
Capítulo 21
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden jazia no chão, destruído.
Seu corpo doía de formas que ele nunca tinha experimentado antes. Cada nervo parecia ter sido incendiado e torcido por horas. A dor não era apenas física — penetrava até os ossos, a alma, a mente.
Ele já tinha morrido várias vezes antes. Mas aquelas mortes eram rápidas — fins limpos, espasmos súbitos de agonia que desapareciam na escuridão. Isto?
Isto não era morte.
Isto era o inferno.
'Porra…' Kaden cerrava os dentes, fazendo tudo ao seu alcance para não perder a consciência. Mas era uma batalha que ele lentamente estava perdendo. Sua mente começava a rachaduras na borda, seus pensamentos se confundiam na dor.
'Coloca quinze em Constituição… metade em Vontade… agora!' ele berrou dentro da cabeça, comandando a própria Morte para distribuir seus pontos de atributo recém-conquistados.
[PRONTO! Confirmado.]
Imediatamente, algo mudou.
O sangramento desacelerou. A agonia diminuir, o suficiente para que seu cérebro começasse a funcionar de novo. Sua visão se estabilizou. Sua respiração deixou de sair em suspiros entrecortados.
Ainda doía — como o inferno — mas ele não estava mais morrendo. Pelo menos, não ainda.
"Muito interessante," veio a voz de Nocthar.
Kaden abriu os olhos — quase imperceptivelmente — e viu-o pela primeira vez em pé. Não uma sombra, nem uma ilusão. Real. Sólido. Impossivelmente alto.
Um piscar de olhos, e ele estava na frente de Kaden, de pé como se tivesse estado ali o tempo todo.
"Mesmo fraco… sobreviver a um de meus ataques como um simples Despertado," disse Nocthar, estudando-o como uma espécie rara. "Não é uma façanha pequena."
Ele falava sério.
Nocthar tinha visto talento antes. Mas talento sem perseverança era inútil. Kaden tinha ambos — e mais alguma coisa. Ele podia perceber… escondido sob sangue e hematomas. Os sinais eram tênues, mas estavam lá.
Era disso que ela se importaria.
Nocthar abaixou a mão, apoiando delicadamente a palma no peito de Kaden. Seus olhos se estreitaram, e uma leve carranca cruzou seu rosto.
'Está ali. Incompleto… mas presente.'
Uma pausa.
Então ele sorriu com um sorriso maroto.
'É o destino?'
Ele tomou uma decisão.
Uma pulsação sutil de poder passou dos dedos de Nocthar para o corpo machucado de Kaden. Instantaneamente, o sangue mudou de direção, voltando às veias. A carne começou a cicatrizar. Os músculos se uniram. Os ossos clicaram e se reconstituíram. Seu braço esquerdo — completamente destruído — cresceu de novo bem diante de seus olhos.
Em segundos, Kaden parecia… inteiro novamente. Sem sangue. Sem feridas. Parecia que a batalha nunca tinha acontecido — exceto pelas roupas rasgadas, o único vestígio de que fora destruído, despedaçado e quase morto.
Kaden se levantou lentamente, respirando fundo. Abaixou a cabeça em um suspiro, ainda sentindo dores fantasmagóricas, mas ao menos podia respirar de novo. Seus olhos encontraram os de Nocthar, que o olhava com um brilho estranho.
Uma inquietação despertou dentro dele.
"Sou homem de palavra," disse Nocthar. "Você levou um golpe meu e sobreviveu. Então, vou cumprir minha promessa."
Ele estendeu uma pequena ampola. Dentro, uma substância espessa, preta, cintilante — como uma noite derretida. Pulsava com poder. Perigosa. Viva.
Kaden entreteve um olhar intimidado. "…O que é isso?"
Nocthar sorriu, aquele sorriso brincalhão e malicioso retornando à sua expressão.
"Você teve sorte, moleque. Para pôr isso para dentro no Fokay, teria que rastejar por dores piores do que as que acabou de passar. Então, seja grato."
Ele soava como um comerciante tentando vender algo amaldiçoado. Kaden não confiava.
Ele fixou o olhar na ampola, depois nos olhos negros como aonde de Nocthar.
Ele sabia.
Negar não era uma opção.
'Porra, isso...' suspirou. A fraqueza era, de fato, um pecado.
"…Obrigado," murmurou, resignado, enquanto pegava a ampola na mão de Nocthar.
"Perfeito!" exclamou Nocthar, radiante. "Beba agora. Você seria caçado só por carregá-la. E eu odiaria perder um sangue tão precioso numa emboscada idiota."
Raciocínio altamente questionável. Mas Kaden não argumentou.
'Qual é o pior que pode acontecer?' pensou. 'Morrer? Ah, dane-se.'
GULP—
A substância queimou.
Instantaneamente.
"Porra — de novo!" gritou Kaden ao colapsar, seu corpo convulsionando.
Vapor saiu de seus poros. Seu sangue fervia. Ele se debateu violentamente, a dor pior do que o golpe anterior. As veias ficaram negras. A pele rachou. A boca começou a salivar vermelho. Sangue saía dos olhos, ouvidos, nariz — tudo tingido por linhas de trevas.
Duranou cinco minutos eternos.
Então — silêncio repentino.
A dor desapareceu. Assim, como se nunca tivesse existido.
Kaden ficou ali, tremendo, com a respiração ofegante. Olhou para o teto da masmorra, o peito subindo e descendo como se tivesse atravessado o inferno em pessoa.
Ele tinha acabado. Cansado de ser manipulado. Cansado de ser um peão.
Cansado da fraqueza.
O pensamento se aprofundou dentro dele.
Nunca mais.
Ele cerrava os punhos.
[PRONTO!]
[Você ganhou uma Traço ao consumir o sangue de *****.]
[Traço: Sangue Corrosivo]
Os olhos de Kaden se abriram de repente. 'Um traço novo?'
Ele se endireitou, surpreso, apesar de tudo. Isso foi… inesperado.
"Ah? Parece que percebeu a mudança," disse Nocthar com uma risada seca.
"Agora que recebeu sua recompensa… pode voltar."
Kaden pisou, piscando. "Espera — e o calabouço? Me disseram para limpá-lo. Não posso voltar sem completar a provação."
"Este calabouço deixará de existir assim que você sair," respondeu Nocthar. "Você completou o que precisava."
Kaden abriu a boca, depois fechou. A lógica era confusa, mas ele já tinha sobrevivido a coisas piores. Não ia discutir.
"Agora vá," disse Nocthar, com a voz mais cortante. "Antes que eu mude de ideia e deixe que esse entretenimento bom demais vá embora."
Kaden não esperou.
Virou na direção do portão. Seus passos eram pesados, mas carregavam propósito.
E justo antes de desaparecer —
"Porra, Nocthar!" sua voz ecoou pela câmara.
Nocthar piscou. Depois, os lábios se contorceram, formando uma ponta de sorriso.
Ele riu.
"Que criança ousada."
Sua risada morreu enquanto ele virou o olhar para a poça de sangue corrompido que Kaden tinha deixado para trás durante a transformação.
O sorriso desapareceu. Sua expressão escureceu.
Ele o encarou.
Silêncio.
Depois sussurrou para ninguém além da própria masmorra —
"Espero… que você consiga se reconstruir completamente."
—Fim do Capítulo 21—