
Capítulo 28
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Finalmente chegou o momento da reunião.
Kaden estava de pé frente ao espelho, vestindo um terno preto e vermelho, bordado com o brasão de Warborn no peito.
As pessoas raramente diziam isso, mas Kaden era um homem perigosamente bonito. Seus traços eram perfeitamente simétricos. Seus cabelos escuros brilhavam como éter negro, espessos e luxuosos, caindo pouco acima dos olhos.
E seus olhos… aqueles olhos vermelhos como sangue.
Era o tipo de olhos que você nunca esquece. Como se estivesse se afogando em um mar — não de água, mas de sangue. Profundo. Assombroso. Belo de uma forma assustadora.
"Você está bonito, meu querido," a voz de Sarena soou ao entrar no quarto, seguida — é claro — por Daela.
Kaden sorriu suavemente. "Obrigada, mãe."
Ele virou-se para sua irmã, esperando nada além de uma provocação. Só queria brincar um pouco, com um sorriso convencido no rosto.
Mas então—
"Bonito," disse Daela, assentindo seriamente, com a expressão maisiedade possível.
Kaden piscou.
Sua irmã era injustamente adorável.
Quase se entregou à vontade de achatar suas bochechas, mas preferiu manter os braços presos, então se segurou.
"Obrigada, irmã. Não esperava isso de você, de verdade," disse com uma risada suave.
Porém, o que até ele mesmo não esperava — era que Sarena parecia mais chocada do que ele.
Ela conhecia bem Daela. Afinal, era sua filha. E tinha certeza — Daela nunca tinha feito um elogio para alguém nesta casa.
'Ela realmente ama o irmão…' pensou Sarena, e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.
Não havia nada mais bonito para uma mãe do que ver seus filhos se amando.
"Já estão prontos?" Sarena perguntou suavemente.
Kaden voltou o olhar para o espelho, estudando-se mais uma vez.
Depois sorriu.
"Parece que sim."
Sarena e Daela balançaram as cabeças.
Kaden tinha mudado desde que voltou de seu Desafio. Mais maduro. Mais preparado. Mais forte, sem dúvida.
Mas ele também havia descoberto partes ocultas de si mesmo.
Por exemplo — seu ego.
Kaden tinha consciência dolorosa de como era bonito. Ver-se admirando-se no espelho por muito tempo fazia você querer dar um soco bem no meio daquele rosto perfeito.
Mas nem Sarena nem Daela tiveram coragem de estragar o momento.
'Ele é meu fofinho,' pensou Sarena com carinho.
'Ele é meu fofo irmão,' Daela pensou silenciosamente, com o amor no coração tão real quanto sempre.
Eram ambos causas perdidas.
Finalmente—
"A carruagem está esperando lá fora," disse Sarena. "Vocês vão ser escoltados por guardas, mas eles vão parar na porta. Lá dentro, estarão sozinhos com os herdeiros de Cerveau e Elamin."
Ela fez uma pausa. Seu tom ficou sério.
"Você sabe qual é a ideia, né?"
Kaden assentiu, com o rosto ficando mais sério.
Ele sabia. Ela não poderia protegê-lo para sempre.
E Daela, sempre ela mesma, acrescentou apenas uma palavra:
"Cuidado."
Kaden deu um pequeno e firme aceno. "Vou me cuidar. Pode ficar tranquila."
Depois—
Ele saiu.
…
Não era só Kaden — todos os herdeiros convidados para essa reunião já estavam a caminho.
…
Rea Thornspire entrou na sua carruagem de cores diversas, com seu vestido azul de princesa arrastando atrás de si como ondas.
Os dedos brilhavam com anéis — joias de todas as formas e cores. Ao redor do pescoço, uma corrente com um safira azul reluzente repousava logo acima do coração. Ela estava radiante. Regal. Um verdadeiro símbolo de realeza ambulante.
Mas dentro da carruagem, ao se sentar e ajustar o vestido, seu entusiasmo traía sua postura composta.
"Pode partir," disse ao cocheiro com antecipação na voz.
Ele assentiu. "Sim, minha senhora!"
…
Rea Thornspire, com seus cabelos brancos e olhos rubi, não usava joias. Nem anéis. Nem colar.
Somente um vestido branco simples que combinava com seus cabelos e realçava sua beleza tranquila e silenciosa.
A expressão dela não era vazia, como a de Daela — apenas neutra. Calma. Mas seus sentimentos estavam ali, sutis e constantes.
Ela entrou na carruagem vermelha e branca com elegância, como uma rainha entrando em seu trono.
"Podemos partir agora, senhor," ela disse suavemente, com respeito.
"Sim, minha senhora!" respondeu o cochero, enquanto os cavalos avançavam em disparada.
…
Enquanto isso, Nuke Cerveau já estava no local da reunião.
Um restaurante privativo, no coração do forte — totalmente reservado para o dia. Nenhuma alma tinha permissão para se aproximar sem a sua autorização.
Ele estava sentado do lado de fora, numa grande cadeira de madeira, com as pernas cruzadas, costas relaxadas, vestindo um terno marrom sob medida que encaixava perfeitamente em seu corpo esguio.
A cabeça repousava em uma mão, enquanto a outra segurava um livro aberto. Ele lia tranquilamente. Com paciência. Como se o evento fosse uma mera ideia à parte.
Atrás dele, sua aia, Sari, permanecia completamente silenciosa.
Sem levantar os olhos, ele perguntou: "Acha que vou conseguir o que quero hoje?"
Sari não respondeu.
Como poderia? Ela nem sequer sabia o que ele desejava.
Nuke sorriu levemente. "Você nem sabe o que eu quero, né?"
Ele fechou o livro lentamente e se levantou.
"Exatamente. Meu objetivo é conseguir o que desejo… sem que ninguém saiba o que era desde o começo."
Virou-se, o olhar afiado agora.
"Dominar essa habilidade… e testá-la nesses herdeiros talentosíssimos."
"E o que você acha, Sari?" ele perguntou, os olhos ainda distantes. "Estou sendo ambicioso?"
Sari abaixou a cabeça sem hesitar. "De jeito nenhum, jovem patrão. Mesmo que o status deles seja semelhante ao seu… eles não são seus iguais. Você está acima deles."
Nuke deu uma risada breve.
Porém, não havia calor na risada.
Era vazia. Como o eco de uma peça que ele ensaiou muitas vezes demais.
"Bom, Sari," ele murmurou, ainda observando a estrada.
"Talvez seja melhor você abaixar a voz agora."
Ao longe, apareceram três carruagens se aproximando — cada vez mais próximas a cada batida do coração.
Nuke sorriu, afiado e astuto.
"Afinal… nossos convidados já chegaram."