Dash (BL)

Capítulo 33

Dash (BL)

— E mais cedo, enquanto eu estava sentado ali…

Jiheon apontou na direção da borda da piscina onde estivera sentado. Ele começou a dizer algo enquanto olhava naquela direção, mas apenas sorriu e assentiu com a cabeça.

— De qualquer forma, está tudo bem.

*Está tudo bem agora,* Jiheon repetiu.

— Sério?

— Sim. É por isso que entrei na piscina. Se eu realmente odiasse, não teria entrado de jeito nenhum. Com certeza não teria nadado.

Ao dizer isso, Jiheon endireitou o corpo, que estivera apoiado na raia.

— De todo modo, é muito bom nadar depois de tanto tempo. É como se meu corpo inteiro relaxasse.

Talvez por ter descansado os braços sobre a raia, suas duas omoplatas pareciam rígidas. Jiheon esticou os braços bem acima da cabeça e os abaixou lentamente, repetindo o movimento como se fizesse um alongamento de corpo inteiro.

— Você não fez nenhum outro exercício durante todo esse tempo?

— Tirando ir brevemente à academia na época da faculdade?

— Para alguém que não treina, sua condição física não está ruim.

— Qual é o parâmetro para “não estar ruim”?

Jiheon riu, achando aquilo um absurdo.

— Para ser sincero, achei que você teria acumulado um pouco mais de gordura.

— Ah, eu não sou do tipo que engorda fácil.

— Exatamente. Na verdade, você está mais magro do que eu pensava.

— É porque perdi toda a minha massa muscular.

Sentindo-se desnecessariamente envergonhado, Jiheon mexeu no próprio bíceps enquanto falava. Jaegyeong comentou:

— Hyung, seus braços nunca foram exatamente musculosos, para começar.

*Esse garoto realmente se lembra de tudo,* Jiheon estalou a língua mentalmente e, tardiamente, ofereceu uma desculpa.

— É a minha constituição. Não importa o quanto eu treine com pesos, os músculos simplesmente não se desenvolvem fácil aqui.

— Já vi pessoas assim.

Por uma vez, Jaegyeong não rebateu e apenas assentiu.

— Tem um atleta japonês hoje em dia cujos braços são bem finos. Era Kudo o nome? Um nadador de costas. Fiquei surpreso quando o vi pela primeira vez. O abdômen dele é insano, mas os braços são incrivelmente finos.

— Ah, meu abdômen sempre foi o primeiro a aparecer e o último a sumir. Mesmo agora, se eu respirar fundo, talvez dê para ver.

Jiheon puxou o ar profundamente e apalpou a própria barriga. Talvez fosse imaginação, mas achou que conseguia sentir um leve relevo.

— Ei, olha só.

Ligeiramente animado, Jiheon pegou a mão de Jaegyeong e a fez tocar seu abdômen.

— Consegue sentir um pouquinho?

— Não, onde exatamente?

Jaegyeong disse, puxando a mão sem sequer apalpar direito.

— Isso é só pele e osso. Aprenda a diferenciar “não ter gordura” de “realmente ter músculo”.

Ele até suspirou, como se estivesse exasperado, e virou o rosto. Por causa de seu tom brusco, Jiheon não percebeu que as orelhas de Jaegyeong haviam ficado ligeiramente vermelhas.

— Nossa, você é mesmo implacável.

Jiheon disse com uma expressão ligeiramente ofendida.

— “Implacável”…

Jaegyeong resmungou mal-humorado de novo, depois suspirou e disse:

— Em vez disso, apenas faça exercícios.

— Se você manteve esse nível por dez anos sem treinar, vai voltar a ser como antes num instante se fizer só um pouco de exercício.

— Não, isso é absolutamente impossível.

Jiheon recuou rapidamente.

— Só parece parecido com aquela época porque não engordei. Não tenho literalmente nada de músculo.

— É impressionante você não ter engordado depois de parar de treinar.

Para Jaegyeong, que falava como se perguntasse de que diabos ele estava falando, Jiheon riu e respondeu:

— Não é porque eu me cuidei, é apenas a minha genética.

— Meu pai come feito um condenado e adora beber, mas nunca engordou um único segundo na vida. Minha tia costumava dizer para ele: “Tudo o que você come deve ir para a sua altura e para os seus ossos”. Eu tenho exatamente essa constituição. Meu rosto e meu tipo físico são a cara cuspida e escarrada do meu pai.

