Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 9

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Três meses depois—

O tempo passou num borrão de esforço e disciplina.

Por três meses inteiros, Kaden não deixou de treinar sequer um dia. Nem um.

Todo manhã começava do mesmo jeito—treinamento do corpo, espada na mão, respiração firme, Reditha ao seu lado.

Com o tempo, a ligação deles cresceu—se aprofundou. Ela não se sentia mais apenas uma arma. Estava ali, com ele, a cada puxada, a cada gota de suor.

Agora—

Kaden estava sozinho no campo de treino particular que havia pedido aos pais. Sem distrações. Sem observadores. Apenas silêncio e aço.

Postura firme. Ambas as mãos segurando Reditha com força. Sua respiração acompanhava cada movimento.

CORTE—!

"997."

CORTE—!

"998."

Seus olhos fixos. Sua postura, impecável.

Seu corpo brilhava de suor.

CORTE—!

"999."

Ele parou—por apenas um segundo—depois respirou fundo.

Seus músculos se tensionaram. Sua pegada se firmou. Reditha iluminou-se com uma luz vermelha.

FSHHHHOOHH—!

Um arco cintilante de luz carmesim rasgou o ar, assustadoramente belo e afiado o suficiente para cortar uma rocha dura.

"1000."

TING!

[Missão concluída.]

[Recompensas: 100 Moedas da Morte. 15 Pontos de Atributo.]

Kaden deixou o momento descansar, então exalou lentamente.

"Muito bem, Reditha," sussurrou.

A espada vibrava com uma energia tênue—respondendo com uma alegria silenciosa ao seu elogio.

Kaden sorriu enquanto seus pensamentos vagueavam.

Três meses. Só treinou—corpo e lâmina. Embora tudo o que praticou com a espada fosse um só movimento, tinha sido suficiente.

Repetição. Perfeição. Disciplina.

Agora, ele fazia aquele único movimento, aquele golpe, tão facilmente quanto respirar.

"Já avancei bastante," murmurou. "Mostre-me meu perfil, Morte."


<<<<< PERFIL >>>>>

Nome: Kaden Warborn

Idade: 10 anos

Rank: Despertado

Origem: Rei da Espada Sangrenta[1] (Lendário)

Título: Filho do Sangue

FOR: 8 → 25

AGI: 8 → 20

CON: 8 → 30

MP: 5 → 20

INT: 10 → 16

VON: 8

Pontos de Atributo Disponíveis: 30

Fragmentos: Nenhum

Missões em Andamento: Nenhuma

Moedas da Morte: 350


Habilidade – Despertado: Reservatório de Sangue

A cada vitória, o combate armazena sangue em um reservatório interno. Esse sangue pode ser usado como combustível—para formar armas, aumentar habilidades ou recuperar-se rapidamente.


Kaden analisou as estatísticas com orgulho.

Ele equilibrara seu crescimento em tudo, mas deu prioridade à Constituição—e isso ficou evidente.

Seu corpo agora rivalizava com o de seus irmãos. Pela primeira vez, não se sentia mais o mais fraco.

"Realmente preciso de pelo menos 30 pontos em Constituição para ficar ao lado deles," murmurou.

Agora tudo fazia sentido.

Ele não só tinha sido subestimado antes—como merecera esse julgamento. Era realmente fraco fisicamente.

Ele franziu a testa ao reparar em um número, porém.

VON: 8

Não havia mudado.

"Morte… Quando poderei elevá-la?"

[Você já perguntou isso antes, Host. A resposta continua a mesma.]

Ele suspirou.

"Quando eu deixar ir, hein?"

Poderia se perder naquele pensamento—

Batida na porta.

Sua empregada, Sabine, entrou. Elegante como sempre, movendo-se como seda fluida, fez uma reverência graciosa diante dele.

"Jovem Mestre, desculpe a interrupção. Seus pais estão chamando por você."

Kaden assentiu. "Estarei lá em breve."

Sabine curvou-se novamente e virou-se para sair.

Enquanto se distanciava, olhou para trás—pensativa.

Em três meses, seu Jovem Mestre havia mudado além do que ela imaginava. A doçura da juventude ainda não desaparecera, afinal—ele ainda era uma criança—mas algo dentro dele cristalizou. Endureceu.

