
Capítulo 12
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden ainda não se moveu. Seus olhos vermelhos fixaram-se nas quatro criaturas monstruosas à sua frente, imóveis e inabaláveis.
A morte queria que ele lutasse.
Então ele lutaria.
Mas lançar-se de cabeça seria loucura, e ele não era idiota.
Ao invés disso, ele esperou—silencioso, imóvel, observando com uma concentração predatória. O que precisava era simples:
Um primeiro ataque perfeito para ganhar vantagem.
E, por acaso…
'É exatamente nisso que sou bom.'
Logo, seu olhar aguçado percebeu um dos lobos recuando dos outros, arrastando seu focinho ensanguentado para longe do cadáver do veado. Ele se deslocou até um canto sombreado, jogando-se preguiçosamente ao chão—cheio demais para se preocupar em manter a guarda.
Oportunidade.
Kaden imediatamente se moveu.
Cada passo era calculado, lento e silencioso. Sentidos ao máximo, tudo à flor da pele.
Ele alcançou um alcance seguro, escondido atrás de raízes espessas e arbustos. A respiração do lobo estava firme, os olhos semicerrados.
Kaden fechou os olhos por um breve instante.
Ajustou sua postura.
Então—seus olhos se abriram de repente.
RAKETADA—!
Um arco vermelho surgiu de Reditha, cortando o ar com um whistling. Rasgou a garganta do lobo.
"GRAAARRR—!"
A fera gritou de dor enquanto sangue jorrava de sua garganta. Os outros três lobos puxaram suas cabeças na direção do grito, os olhos inflamados.
Kaden não esperou. Assim que atacou, já estava em movimento.
Num piscar, alcançou o lobo atordoado e cravou Reditha profundamente na garganta dele.
"GRAAARR—!"
A fera se debatia loucamente. Kaden cerrou os dentes.
"Morre logo!"
Com uma força súbita, torceu a lâmina—
TRINC—!
O pescoço do animal se quebrou.
O lobo desmoronou em uma bola de pelos e sangue.
No instante em que morreu, Reditha pulsou—absorvendo cada gota de sangue. O que restou foi apenas carne seca e enrijecida.
[PING! Sua habilidade Reservatório de Sangue foi ativada.]
[30 litros de sangue armazenados.]
Kaden nem teve tempo de ler as notificações completas, pois vinha uma videira verde-jade surgindo do chão, enrolando seus membros como cobras.
"Merda—!"
Ele havia baixado a guarda por causa da Morte. E a distração lhe custou caro.
Os lobos atacaram em massa, olhos enlouquecidos, presas à mostra.
"AAWWWWOOO!!!"
"GRRRR—!!"
Eles estavam sobre ele em segundos.
"Droga—!"
"Muralha de Sangue!!"
Uma espessa parede de sangue surgiu de Reditha, bloqueando o impacto poucos momentos antes do golpe.
CLINK! CLINK! CLINK!
As presas deles chocaram-se contra ela.
Kaden não perdeu a chance.
"Faca de Sangue."
Uma lâmina carmim se formou na mão dele, cortando as vinhas com um movimento rápido. Ele quebrou a prisão e recuou, buscando distância.
Sua respiração acelerada.
Estava cercado por três lobos no nível despertado — e ele próprio era despertado.
E essa era a sua primeira batalha de verdade.
'Como isso é justo?' pensou amargamente, o coração batendo forte como um tambor de guerra.
Mas justiça não tinha lugar neste mundo.
Então, ao invés de reclamar—
'Como matá-los de forma eficiente?'
Ele se preparou. Sua mente acelerou, procurando uma estratégia eficaz, mas—
BOOM—!
Todos os três lobos avançaram ao mesmo tempo, os olhos sedentos por sangue.
Kaden mal conseguiu levantar Reditha a tempo—
CLANK—!
RIP—!
"ARGH—!!"
Os dentes rasgaram seu corpo. Dois lobos conseguiram passar.
