Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 10

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden estava deitado em sua cama, o olhar fixo no teto liso e preto de seu aposento.

Ele acabara de retornar de uma reunião com seus pais.

"O Desafio dos Guerreiros Originários, hein..."

Ele murmurou as palavras baixinho, ainda absorvendo o peso delas.

O Desafio dos Guerreiros Originários — uma série de provas designadas pelo patriarca da família a todos os jovens assim que despertam seu Origem.

Em uma família como a dele, onde lutar era uma forma de vida, seu caminho era traçado no momento em que despertava. Seu valor era avaliado pelo combate. E, uma vez recebido o primeiro desafio...

não havia mais volta.

Você o enfrenta — ou morre tentando.

Essa era a crença dos Warborns.

Para eles, a morte não era uma tragédia. Era um rito. Se você não estivesse disposto a encarar a morte, não tinha direito de reivindicar a vida dos inimigos.

Não havia meio-termo.

Nem concessões.

E essa crença… tinha que ser gravada profundamente em cada Guerreiro Desperto.

"Insano," murmurou Kaden, sentando-se na beirada da cama, com as mãos entrelaçadas sob o queixo. "Que tipo de prova é essa para alguém que acabou de despertar?"

A prova dele parecia simples.

Destravar uma masmorra.

Mas a realidade era bem diferente.

A masmorra ficava no interior de uma região selvagem. O que significava que ele teria que lutar contra as bestas ao redor da entrada, só para chegar ao interior.

E dentro?

Pelo menos cem monstros — além de uma criatura de nível chefe no final.

E tudo isso esperado de alguém que despertou há apenas três meses. Alguém que ainda nem havia usado sua primeira habilidade.

"Essa família é realmente louca. Nem me deram informações sobre a masmorra."

Mas, para os Warborns, isso seria uma vantagem.

E vantagens não eram permitidas.

Garros, seu pai, queria que ele fosse na surdina.

Para se adaptar, sobreviver. Aprender através da dor e do sangue.

A única misericórdia nisso tudo?

Sem limite de tempo.

…Ou pelo menos, era o que ele achava.

O olhar de Kaden se intensificou ao abrir a interface do sistema.

DING!

[Você recebeu uma Missão.]

[Missão: Primeiro Desafio dos Warborns]

[Dificuldade: Difícil]

[Descrição:]

Como herdeiro dos Warborns, é seu dever liderar pelo exemplo. Prove o valor do seu sangue. Complete o desafio com.glória — e mostre ao mundo do que o Filho do Sangue é capaz.

[Recompensa:] Depende do desempenho.

[Penalidade:] -300 Moedas da Morte, -100 Pontos de Atributo

[Prazo:] 1 mês

Kaden fez cara feia.

"Por que um prazo? Nem meus pais me deram um!"

O sistema respondeu, tão frio quanto sempre.

[Eu não sou seus pais.]

Kaden torceu os lábios.

Claro. A morte era tão teimosa como sempre.

Mas não adiantava discutir. Ele tinha coisas mais importantes para fazer.

"Morte. É hora de distribuir meus pontos de atributo."

Partiria amanhã.

Sozinho.

Tudo que tinha era um mapa para guiá-lo pela selva. Sem equipe. Sem apoio. Sem atrasos.

Precisava estar na sua melhor forma possível.

Ele havia acumulado 30 pontos de atributos.

"Distribuir 10 pontos em Agilidade. Os restantes, 5 em Força, Constituição, Mana e Inteligência."

Agilidade vinha primeiro. Na natureza selvagem, velocidade significava sobrevivência. O restante? Uma proteção contra o desconhecido.

DING!

[Confirmado.]

Uma onda de calor percorreu seu corpo.

Seus músculos gritaram, mudaram, ficaram mais fortes. Suas pernas — desde os posteriores até os quadris e panturrilhas — ficaram mais densas, mais duras que pedra, mas flexíveis como água fluente.

Seu reservatório de mana expandiu — não só em volume, mas em pureza. Agora pulsava com uma energia mais pesada, mais rica e refinada.

Kaden fechou os olhos e sentiu a transformação.

Isso — isso era o que ele mais amava.

A sensação de ficar mais forte. De evoluir.

Não era uma sensação vaga de crescimento — era real. Física. Inquestionável.

Podia ver no corpo, sentir nos ossos.

Stats Atualizados:

• Força: 25 → 30

• Agilidade: 20 → 30

• Constituição: 30 → 35

• Mana: 20 → 25

• Inteligência: 16 → 21

• Vontade: 8

Ele observou seus novos atributos, um sorriso sincero se formando em seu rosto.

Mas então —

uma ideia surgiu.

"Existe um limite para quanto posso aumentar meus atributos?"

"Quer dizer… se continuar assim, posso ficar mais forte sem nem precisar fazer as missões de evolução."

[Não existe um limite absoluto.]

[Mas, se quiser uma referência: o teto teórico para um Desperto é de 200 pontos por atributo.]

Kaden levantou uma sobrancelha.

"Como eles chegam a isso? Só treinando?"

[Treinamento, sim. Mas também consumindo Núcleos de Besta para saturar sua Origem.]

[Porém, poucos realmente atingem o máximo. Menos de 1% dos Despertos chegam ao limite de atributos.]

[A maioria para de evoluir depois que seus Núcleos estão saturados.]

Kaden assentiu lentamente.

"Então eu tenho uma vantagem. Ao contrário deles, posso fazer missões — e ganhar pontos de atributos grátis para distribuir."

[Correto.]

Depois, silêncio se instaurou.

Então, uma risada suave escapou dele.

"Uma vantagem, hein?"

Ele não pôde evitar. Porque, na verdade, não acreditava que alguém como ele pudesse ter uma vantagem.

Nem em sua vida passada.

Mas agora…

Agora ele tinha algo que poderia colocá-lo entre aquele seleto 1% do mundo.

O olhar de Kaden se intensificou — suas íris brilhando em um vermelho profundo e sanguíneo.

"E eu seria um tolo se não usasse isso ao máximo."

Enquanto falava, Reditha, deitada ao seu lado, pulsava em sintonia — sua lâmina brilhando com o mesmo tom vermelho.

Um reflexo perfeito.

Um guerreiro e sua espada.

Um duo mortal e belo.

—Fim do Capítulo 10—

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