadora.

Rea soltou um suspiro profundo e deixou o corpo cair de volta na cama, ainda com a respiração trêmula.

Estava mexendo com ela. De um jeito sério.

E quando somou isso a todas as outras coisas —

Toc-toc.

Alguém bateu na porta. Então ela se abriu.

Uma jovem aia entrou e fez uma reverência respeitosa.

"Minha senhora, recebemos uma carta para você."

Rea não respondeu imediatamente. Ficou encarando a aia — mas não de verdade.

Não.

Ela olhava para ela.

Para o medo dela.

É isso o que Rea podia fazer. Sua habilidade desperta permitia enxergar os temores das pessoas. Não adivinhar. Ver — expostos, cruéis e à mostra. E ela nem conseguia controlar essa habilidade. Isso significava que toda vez que encontrava alguém, o medo dessa pessoa florescia diante dela como uma flor grotesca.

Claro que pessoas poderosas podiam suprimir essa sensação. Mas essa garota?

O medo dela era claro e patético.

Mesmo assim, aquilo exaustava Rea. Tinha ficado esgotada. Ela estava cansada de tudo aquilo.

Porém, externamente, mantinha-se composta — a mesma filha educada de Thornspire que todos conheciam.

Forçou um sorriso breve. "Qual carta, Amie?"

Amie avançou e lhe entregou o envelope. "É da família Cerveau, minha senhora. Convidaram você para uma reunião entre os herdeiros das outras três familias. E…"

Ela hesitou.

"…Seu noivo, o jovem mestre Kaden Warborn, também estará presente. Seu pai espera que você esteja à altura."

Rea assentiu em silêncio. "Entendido."

Amie se curvou novamente e saiu, deixando Rea sozinha com seus pensamentos.

Assim que ela saiu, Rea soltou um suspiro — aliviada por não ver mais aquele medo ridículo.

Medo de rejeição por parte do seu amor platônico. Medo de ser pega bebendo o chá do seu mestre. Medo da aia chefe.

Até que era engraçado, na verdade.

Porém, tudo era avassalador da mesma forma.

Porém, o foco de Rea mudou. A reunião. Seu noivo.

Kaden… filho do sangue.

De um modo estranho, uma pergunta surgiu na cabeça dela.

"…Quais são seus medos?"

Pela primeira vez, ela ficou curiosa.

E mal podia esperar para descobrir.

Sítio Elamin—

Meris analisou a carta que Nuke enviara, depois rangeu a língua com impaciência.

"Que diab os espertalhões estão planejando agora?" ela murmurou, suspendendo a carta no ar até transformá-la em flocos de neve.

"Não sei, minha senhora," uma voz ecoou em sua cabeça. "Mas a Matriarca aconselhou cautela."

Meris assentiu, com o olhar pensativo.

"Sei... Mas me diga uma coisa. Aquele filho do sangue vai estar lá?"

"Sim."

Sorriu de modo satisfeito.

"Ótimo. Finalmente vou conhecê-lo."

E, sinceramente?

Estava ansiosa por esse momento.

De volta aos Warborn—

Após a reunião com os pais, Kaden ficou sozinho em seu quarto, pensando.

Sua quase-noiva. A reunião. A família Cerveau.

Principalmente eles.

Ele não sabia muito — só que, a cada geração, sem falta, despertavam alguma forma de Origem de tipo mental.

Todos eles.

Por isso eram os estrategistas nas guerras. Os planejadores. Os pensadores por trás de cada movimento nas campanhas contra as feras.

Ele tinha perguntado uma vez aos pais sobre a família Cerveau.

Ambos fizeram careta.

E, em perfeita sincronia, disseram: "São cobras."

"Cobras, hein…" murmurou Kaden, um pouco mais interessado do que antes.

Isso, por si só, já fazia com que ele quisesse encontrá-los.

Como de costume —

[DING!]

[Você recebeu uma missão.]

[Missão: Primeiro Passo no Mundo Real]

[Descrição: Você está prestes a dar seu primeiro passo no seu verdadeiro círculo.]

Não pode mostrar fraqueza.

Você é uma criança do sangue, nascida na guerra.

Mostre quem você é — de uma maneira perfeita.]

[Recompensas]: Nomeadas de acordo com o desempenho

[Penalidade]: Seu nome e sobrenome ficarão manchados

Kaden fixou o olhar na mensagem, suspirou.

Ele já estava se acostumando com o dramaticismo absurdo da Morte.

Mas a penalidade… isso era algo que ele não podia permitir que acontecesse.

Ele era um Warborn, honra e respeito são coisa que nunca negligenciariam.

"…O que você quer dizer com de uma maneira perfeita?"

[Faça com poder, se o poder for necessário.

Use palavras, se forem necessárias.

Se for silêncio, faça silêncio.

Se a presença for suficiente, use a presença.

Apenas faça — do jeito perfeito.]

Os lábios de Kaden tremeram.

"…E como eu vou saber o que é isso?"

[Isso é com você.]

Claro. Ele devia ter adivinhado.

Mesmo assim, deu uma risada curta.

"Beleza."

Seu tom mudou. Parecia calmo, mas sua determinação ficou afiada.

"Vou cuidar disso."

E, no caminho, encontraria ela.

"Rea Thornspire, hein…"

Ele se recostou.

Por algum motivo —

Ele sentia curiosidade.

—Fim do Capítulo 27—

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