Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 1

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

BOOM—!

Um punho atingiu o rosto de um jovem de cabelo laranja vibrante, fazendo-o cambalear e cair no chão.

Ele não gritou. Apenas um gemido baixo, áspero.

O rapaz que deu o soco—alto, magro, com cabelo azul bem arrumado—sorriu para ele de cima. "Foi só isso mesmo?", zombou, com a voz carregada de deboche. "Vamos lá, Boris. Faça algum barulho. Arraste-se, chore—qualquer coisa."

Risadas ecoaram ao redor. Meio dúzia de estudantes formavam um círculo frouxo, uniformes impecáveis, olhos frios.

Eram todos alunos da mesma escola de elite. E estavam numa parte do campus que ninguém jamais fiscalizava—a garagem de manutenção escondida atrás do prédio de Química. Aquele tipo de lugar onde gritos não ecoavam longe.

Para eles, era só mais uma terça-feira.

Boris permanecia imóvel. Sem falar. Tecido-se na calçada rachada, com uma mão tremendo levemente perto das costelas.

Aquele silêncio irritava Luke—o garoto de cabelo azul. Ele se agachou, pegou Boris pela gola, levantou seu rosto machucado o suficiente para olhar em seus olhos cansados e dourados.

"Eu avisei para você gritar, seu louco."

Boris olhou para ele. Não com desafio. Apenas vazio.

Estava...exausto.

A mandíbula de Luke se fechou com força.

"Você acha que uma bolsa de estudos faz de você um de nós?", murmurou Luke, mais baixo agora. "Meu pai enxerga garotos como você como animais de estimação. Eu só digo o que todo mundo pensa."

Ele empurrou Boris de volta com força.

Alguém do grupo chutou suas costas. Outro riu nervosamente e comentou: "Ele já perdeu a sensibilidade, cara. Nem mesmo se mexe mais."

Mais chutes vieram. Dessa vez mais fortes, mais rápidos.

Bum. Estalos. Um suspiro de sangue saiu dos lábios de Boris. Sangue escorria do canto da boca dele.

"Ei", uma voz calma veio de trás. "Já chega."

O grupo se virou. Um estudante alto, com cabelo dourado—Nathan—avançou, mãos nos bolsos. Atrás dele, uma garota marcante, com cabelo negro, de braços cruzados, rosto difícil de ler.

Luke suspirou frustrado. "Por que você fica sempre interrompendo a diversão, Nathan?"

Nathan levantou uma sobrancelha. "Porque seu jeito de se divertir pode nos expulsar da escola. Ou pior—nos cortar."

Deixou a frase ficar no ar.

Luke fez cara de bravo. "Ninguém vai me expulsar. Você sabe quem é o meu pai."

A voz de Nathan ficou mais firme, só um tiquinho. "Sim. Eu sei. E os administradores da escola também. Você acha que vão te proteger quando seus caprichos virarem manchete?"

Silêncio. 

Nathan se dirigiu aos demais. "Levanta ele. Leva para o centro de saúde. Se alguém perguntar, foi vocês. Nada de Luke. Nem de mim."

Houve hesitação.

"Entenderam?" A voz de Nathan ficou mais baixa. "Se ele morrer e vocês não cobrirem o Luke, vão ser os próximos." Sua voz, fria.

Os estudantes se apressaram, levantando o corpo mole de Boris e saindo correndo.

Luke ficou para trás, respirando forte.

"Ele não morreu", disse Nathan. "Mas vocês tiveram sorte."

Luke murmurou: "Eu não tenho medo de você."

Nathan sorriu de leve. "Não. Mas você tem medo do seu pai."

De trás, a garota finalmente falou, com voz leve, até alegre. "E aí, podemos parar? Tô morrendo de fome."

"Katy", disse Nathan, "achou um lugar novo lá no centro. Super caro."

"E você vai pagar", acrescentou Katy, dando um empurrão em Luke.

"Como assim? A última vez eu paguei."

