Killed Me? Now I Have Your Power

Capítulo 2

Killed Me? Now I Have Your Power

Escuridão.

Era tudo o que Boris via. Fria, infinita, sufocante.

Seus pensamentos estavam lentos, como se nadassem em piche.

"E-Onde… onde estou?" ele murmurou, sua voz ecoando no vazio.

Ele olhou para baixo—se é que poderia chamar aquilo de "si mesmo". Seu corpo havia desaparecido. Tudo o que restava era uma centelha de luz tremeluzente, flutuando sem rumo no abismo.

"Que diabo é isso…"

DING!

Uma vibração nítida ressoou pelo vazio.

[Sistema ativado.]

Uma caixa de mensagem luminosa apareceu na sua frente.

"O quê?"

[Processo de despertar iniciado.]

Uma estranha sensação de calor despertou fundo nele—estranha, antiga, poderosa. Ela se expandiu, preenchendo-o até que pudesse senti-la, percebê-la, localizá-la.

Estava dentro de sua alma.

E então—

[Despertar completo.]

[Parabéns, hospede. Você despertou seu sistema pessoal.]

Boris piscou—ou teria piscado, se tivesse olhos.

Um momento de silêncio.

[Você está morto.]

[Medidas de emergência acionadas.]

[Você está sendo reencarnado em outro mundo.]

[Prepare-se, hospede.]

"Espera—espera, que diabos está acontecendo?!"

Mas não havia tempo para respostas.

FSHHHHH—!!!

Ele foi puxado para frente por uma força invisível—rasgado entre dimensões em uma velocidade insana.

Em outro lugar—Em Outro Mundo

Um campo de batalha.

Infinitamente violento e brutal. A terra estava oculta sob camadas de corpos dilacerados—humanos e bestas. O odor de morte e ferro preenchia o ar.

O sangue manchava tudo.

Vermelho. Preto. Verde.

Sangue de humanos. Sangue de monstros.

Era o caos em sua forma mais pura.

No centro de tudo, estava um homem gigante. Alto. Esculpido como um deus da guerra. Seus longos cabelos pretos esvoaçavam ao vento, e seus olhos rubi brilhavam como brasas ardentes. Vestia uma armadura preta, adornada de vermelho sangue, com um escudo no peito ostentando um brasão:

Dois espadas cruzadas. Uma poça de sangue sob elas.

O símbolo dos Warborns.

Este era Garros Warborn, chefe da família Warborn—uma lenda viva, uma calamidade ambulante.

À sua frente, uma horda de aberrações—serpentes do tamanho de carruagens, lobos de pelagem blindada, goblins babando, ogros, trolls, aranhas gigantes…

E além deles, sentado em um trono de ossos, repousava uma criatura magra e pálida. Humanoide na forma, monstruoso na aura. Cabelos brancos longos. Olhos brancos de osso. Uma cauda translúcida enrolada preguiçosamente atrás dele.

Oren.

O Senhor das Bestas.

Garros avançou, fazendo o chão tremer sob seus passos.

"Um covarde como sempre," ele rosnou. Sua voz fazia o ar tremer.

Oren sorriu, exibindo fileiras de dentes afiados como navalhas. "Vamos lá, Garros. Você sabe como eu luto. Por que tanto drama? Não é nossa primeira dança."

"Verdade," disse Garros. "Mas será a última."

Ele levantou a mão.

O sorriso de Oren desapareceu um pouco.

"…Você tem certeza disso?" o Senhor das Bestas pediu em voz baixa.

Ele gesticulou por trás de Garros.

Lá, ajoelhada no chão ensanguentado, estava uma mulher. Cabelos vermelhos. Olhos negros como a meia-noite. Sem ferimentos, sem sangue nela—mas claramente em agonia.

Ela estava dando à luz.

No meio de uma maldita zona de guerra.

O sorriso de Oren retornou. "Sua esposa… Sarena, não é? E ela está grávida, dando à luz aqui, em tudo quanto é lugar? Você é insano, Garros."

