
Capítulo 29
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
As três carruagens chegaram ao mesmo tempo — como se o próprio destino estivesse guiando a cena.
Um por um, os herdeiros saíram. Cada um diferente. Cada um marcante. A beleza foi moldada de forma única em cada um — inesquecível, singular.
Nuke ficou esperando, um sorriso gentil se estendendo pelos seus lábios. Aquele tipo de sorriso que faz você acreditar que ele era o homem mais feliz que você já tinha conhecido.
Aquele tipo de sorriso.
"Olá," disse ele, a voz suave. "Sou Nuke Cerveau, herdeiro da Família Cerveau. Aquele que convidou todos vocês para esta pequena reunião."
Ele fez uma pausa, olhos percorrendo-os como páginas de um livro.
"Meris Elamin, herdeira da família Elamin," disse Meris com naturalidade — voz tranquila, olhos frios. Mas aqueles olhos continuavam a mudar de foco, fixos em uma pessoa.
Kaden.
'Aqueles olhos…' O coração dela pulou. Vermelho como sangue, profundos e assombrosos. Estonteantes de um modo que só algo violento poderia ser.
Belo do mesmo jeito que o sangue é bonito quando escorre quente pela pele.
Bom pra caramba, na verdade.
"Rea Thornspire, herdeira da família Thornspire. É um prazer," disse Rea a seguir — educada, composta, precisa.
Mas por trás da sua voz calma, seu olhar também estava fixo em Kaden.
Não por fascínio. Nem por atração.
Era choque.
O rosto dela permanecia tranquilo por fora, mas a mente não.
Então chegou a vez de Kaden.
E aqui está o detalhe —
"Kaden Warborn. Filho mais novo da Família Warborn," ele disse, voz baixa, mas firme.
Ele não era o herdeiro.
Kaden era apenas o caçula mimado dos Warborns.
Mas isso significava que ele ficava abaixo dos demais?
De jeito nenhum.
Ele sorriu suavemente e acrescentou: "Também conhecido como a Criança do Sangue."
E ao dizer isso, seus olhos vermelhos brilharam — como se o nome despertasse algo selvagem dentro dele.
Meris ficou presa.
Não conseguiu parar de encará-lo.
Não conseguiu desviar o olhar.
'Ele... ele é realmente bonito,' pensou, a boca se contorcendo de interesse.
Nuke assistia tudo acontecer, com olhos afiados demais para alguém tão jovem.
Ele percebeu a curiosidade de Meris. O sobressalto interior de Rea. A tensão sob suas expressões congeladas.
Viu como Meris se comportava — como se entusiasmo fosse a única coisa que valesse a pena perseguir, e tudo o mais fosse barulho.
Rea se movia como água parada. Silenciosa. Controlada. Calculista.
E Kaden?
'Justamente como imaginei,' Nuke refletiu, sorrindo calorosamente enquanto seus pensamentos se tornavam mais frios.
"Por favor," disse ele, indicando as portas. "Sigam-me. Vamos continuar lá dentro."
Sentaram-se ao redor de uma mesa redonda. Comida já servida — vapor subindo, cheiro tão intenso que faria um faminto chorar.
Mas ninguém se importava com a comida.
Nuke não falou. Não tentou fazer a gentileza de anfitrião. Apenas observou.
Que péssimo anfitrião.
Mas Meris não se importou. Ela se inclinou para frente e falou com Kaden como se fossem velhos amigos.
E Rea?
Rea estava gritando por dentro.
Pela habilidade de origem dela, aquela que permitia ver o medo.
Ela não conseguia ler Nuke. Não podia ler Meris. Algo bloqueava sua leitura.
'Artefatos,' pensou friamente. 'Claro. Então eles sabem sobre minha origem…'
Mas Kaden?
Kaden não carregava nada que a bloqueasse.
Nem encantamentos. Nem relíquias. Nem amuletos.
Talvez fosse arrogância — aquela típica dos Warborn, que transbordava em tudo que faziam.
Ou talvez… talvez fosse por ela ser noiva dele.
Mesmo assim. Se ele não escondia seus medos —
Por que ela não podia ver nada?
Nada mesmo.
Nem medo de morrer.
Nem medo de fracassar.
Os dois medos mais comuns, ela via em todos.
Ela tinha certeza de que até Nuke e Meris os tinham.
Mas Kaden?
Só uma coisa surgia.
O medo de ser repreendido pela mãe.
Talvez levar umas bofetadas da irmã.
Era isso.
'Como é possível…?' O coração dela acelerou no peito.
'Medos tão… comuns? De alguém como a Criança do Sangue?'
Não fazia sentido.
E, mesmo assim… ela achava fascinante.
"Qual é a sua origem?" perguntou Meris de repente, os olhos prateados brilhando. Ela se inclinou mais perto, a voz brincalhona.
A pergunta cortou a sala como um chicote.
Rea congelou. Até Kaden piscou surpreso.
Esse não era o tipo de pergunta que se fazia a um estranho.
"Você realmente quer saber?" perguntou Kaden, a voz calma, mas sem toda a intimidade que usava com a família.
Isso não era mais o irmão mais novo.
Era a Criança do Sangue.
Meris nem se mexeu, seu sorriso ficou ainda mais brincalhão: "Sim, claro."
Kaden inclinou a cabeça, depois virou lentamente — deliberadamente — em direção a Rea.
Os olhos deles se encontraram pela primeira vez.
Um rubi-encarnado e um sangue-encarnado.
E assim, Nuke percebeu algo.
E Kaden provou estar certo.
"O que acha, Rea?" perguntou ele, com um sorriso suave ainda no rosto. "Devo contar a ela?"
Como se fossem velhos amigos.
Como se essa não fosse a primeira reunião deles.
Sem hesitar. Sem vergonha.
Rea piscou.
Ela devia estar desconcertada. E estava — só um pouco.
Mas, em vez de se afastar… ela foi se aprofundando.
Sorriu.
Depois virou-se para Meris.
"Senhora Meris, acho que não é de bom tom perguntar a origem de alguém logo na primeira vez que se encontram."
Meris inclinou a cabeça, irritada, prestes a retrucar —
Mas Nuke, que vinha comendo com calma, finalmente falou.
"Parece que vocês se conhecem," disse.
Rea respondeu na hora.
"Sim. Estamos noivos."
Silêncio.
Então Nuke olhou para cima, olhos oscilando entre os dois.
Ele ficou surpreso.
Genuinamente surpreso.
Porque nem mesmo a própria família dele sabia disso.
E a família dele tinha espiões por toda parte.
'Isso… isso é interessante,' pensou, olhos brilhando por trás do sorriso treinado.
Porque esse era o objetivo de toda aquela reunião.
Não alianças. Não paz. Nem amizade.
Observação.
Para perceber como eles se movem.
Com quem eles se aproximam.
Como respondem quando provocados.
Ele ainda não tinha visto o último.
Mas veria… em breve.
Ele sorriu novamente, com aquele mesmo sorriso inocente.
Aquele que sussurrava que não podia ferir uma mosca.
Mas então—
"A célebre Criança do Sangue," ele disse suavemente, "da ilustre família Warborn… noiva de uma casa caída?"
Sarcástico, ele sorriu de canto.
Olhos frios sob a máscara.
"Que… curioso."
—Fim do Capítulo 29—