
Capítulo 8
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
De manhã.
Kaden despertou lentamente em sua cama, os olhos se abrindo lentamente contra a suave luz matinal que filtrava pelas cortinas. Ele se preparou—
Esperando dor.
Mas nenhuma veio.
“Huh?” murmurou, sentando-se devagar. “Por que… nada dói?”
Ele franziu o rosto.
Deveria estar dolorido. Depois de colocar seu corpo além dos limites ontem, esperava acordar destruído.
Mas ao invés—
[Sua irmã lhe deu uma Poção de Rejuvenescimento. Sua recuperação foi ampliada.]
Kaden expirou, a tensão se dissolvendo de seus ombros.
“…Daela me ajudou?” sussurrou. “Ela estava aqui?”
[Ela chegou após você perder a consciência. Carregou-o até seu quarto.]
“Então ela ficou de olho o tempo todo…” murmurou Kaden.
Normal dela. Ela não diria uma palavra, não ofereceria incentivo… mas sempre se certificava de que ele estivesse bem.
Ela se importava. Silenciosamente. Constantemente.
Exatamente como ela…
Seus pensamentos vagaram—para uma pequena cozinha, pão quente, risadas. As tranças bagunçadas da irmã. O canto da mãe. A atitude rígida, mas carinhosa, do pai. Sua verdadeira família.
O calor dessas memórias invadiu seu coração, sem aviso. Um sorriso suave e nostálgico surgiu sem que ele percebesse.
Um minuto completo passou antes que ele saísse do transe.
“…De novo,” suspirou, esfregando os olhos.
Esses lapsos de memória estavam virando costume.
“Sistema,” disse, mudando o foco, “recebi minhas recompensas, certo?”
[Sim. 50 Moedas da Morte. 5 Pontos de Atributo ganhos.]
“Quero distribuir meus pontos.”
Ele refletiu. Se “Vontade” fosse uma habilidade disponível, investiria nela sem pensar duas vezes. Mas, por enquanto, precisava fortalecer o corpo.
Seus irmãos estavam a milhas à sua frente fisicamente.
“Vou colocar 3 pontos em Constituição e 2 em Força.”
[Concluído.]
Kaden imediatamente sentiu uma vibração de mudança percorrendo seu corpo.
Uma sensação de chiado emanou de suas articulações, à medida que seus músculos se tensionavam, reforçados pelo aumento de poder. Sua pegada apertou instintivamente.
Mais forte.
Não muito, mas dava para perceber.
Um sorriso se abriu em seu rosto.
“Mostre-me meus atributos.”
⸻
[KADEN WARBORN – ESTATÍSTICAS]
• Força: 6 → 8
• Agilidade: 8
• Constituição: 5 → 8
• Mana: 5
• Inteligência: 10
• Vontade: 8
⸻
“Ainda não é suficiente,” murmurou. “Preciso de mais pontos.”
Isso—isso era a sensação de progresso.
E como dizem—uma vez que você prova, fica com vontade de mais.
Kaden assentiu consigo mesmo, sentindo-se menos sobrecarregado do que ontem.
Não é tão ruim assim.
Então uma ideia lhe ocorreu.
“Ainda não verifiquei minha Origem…”
Lembrou-se do que estudara sobre a linhagem Warborn. Não importa a geração, não importa a criança—todos os herdeiros diretos despertavam uma Origem do tipo Arma.[1]
Origem do tipo Arma eram bastante comuns neste mundo.
Mas os Warborn? Seus Afinamentos eram completamente diferentes.
Suas armas não eram meramente ferramentas.
Eram vivas.
Sentientes, poderosas, totalmente únicas para seu portador.
Seu pai, Garros, por exemplo, empunhava Aeron—uma espadona tão pesada que dobrava o espaço ao seu redor, tão densa que ninguém mais conseguia até levá-la ao menos.
Essa era a herança da qual Kaden agora fazia parte.
Ele respirou fundo e se levantou.
Depois estendeu a mão direita, com a palma voltada para baixo.
De olhos fechados, buscou para dentro.
Sintonia-se com a centelha.
A ligação.
Era tênue—como um sussurro na escuridão—mas existia.
Uma presença.
Chamando por ele.
A testa de Kaden franziu. “Como te invoco?” perguntou, incerto se era mesmo possível.
A conexão pulsou.
E desta vez… ele ouviu algo.
Um nome.
Um sussurro, claro e autoritário.
Kaden respirou fundo e—
“Venha até mim—Reditha.”
SWHOOSH—!!
Uma névoa carmesim explodiu de sua palma.
Ela torcia, espiralava, parecendo sangue e viva. Um cabo se formou, então a lâmina. Metal se estendeu do nada, moldando-se com elegância e ameaçadora beleza.
Poucos segundos depois, ficou pronta.
Uma katana.
A lâmina cintilava como sangue sob a luz do sol, de um vermelho profundo que parecia úmido. O guardanapo era envolto em cordões preto e vermelho, equilibrando perfeitamente beleza e brutalidade.
Kaden a segurou.
No instante em que o fez—
Algo clicou.
Como se uma peça faltante dele tivesse se encaixado.
Ele sentiu…
Felicidade.
Não a dele.
Dela.
Reditha ficou feliz por finalmente ser invocada.
Kaden riu, surpreso com o calor que sentia na emoção dela.
“É… também estou feliz.”
Ele quase podia ouvi-la lhe reprovando por ele estar demorando a perceber.
Por uma espada chamada ‘Rei Sangrento,’ você é meio sensível, ele pensou silenciosamente.
Ela ardia de indignação.
Então—
[DING! Nova Missão Recebida.]
“Já?” Kaden piscou.
⸻
[Missão: Treinamento – Parte II]
Sua Origem é uma espada. Você precisa aprender a manejá-la.
Objetivos:
• 500 golpes de cunha
• 500 impactos
• 500 paradas
Tempo limite: 2 horas
Recompensa: 50 Moedas da Morte, 5 Pontos de Atributo
Penalidade: Incapacidade de usar os braços por 2 dias
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Kaden olhou para Reditha. Seu aperto ficou mais firme.
“Preparada?”
Ela reagiu na mesma moeda—não com palavras, mas com emoções.
Determinação.
Resolução.
Empolgação.
Era tudo o que precisava.
Ele entrou no pátio e levantou a katana.
Hora de sentir a dor.
Hora de conquistar o poder.
—Fim do Capítulo 8—