Ele se inclinou para frente. "Dê um passo atrás agora, ou arrebentarei todos os meus monstros—andela também. Vou destruí-la. O bebê, também. Logo que nascer neste mundo amaldiçoado."

Ele abriu os braços. "Então, escolha. Vitória… ou sua família."

Silêncio tomou conta do campo de batalha.

Armas foram erguidas. Garras foram desembainhadas. Cada criatura em prontidão.

E então—

"HAHAHAHAHAHA!!"

Uma risada selvagem ecoou.

Não de Garros.

De Sarena.

A mulher de joelhos, em trabalho de parto, rindo.

"Me matar?" ela cuspiu. "Matar meu filho? Fazer com que a gente perca?"

Os olhos dela brilhavam com fúria. "Somos os Warborns. Não perdemos. Não nos ajoelhamos. Não quebramos."

Garros sorriu, largo e selvagem.

"Ouçam isso, Oren?"

Ele levantou a mão bem alto para o céu.

"Somos os Warborns."

"Nós. Não. Perderemos."

Sua voz virou um rugido—divino e implacável.

"AERON—VEM!!"

BOOOOOOM!!!

O céu se partiu ao meio.

CRACK!

ESTRELOU!

Uma enorme espada de duas mãos caiu do céu como um meteoro, acertando o centro da horda de bestas. O impacto distorceu o espaço, enviando ondas de choque em todas as direções. Bestas foram pulverizadas. Gritos foram engolidos pela tempestade.

Era a Lâmina Destruidora do Mundo—Aeron.

A arma de Garros.

Num piscar, a espada sumiu do crater e apareceu na mão de Garros.

A voz de Aeron ressoou em sua cabeça—antiga, familiar, impaciente.

'Finalmente, garros. Ela está dando à luz agora mesmo, seu idiota.'

Garros sorriu com sarcasmo.

'Ela está bem. Olhe para ela. Ainda sorrindo enquanto traz meu filho ao mundo. A melhor mulher do mundo.'

'Vocês dois são loucos.'

Garros jogou a cabeça para trás e riu.

Depois, apontou Aeron para Oren, que agora tinha uma expressão mais séria.

"Vamos lutar até o fim—"

WAH—!!

Um grito atravessou o campo de batalha. Fino. Frágil. Mas poderoso.

O grito de um bebê recém-nascido.

Todos se viraram.

Sarena estava balbuciando um bebê menino.

Cabelos escuros. Olhos vermelhos.

Um filho nascido em guerra e sangue.

O sorriso de Garros se alargou.

"Não… vamos deixar pra lá."

"Vou acabar com isso."

Ele levantou a voz.

"MEUS HOMENS!"

"SIM, COMANDANTE!!"

"HOJE—MEU SEGUNDO FILHO NASCEU!"

ELE ENTROU NESTE MUNDO ENFRENTE A UMA HORDA DE BESTAS, CERCADO DE SANGUE—DIANTE DE UM SENHOR DAS BESTAS!"

Uma pausa.

"QUE ESTE CAMPO DE BATALHA TESTEMUNHE. UM WARBORN NASCE HOJE—E O SANGUE MARCARÁ SUA CHEGADA!"

"SIIIIII!! SANGUE! SANGUE! GUERRA! SANGUE! SANGUE! GUERRA!!"

Os soldados humanos enlouqueceram, avançando com gritos de vingança e orgulho.

As bestas hesitaram.

Oren amaldiçoou, a voz tremendo. "Idiotas fodidos…"

Garros ergueu Aeron, olhos flamejantes de loucura.

SURR!—!!

BOOM!!

O espaço se quebrou.

Os humanos avançaram.

E no caos—

'…Que diabo…?'

Boris estava nas mãos ensanguentadas, zonzo e sem fôlego. Era o bebê recém-nascido.

Ele tinha realmente reencarnado.

Seu pulso pulsava forte em seus ouvidos.

Sarena olhou para ele e sorriu suavemente.

"Bem-vindo, meu filho."

"Bem-vindo, Kaden."

"Meu filho—nascido na guerra e sangue."

—Fim do Capítulo 2—

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