— Seu pai também é alto?

— Sim. Ele é ainda mais alto do que eu e tem um porte físico ótimo.

Com as palavras de Jiheon, Jaegyeong assentiu como quem dizia: *Faz sentido.*

— Ele é militar.

— Como você sabia?

Quando Jiheon perguntou, surpreso, Jaegyeong respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo:

— Todo mundo na piscina sabia, ué.

Só então Jiheon pensou: *Ah, verdade.* Aquele lugar nunca tivera segredo algum, afinal. Jiheon deu um sorriso irônico enquanto tirava a touca de natação.

— Pois é. Ele é aquele raro caso de oficial nascido ômega. Aposentou-se como tenente-coronel, sem conseguir realizar o sonho de se tornar o primeiro comandante de regimento ômega.

— Ainda assim é impressionante, não é?

— Jiheon sorriu, passando a mão molhada pelos cabelos. Ele esperava que Jaegyeong dissesse “Sim” na mesma hora, mas, inesperadamente, Jaegyeong apenas o encarou com os olhos arregalados.

— Ah, você não sabia.

— As pessoas geralmente não… sabem desse tipo de detalhe — Jaegyeong murmurou tardiamente.

— Eu presumi naturalmente que vinha do lado da sua mãe.

— Pelo lado da minha mãe, mesmo que você revire os parentes até o oitavo grau, são todos betas.

Depois de dizer isso, Jiheon colocou a touca de volta. Como era seu hábito, segurou a borda da touca e a puxou até logo acima das sobrancelhas, alisando a parte superior.

— De qualquer forma, crescendo e vendo meu pai ser daquele jeito… eu nunca pensei algo como “não consigo fazer isso porque sou um ômega”. Parar de nadar foi simplesmente porque percebi meus próprios limites, não teve relação real com a minha classificação. Eu já havia decidido desistir antes mesmo de sair a minha confirmação como ômega. Só fiquei adiando, preocupado em como contar para as pessoas ao meu redor.

Assim que ajeitou a touca perfeitamente, Jiheon posicionou os óculos de natação por cima dela. Enquanto fazia isso, disse a Jaegyeong:

— Eu queria muito ter te contado essa história.

— Teria sido melhor se eu tivesse falado há dez anos… mas, por algum motivo, era difícil dizer naquela época.

Jaegyeong olhou em silêncio para Jiheon daquela forma, depois piscou devagar e perguntou:

— Por quê?

— O quê?

— Por que era difícil dizer dez anos atrás?

— Bem…

Jiheon murmurou baixinho. Ele falou como se não soubesse, mas, na verdade, sabia. Sabia desde dez anos atrás.

— Provavelmente porque eu não queria parecer patético para você.

*Eu queria parecer admirável até o fim para o meu júnior,* Jiheon sorriu e baixou a cabeça.

— Pensando nisso agora, foi uma ideia muito estúpida, mas eu queria que você pensasse: “Aquele hyung não teve escolha porque não era um alfa”, em vez de: “Aquele hyung desistiu porque não tinha perseverança”. Eu queria que você visse isso mais como uma limitação devida às características da minha classificação do que como um fracasso pessoal meu.

Jiheon queria que Jaegyeong o criticasse agora. Queria que ele brigasse com ele, que o chamasse de covarde ou patético, que demonstrasse algum sinal de decepção. Dessa forma, achava que seu coração talvez se sentisse um pouco mais aliviado.

No entanto, aquele garoto que era sempre tão direto foi, por alguma razão, o único a ficar em silêncio em momentos como esse, e Jiheon acabou tendo que dizer por si mesmo:

— Estúpido, né? No instante em que desisti sem sequer tentar até o fim, mostrei meu lado patético de qualquer forma. Mesmo ao desistir, eu estava preocupado em como fazer você se decepcionar menos comigo.

— Eu nunca achei você patético.

Jaegyeong disse de imediato.

— Não? Eu sempre me achei patético.

— Eu não.

Dessa vez também, Jaegyeong respondeu sem hesitar. Sua expressão era calma, mas seu tom de voz parecia, de certa forma, irritado.

Naquele estado, enquanto ajustava os óculos no rosto, ele disse:

— E eu guardei ressentimento de você por ter largado a natação, mas nunca fiquei decepcionado.