"Pelo estrago que fizeram, você vai pagar de novo", respondeu Nathan, já se virando para ir embora.

Eles partiram juntos—rindo, discutindo—igual a qualquer grupo de amigos antigos indo jantar.

Logo atrás, a sangue de Boris ainda marcava a calçada.


Centro Médico – Mais Tarde naquela Noite

As lâmpadas fluorescentes zumbiam overhead. Boris estava deitado na cama, bandagens por todo lado, a pele cheia de hematomas. As costelas doíam. A garganta, áspera.

Mas o que mais doía não era o corpo.

Era a alma… era a mente…!

Era tudo o mais.

Ele olhava fixamente para o teto, imóvel. Memórias vinham, lentas e cortantes.

O acidente de carro que levou seus pais e sua irmã mais velha. A ligação que mudou tudo. Ele deveria estar naquele carro—mas ficou em casa, só para terminar uma lição de casa.

Ele era dedicado. Não inteligente. Apenas persistente. Seus pais sempre elogiavam isso.

Mas agora, suas vozes se foram.

Desde então, o mundo tinha se fechado. Os professores pareciam olhar através dele. Os colegas evitavam seu olhar. Ele era “o quieto”. E, assim, virou o alvo perfeito.

E então, ela apareceu.

Katy.

Ela tinha lhe dado um sorriso uma vez. Sentou ao seu lado na aula. Perguntou sobre seu final de semana.

Ele pensou—talvez, só talvez—ele tivesse alguém de novo.

Mas aí veio a verdade.

Tudo aquilo era uma aposta. Uma brincadeira de Luke.

"Você realmente achou que eu gostava de você?", ela ria. "Meu Deus, você é mais patético do que pensei."

A turma toda tinha se unido.

Naquele dia, Boris perdeu o controle.

Ele falou uma palavra. Só uma.

"Puta."

E foi o bastante.

Desde então, a tortura nunca parou.

Uma batida na porta.

Os pensamentos de Boris foram imediatamente interrompidos.

Uma mulher de jaleco entrou. Sra. Johnson. A enfermeira do campus.

"Você de novo?", ela falou calmamente, como se fosse rotina.

Boris ficou sem resposta.

Ela suspirou. "Quem fez isso disse que foi uma brincadeira que deu errado. Serão punidos."

Ele virou a cabeça em direção a ela. Sua voz, rouca, mas firme. "Sabe que não foi brincadeira deles. E sabe que não foi só uma zoeira."

Ela congelou.

"Você sabe disso", ele repetiu. "Todo mundo sabe."

Ela apertou os punhos.

"Desculpe, Boris", ela sussurrou. "Tenho uma filha. Não posso…"

Ele assentiu lentamente. Não com compreensão—com resignação.

Ela saiu.

E Boris ficou sozinho.

De novo.

Ele olhou ao redor da sala estéril. Fria. Silenciosa. A única coisa que trazia algum calor era o soro ao seu lado.

"Qual é o sentido?", murmurou.

O que sobrava para ele aqui? Dor? Humilhação?

Tudo por quê? Porque ele não tem poder ou influência como eles?

Poder. Força.

Coisas que ele nunca teve. Coisas que ninguém lhe deu.

Ele riu.

Foi um riso baixo, amargo. Instável.

O som de alguém perdendo o controle.

Ele tateou pelo telefone—tela trincada, câmera confusa, mas ainda funcionando.

Pressionou "gravar".

"Meu nome é Boris. Se você está assistindo a isso, é provável que eu já tenha ido embora. Esta escola deixou que eles me destruíram—e vocês todos assistiram. Então, agora, vocês vão assistir também."

Falou, a voz trêmula. Não de medo—mas de algo mais profundo.

E quando terminou, publicou.

Em todos os lugares.

Depois, mordeu a língua com força.

"Adeus", sussurrou.

Para ninguém.

Porque não havia mais ninguém a quem dizer isso.

Mas, sem que ele soubesse, sua morte despertou algo profundo dentro dele.

Algo de si mesmo.

Algo…de outro mundo.

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