Ele treinava com a mesma paixão da irmã, Daela—e nessa família, isso significava algo.

Sabine sorriu suavemente para si mesma.

Gosto dessa versão do Jovem Mestre.

Em outro lugar – Salão de Reuniões dos Warborns

O décor refletia o legado familiar—paredes pretas e vermelho-sangue, pisos de pedra escura e um teto ostentando o brasão da família: duas espadas negras cruzadas sobre uma poça de sangue.

Era sombrio. Elegante. Terrível.

Sarena e Garros sentaram-se em silêncio.

Garros lançou um olhar para sua esposa, notando a carranca em seu rosto.

"Ainda está hesitando?" ele perguntou.

Sarena demorou a responder.

Garros suspirou. "Você protegeu ele quando era fraco. Respeitei isso. Mas não mais."

Sua voz abaixou, com autoridade.

"Ele despertou, sua Origem é poderosa. Agora, ele precisa honrar nosso nome, Sarena."

"Não estou dizendo que ele não deva," finalmente disse Sarena, "só que é cedo. Deixe-o treinar mais um pouco. Está evoluindo mais rápido do que esperávamos. Seu corpo está mais forte e agora rivaliza até com o de seus irmãos, mesmo após o despertar."

"Mesmo assim," disse Garros, balançando a cabeça, "já passamos três meses. Foi uma dádiva—para você. Chega de adiamentos."

Seu tom era definitivo.

Sarena ficou em silêncio. Ela compreendia. Mas isso não facilitava.

Garros a estudou.

Sua esposa—a mesma mulher que destruiria um campo de batalha de bestas como uma tempestade—ficava fraca sempre que Kaden estava envolvido.

Ela nem foi tão protetora com Daela ou Dain.

Então—

Uma voz ecoou na mente de Garros.

'Você precisa entender ela,' disse Aeron, sua espada viva. 'O nascimento de Kaden foi… diferente. Até sua Origem reflete isso. Você não consegue perceber?'

'Sei,' respondeu Garros silenciosamente. 'Mas você também sabe… que não posso ignorar a tradição.'

Aeron silenciou-se. No fim das contas, ele sabia que Garros tinha razão. Tradição era tradição.

Batida na porta.

O som os tirou de seus pensamentos.

Kaden entrou.

Vestindo uma túnica preta simples, expressão calma, caminhou com confiança medida. Sem pressa. Sem lentidão. Apenas controle.

Parou alguns metros à frente de seus pais e fez uma reverência.

"Olá, Pai. Olá, Mãe."

Olhos de Sarena suavizaram. "Olá, meu querido."

Garros fez um breve aceno. "Kaden."

As apresentações terminaram ali.

Garros foi direto ao ponto.

"Já fazem três meses desde seu despertar," disse. "Chegou a hora do seu primeiro teste."

Kaden inclinou a cabeça levemente. "Teste?"

Garros confirmou. "Um rito de passagem. Todo Warborn enfrenta um após despertar e por causa de Fokay."

Ele prosseguiu.

"Você já sabe que este mundo é compartilhado entre humanos e bestas. Sabe também de Fokay—o outro mundo, onde evoluímos através de Missões de Evolução."

"Mas a instabilidade gerada por Fokay quebrou o espaço em certos pontos, abrindo portais por toda parte—portais cheios de monstros… e tesouros."

"Esses 'Portais' têm classificação por dificuldade."

Kaden escutava atento.

"Seu teste é simples," disse Garros. "Há um Portal—classificado como Desperto—bem perto da fortaleza. Na parte norte da Selva."

"Você irá até lá, sozinho."

BUM—!

A palavra "sozinho" ressoou no peito dele, pesada além do que esperava. Mas Kaden permaneceu firme.

"Você irá destruí-lo."

"Esse é seu primeiro teste como Warborn."

O olhar de Kaden não vacilou.

TING!

[Você recebeu uma missão.]

A Ave da Morte tocou em sua mente.

Kaden encarou essa notificação com uma expressão calma.

Começa, então.

Hora de provar seu valor.

—Fim do Capítulo 9—

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