*Hã?… Eu entenderia se você ficasse decepcionado, mas por que ressentimento?*

Antes mesmo que Jiheon pudesse perguntar, Jaegyeong submergiu e logo nadou para longe. Como se não quisesse mais falar sobre aquele assunto.

Jiheon observou as costas de Jaegyeong se afastando e, somente após ele fazer a virada na marca dos 50 metros, começou a nadar também.

Seu corpo estava mais aquecido do que antes, então ele tentou nadar uma volta com um pouco mais de velocidade. Foi e voltou na piscina de 50 metros, completando 100 metros, e quando retornou, Jaegyeong, que havia chegado antes, tirou os óculos por completo e disse:

— Isso foi um tiro de velocidade? Você foi muito rápido. Sua técnica também estava boa.

— Não sei, estou sem fôlego agora.

Jiheon disse, arquejando. Não era exagero; ele estava realmente sem ar e sofrendo.

— Antigamente, eu conseguia fazer pernada de golfinho submersa pelos 50 metros inteiros, mas agora não aguento nem 15.

— Porque está sem fôlego?

— É.

Jaegyeong olhou para Jiheon por um instante, e então disse do nada:

— Já decidi o que vou pedir.

— Você poderia chamar de “desejo”? Soa mais gentil.

Mesmo naquele estado, Jiheon fez o pedido calmamente, mas Jaegyeong apenas fez uma cara de “dá no mesmo” e não se deu ao trabalho de se corrigir.

— O que é? Ah, não vá dizer que é “não nade”. Nós já fizemos isso hoje.

— Não é isso.

— O que é, então?

Quando Jiheon, que finalmente havia recuperado o fôlego, tirou os óculos e perguntou, Jaegyeong falou como se estivesse apenas esperando por aquele momento:

— Hyung, pare de fumar.

◆◇◆

— Ele perdeu o juízo de vez, não perdeu?

Jiheon soltou a fumaça do cigarro com força.

— Se eu conseguisse parar, já teria parado há muito tempo. Não é como se fosse um desafio de rede social, e falar naquele tom, tipo: “Tente jejuar por um dia amanhã”, “Tente reduzir o uso de plástico”. Se parar de fumar fosse tão fácil assim, por que o governo ofereceria dinheiro e imploraria para as pessoas tentarem?

Jiheon não conseguia esconder sua irritação. O Sr. Nam, vendo Jiheon — que raramente se exaltava — incapaz de interromper seu desabafo furioso já havia vários minutos, finalmente interveio para acalmá-lo.

— Não, veja bem, ele certamente não quis dizer para você parar de vez, né? Provavelmente só quis dizer que, se puder diminuir pela sua saúde, para tentar diminuir. Seu namorado é bem atencioso.

Suas últimas palavras, que tinham a intenção de acalmá-lo, serviram apenas para elevar o medidor de agitação de Jiheon.

— Não, ele não é meu namorado.

Jiheon disse depressa.

— Se ele fosse meu namorado, eu teria apenas levado na brincadeira.

Quando Jiheon disse que estava agindo assim justamente porque ele *não* era, o Sr. Nam franziu a testa com um “Hã?” enquanto mantinha o cigarro entre os lábios.

— Se ele nem é seu namorado, você concordou em conceder um desejo a ele incondicionalmente? Por que cargas d’água?

— Não é incondicional. Eu devo um favor a ele, então, em troca de pagar isso, concordei em conceder um pedido.

— Não, aí é que está a parte estranha.

O Sr. Nam apontou imediatamente.

— Se é para ser uma retribuição, por que ele escolheria algo que beneficia você em vez de algo que traga vantagem para ele? Parar de fumar, logo isso? Não, o que importa para ele se outra pessoa fuma ou não? Você fumava com frequência na frente dele?

— Eu nunca fumei na frente dele.

Jiheon disse com firmeza. *Eu jamais sopraria fumaça na cara de um atleta,* acrescentou mentalmente, mas a expressão do Sr. Nam ficou ainda mais confusa.

— Então não há literalmente nenhum benefício para a pessoa que fez o pedido. Se você conseguir parar de fumar, só o Líder de Equipe Jeong sai ganhando.

— Talvez ele goste de me ver sofrer com a agonia da abstinência?

Diante das palavras de Jiheon, o Sr. Nam levou o cigarro de volta à boca e soltou a fumaça, disparando:

— Pensar desse jeito é exatamente coisa que um namorado faria.

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