Sangue jorrou do lado dele.
Kaden tentou cortar de forma descontrolada, empurrando-os para trás e se impulsionando para longe—
BOOM!
Mas ele caiu com força no chão.
Gargalhou de dor. Sua visão ficou turva. Seus membros pesados.
E então—ele viu.
Sua perna esquerda, novamente amarrada por vinhas.
"Droga," resmungou.
A perda de sangue o atingia. Sua cabeça girava. O corpo implorava para desistir.
E por um momento… o pensamento entrou em sua mente.
'É só desistir.'
'Usar seus Pontos de Morte. Voltar. Tentar novamente… depois.'
'Seria mais fácil.'
'Mais seguro.'
'Não é isso que você queria, Morte? Que eu experimentasse a morte?'
Ele permaneceu ali deitado. Indefeso. Os lobos se aproximavam lentamente agora—saboreando o momento.
Saliva escorria de suas bocas. Seus rosnados retumbavam como trovão.
O coração dele pulsava forte nos ouvidos. As mãos cerradas.
'É isso mesmo?'
Esse era o limite de sua vontade?
'Sou realmente tão fraco? Escolho a morte só porque ela é difícil?'
Seus olhos ficaram embaçados—mas não de sangue. De raiva.
Ele cerrou os dentes.
"Não."
Ele não iria morrer.
Não de novo. Não assim.
Não por fugir da dor. Não por escapar do fracasso.
Ele não queria sentir aquilo novamente—o arrependimento de morrer sem fazer nada que realmente importasse.
O arrependimento de morrer como um covarde.
"Eu não vou morrer. Não vou aceitar."
Os lobos saltaram.
Os olhos vermelhos de Kaden brilharam como brasas ardentes.
"Reditha."
Sua voz era gelo.
A espada pulsou em resposta.
"Liberte toda a sangue."
O ar ficou espesso ao redor, enquanto o líquido carmesim se espalhava em espiral, como uma onda viva.
"E—"
Estavam a poucos centímetros de distância.
"Exploda."
Um instante de silêncio—
Então—
BUMMMM!!!
A explosão rasgou a clareira, uma tempestade violenta de sangue e fogo.
"GRAAA—!!"
"OWOOOOOOL—!!"
Gritos de agonia encheram o ar enquanto as bestas lutavam, consumidas por um fogo que as abraçava como vingança.
Kaden se levantou.
Tremendo. Sangrando. Quase de pé.
Porém vivo.
Ele havia se protegido atrás de uma parede menor—suficiente para sobreviver à explosão.
Avançou, assumindo sua postura.
Cada movimento lento, mas firme.
Depois—três cortes.
Eles foram rápidos, precisos e mortais. Cada golpe refletia meses de prática sanguinolenta.
BOUM—!
As lobos caíram, com suas cabeças abertas na altura do pescoço.
Reditha murmurou enquanto suas sangue era devorado.
[PING! Você recebeu 90 litros de sangue.]
[PING! Missão concluída.]
[Recompensas: 400 Pontos de Morte, 30 Pontos de Atributo.]
Kaden caiu de joelhos.
A visão turvou, os pulmões ardiam. O corpo clamava por descanso—
"AAWWOOOO—!"
Seus olhos se abriram de repente.
Ele amaldiçoou baixinho. "Fui muito alto…"
Mais inimigos estavam vindo.
Ele não poderia ficar ali.
"Morte. Distribua 15 pontos para Agilidade e 15 para Constituição."
O mundo se ajustou.
Seus músculos se tensionaram. O fluxo de sangue estabilizou. E sua dor diminuiu.
Ele se levantou.
Pôs os punhos cerrados.
Olhos frios.
E, sem dizer uma palavra—
BUM!
Desapareceu na floresta, numa rajada de luz vermelha.
Logo atrás dele, restaram apenas poeira e os corpos encolhidos de suas primeiras vítimas.
—FIM DO CAPÍTULO 12—