Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 11

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Clack. Clack. Clack.

O som das cascos ecoava firme enquanto uma carruagem preta descia uma estrada de pedra. Duas feras enormes a puxavam — ambos os animais totalmente negros, com olhos vermelhos que brilhavam. O brasão dos Warborns estava gravado na lateral da carruagem, frio e orgulhoso.

Dentro, Kaden permanecia em silêncio.

Sua queixo descansava levemente no punho de Reditha, enquanto o peso da jornada à frente pressionava seus ombros. Estava a caminho de deixar a Fortaleza — pela primeira vez nesta nova vida — e, além disso, iria caminhar sozinho.

E do lado oposto a ele, havia alguém inesperado.

"Por que você veio aqui se nem chega a olhar pra mim? Muito menos conversar?" perguntou Kaden, irritado.

Sua irmã, Daela, estava com os braços cruzados, o olhar fixo na janela, expressão difícil de interpretar. Ela não respondeu. Não mexeu uma sobrancelha.

Kaden suspirou e desanimou.

Já estava ansioso — essa era a primeira vez fora dos muros da Fortaleza desde seu renascimento. E ele estaria sozinho. Completely alone.

Negar que não tinha medo seria mentira.

Ele precisava de alguém. Apenas alguém que o reconhecesse. Que dissesse algo. Mas, ao invés disso, ficou com Daela. Fria e distante.

Ele suspirou novamente, mais pesado.

O que ele não percebia… era que Daela estava silenciosamente entrando em pânico.

Na mente de Daela

'O que eu digo?'

'Devo dar um conselho? Algumas palavras gentis?'

'Devo abraçá-lo? Não — isso é muito íntimo.'

'Quem sabe um aperto de mão? Não — isso é frio demais.'

'Ai, meu Deus, é meu irmão. Um abraço não é tão íntimo… certo?'

Ela não tinha se preparado para isso. Seus pais não tinham contado a ninguém que Kaden iria partir tão cedo. Ela nem teve tempo de pensar no que dizer.

Eu não preparei nada!

Ela praticamente entrou em pânico por dentro, mas por fora permaneceu impassível, assistindo ao vazio borrado de árvores e construções lá fora.

A viagem continuou em silêncio, a atmosfera pesada de constrangimento.

Eventualmente, Kaden desistiu totalmente da irmã. Aperta Reditha contra o peito — era a única coisa que ainda lhe oferecia algum calor agora.

Logo, a carruagem parou.

Fora da Fortaleza, um vasto mar de verde se estendia sem fim. Árvores imensas, vegetação densa, a selvageria do mundo.

Kaden desceu. Atrás dele, Daela seguiu, ainda silenciosa.

Ele vestia uma túnica de treino preta simples, com o brasão dos Warborns no peito. Sobre o ombro, carregava uma pequena mochila — contendo apenas comida e água suficiente para uma semana. Nada mais.

Reditha pendia ao seu lado.

Depois de conferir tudo mais uma vez, virou-se para partir.

"Estou indo," disse de forma seca, sem esperar resposta.

Ele deu um passo. Depois outro.

Mas justo antes do terceiro —

"Tenha cuidado."

Uma voz, suave e clara, quebrou o silêncio.

Kaden parou.

"Não morra," disse Daela, com os olhos vermelhos brilhando com uma intensidade feroz.

E então —

"Falou sério. Não morra. Ou eu vou te encontrar, te reanimar… e depois te matar pessoalmente."

Seu tom era sério. Muito sério.

Kaden a olhou fixamente e, por um instante… acreditou que ela faria exatamente isso.

Um sorriso pequeno e torto se formou nos lábios dele.

Ele virou as costas, continue seu caminho, mas sua voz ficou no ar, enquanto se afastava —

"Eu não vou morrer. Afinal… a morte é minha amiga."

Daela ficou ali, mais uma vez silenciosa, observando suas costas desaparecendo na floresta.

"Espero que seja verdade… irmãozinho," ela sussurrou, com os punhos cerrados de forma tensa ao lado do corpo.

Depois — Fundo na Floresta

Kaden estava agachado no alto de uma árvore, em um galho firme. Na mão, tinha um mapa amassado — seu único guia.

"Hm. A masmorra fica na parte norte da floresta," murmurou. "Essa região é conhecida por ser território de Lobos da Floresta."

Ele tentou lembrar do bestiário escasso que havia lido na Fortaleza.

"A maior parte deles é de nível Despertado como eu… mas alguns podem ser de nível Intermediário."

Isso não era encorajador.

Ele precisava preservar sua força para a masmorra. Esse era seu objetivo. Então, o plano era: furtividade e evasão até chegar lá.

Esse era o plano.

Até que —

DING!

Kaden se assustou levemente.

Seu olho piscou.

[Você recebeu uma Missão.]

[Missão: Primeiro Sangue]

[Dificuldade: Variável]

[Descrição:]

Você é uma criança de guerra. Uma criança de sangue. E você prefere furtividade à batalha?

Inaceitável.

Mostre do que o Filho do Sangue é capaz. Faça sua primeira mata. Derrame seu primeiro sangue.

Objetivo: Matar pelo menos 3 Lobos da Floresta.

[Recompensa:] Depende do desempenho.

[Penalidade:] -100 Moedas de Morte

[Prazo:] 3 horas

Kaden exalou fundo.

Ele queria guardar sua força. Manter sua energia para a luta real.

Mas, como sempre… foi impedido.

"Querem que eu morra, não é?" murmurou.

[Sim.]

[E você deveria querer o mesmo. A morte é o caminho ideal para seu crescimento.]

Ele não respondeu.

Não porque discordasse.

Mas porque ainda não estava pronto…

Para morrer de novo.

Sem dizer mais nada, Kaden saltou silenciosamente da árvore, aterrissando agachado. Reditha foi desembainhada num movimento só, sua lâmina vibrando suavemente.

Ele se moveu com cautela — cada passo calculado, todos os sentidos aguçados. A floresta sussurrava ao redor dele, mas ele ignorou o vento, os insetos, os pássaros.

Ele estava em caçada.

E então — finalmente —, depois de quase uma hora de busca, os encontrou.

Uma clareira pequena. Quatro grandes lobos, com pelagem esverdeada e desgrenhada, sangue escorrendo de suas mandíbulas enquanto devoravam um cervo recém-morto.

Eles eram enormes. Seus músculos se contorciam sob o pelo. As presas longas, os olhos selvagens de fome.

Todos eles de nível Despertado.

Kaden agachou-se atrás de uma raiz densa, com Reditha firmemente na mão.

Ele respirou lentamente.

'Vamos fazer isso.'

—Fim do Capítulo 11—

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