
Capítulo 40
MEU AMOR EM PARIS
Dois dias haviam se passado desde a chegada de Antonie à pequena cidade.
A casa de Flor estava mais movimentada do que de costume. A presença de Clara mudava completamente a rotina da família, e agora havia também uma nova preocupação: como construir uma relação entre Antonie e a filha sem apressar as coisas.
Naquela manhã, o sol entrava pelas janelas da casa.
Flor estava na sala com Clara nos braços. A pequena estava acordada, tranquila, enquanto ele caminhava devagar pelo cômodo.
Sua mãe preparava o café da manhã na cozinha, e seu pai estava sentado à mesa lendo o jornal.
MÃE DE FLOR: — Flor, você conseguiu dormir um pouco?
FLOR: — Consegui, mãe. Clara acordou algumas vezes, mas depois voltou a dormir.
A mãe apareceu na porta da cozinha e sorriu para a neta.
MÃE DE FLOR: — Minha pequena está cada dia mais esperta.
Flor olhou para Clara.
FLOR: — Ela já está começando a prestar atenção em tudo.
O pai de Flor dobrou o jornal.
PAI DE FLOR: — E o Antonie?
Flor ficou alguns segundos em silêncio.
FLOR: — Ele ligou ontem à noite.
MÃE DE FLOR: — E o que ele disse?
FLOR: — Que chegou bem em Paris. Disse que precisava resolver algumas coisas do trabalho.
O pai assentiu.
PAI DE FLOR: — Pelo menos ele avisou.
Flor caminhou até o sofá e sentou-se.
FLOR: — Ele também perguntou pela Clara.
A mãe sorriu.
MÃE DE FLOR: — Isso é bom.
Flor acariciou delicadamente a cabeça da filha.
FLOR: — Eu sei.
Ele ainda estava tentando entender tudo.
Dois dias atrás, Antonie era apenas uma lembrança complicada de Paris.
Agora era o pai de sua filha.
E isso mudava tudo.
Paris
Enquanto isso, Antonie havia retornado para Paris.
Seu escritório continuava exatamente como antes: grandes janelas, telefone fixo sobre a mesa, pilhas de documentos e uma agenda cheia de compromissos.
Bernard entrou carregando uma pasta.
BERNARD: — Bom dia.
Antonie levantou os olhos.
ANTONIE: — Bom dia.
Bernard colocou a pasta sobre a mesa.
BERNARD: — Tenho os contratos que você pediu.
Antonie abriu a pasta, mas sua atenção não estava totalmente nos documentos.
Bernard percebeu.
BERNARD: — Você está pensando nela?
Antonie sorriu discretamente.
ANTONIE: — Na Clara.
Bernard assentiu.
BERNARD: — Imagino.
Antonie fechou a pasta por alguns segundos.
ANTONIE: — Eu nunca pensei que voltaria para Paris sabendo que tenho uma filha.
BERNARD: — A vida mudou bastante em poucos dias.
ANTONIE: — Mudou.
Ele olhou para o telefone sobre a mesa.
ANTONIE: — Quero ligar para o Flor.
Bernard puxou uma cadeira.
BERNARD: — Então ligue.
Antonie hesitou.
ANTONIE: — Não quero incomodá-lo.
BERNARD: — Você pode perguntar se ele pode falar.
Antonie sorriu.
ANTONIE: — É exatamente isso que vou fazer.
Ele pegou o telefone e discou o número da casa que Flor havia lhe passado antes de sua partida.
Depois de alguns toques, alguém atendeu.
FLOR: — Alô?
Antonie reconheceu imediatamente sua voz.
ANTONIE: — Flor?
Flor ficou surpreso.
FLOR: — Antonie.
ANTONIE: — Eu espero não estar atrapalhando.
Flor olhou para Clara, que estava deitada em seu pequeno berço próximo ao sofá.
FLOR: — Não. Eu estava em casa.
Antonie respirou aliviado.
ANTONIE: — Como vocês estão?
Flor percebeu o plural.
FLOR: — Estamos bem.
Um sorriso apareceu no rosto de Antonie.
ANTONIE: — E a Clara?
FLOR: — Está dormindo.
Antonie riu baixinho.
ANTONIE: — Ela dorme bastante?
FLOR: — Quando quer.
Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos.
Era estranho.
Depois de tudo que haviam vivido, uma conversa tão simples parecia algo completamente novo.
ANTONIE: — Flor…
FLOR: — Sim?
ANTONIE: — Eu queria perguntar uma coisa.
FLOR: — Pode perguntar.
ANTONIE: — Quando eu posso voltar para vê-la?
Flor ficou pensativo.
Ele sabia que Antonie queria estar presente.
Também sabia que precisava de tempo.
FLOR: — Você pode voltar no fim de semana.
Antonie sorriu.
ANTONIE: — Sério?
FLOR: — Sim.
ANTONIE: — Obrigado.
FLOR: — Mas vamos devagar.
ANTONIE: — Eu prometo.
Flor olhou novamente para Clara.
FLOR: — Ela precisa se acostumar com você.
ANTONIE: — E eu preciso aprender a ser pai.
Flor sorriu discretamente.
FLOR: — É.
ANTONIE: — Então eu vejo vocês no fim de semana.
FLOR: — Está bem.
ANTONIE: — Cuide-se, Flor.
FLOR: — Você também.
A ligação terminou.
Flor colocou o telefone no lugar e ficou olhando para ele por alguns segundos.
Sua mãe entrou na sala.
MÃE DE FLOR: — Era ele?
FLOR: — Era.
MÃE DE FLOR: — Ele vem?
Flor olhou para Clara e sorriu.
FLOR: — No fim de semana.
Sua mãe se aproximou e colocou uma mão carinhosa sobre seu ombro.
MÃE DE FLOR: — Parece que sua filha vai conhecer cada vez mais o pai.
Flor assentiu.
FLOR: — Acho que sim.
No berço, Clara começou a se mexer.
Flor imediatamente se aproximou.
FLOR: — Oi, minha pequena.
Ele a pegou cuidadosamente nos braços.
Clara abriu os olhos e ficou olhando para ele.
Flor sorriu.
Talvez aquela história ainda tivesse muitos problemas pela frente.
Mas, pela primeira vez, ele não estava tentando fugir deles.
Agora havia uma família tentando descobrir como seguir em frente.