
Capítulo 41
MEU AMOR EM PARIS
O fim de semana chegou.
Era uma manhã tranquila, e o céu estava claro. Depois de tomar o café da manhã, Flor decidiu sair com Clara para passear pela praça principal da cidade.
Antonie também havia chegado naquela manhã.
Dessa vez, Flor queria que ele tivesse mais tempo com a filha.
Não seria apenas uma visita rápida dentro de casa.
Eles iriam juntos até uma praça tranquila, onde havia um grande lago cercado por árvores, bancos de madeira e caminhos de pedra.
Flor colocou Clara confortavelmente no carrinho.
Antonie caminhava ao lado dele.
ANTONIE: — Você costuma vir aqui?
FLOR: — Às vezes. Quando quero sair um pouco de casa.
ANTONIE: — É bonito.
FLOR: — É. Quando eu era criança, vinha aqui com meus pais.
Antonie olhou para o lago.
ANTONIE: — Então agora Clara também vai conhecer esse lugar.
Flor sorriu.
FLOR: — Vai.
Os três continuaram caminhando.
Clara estava acordada, olhando para as árvores e para o céu.
Depois de alguns minutos, chegaram perto do lago.
Havia alguns bancos espalhados sob as árvores.
Flor escolheu um deles.
Ele sentou-se com Clara próxima a si, enquanto Antonie se acomodou ao lado.
Por alguns instantes, nenhum dos dois falou.
Eles apenas observaram a água tranquila.
Antonie olhou para Clara.
ANTONIE: — Ela parece tão tranquila aqui.
FLOR: — Ela gosta de lugares calmos.
Clara mexeu as mãozinhas.
Antonie sorriu.
ANTONIE: — Oi, pequena.
Clara virou o rosto na direção dele.
Antonie ficou surpreso.
ANTONIE: — Ela está olhando para mim.
FLOR: — Acho que já reconhece você.
Antonie ficou emocionado.
ANTONIE: — Mesmo depois de tão pouco tempo?
FLOR: — Bebês percebem quem está perto deles.
Antonie olhou novamente para a filha.
ANTONIE: — Então espero que ela perceba que eu quero ficar.
Flor ficou em silêncio por alguns segundos.
FLOR: — Eu quero que você fique.
Antonie olhou para ele.
FLOR: — Não quero que Clara cresça sem conhecer o pai.
ANTONIE: — Ela nunca vai precisar se perguntar quem eu sou.
Flor sorriu.
FLOR: — Isso já é importante.
Pai e filha
Antonie estendeu cuidadosamente os braços.
ANTONIE: — Posso segurá-la?
Flor assentiu.
FLOR: — Pode.
Flor pegou Clara e a colocou nos braços de Antonie.
Antonie ajeitou a filha com cuidado.
Clara ficou olhando para o rosto dele.
ANTONIE: — Você sabe que eu estava esperando muito para conhecer você?
Clara mexeu uma das mãos.
ANTONIE: — Eu sei que você ainda não entende minhas palavras.
Antonie sorriu.
ANTONIE: — Mas mesmo assim eu quero conversar com você.
Flor observava a cena.
Antonie continuou:
ANTONIE: — Um dia vou contar que conheci seu outro pai em Paris.
Flor riu baixinho.
FLOR: — Você vai contar a história inteira?
ANTONIE: — Talvez algumas partes.
FLOR: — Então escolha bem o que vai contar.
ANTONIE: — Está bem.
Os dois sorriram.
Clara começou a mexer os pés.
Antonie segurou sua pequena mão.
ANTONIE: — Você tem uma mão tão pequena…
Flor observou.
FLOR: — Ela vai crescer rápido.
Antonie ficou sério.
ANTONIE: — É justamente por isso que quero aproveitar cada fase.
Flor assentiu.
Uma conversa sincera
Depois de algum tempo, Flor pegou Clara novamente e a colocou no carrinho.
Antonie ficou olhando para o lago.
ANTONIE: — Flor.
FLOR: — Sim?
ANTONIE: — Eu pensei muito nesses últimos dias.
FLOR: — Sobre o quê?
ANTONIE: — Sobre tudo que aconteceu.
Ele fez uma pausa.
ANTONIE: — Eu fiquei pensando em quanto tempo perdi sem saber que Clara existia.
Flor abaixou os olhos.
FLOR: — Eu também pensei nisso.
ANTONIE: — Mas não quero ficar preso ao passado.
Flor olhou para ele.
ANTONIE: — Quero construir alguma coisa daqui para frente.
FLOR: — Eu também.
Antonie sorriu.
ANTONIE: — Quero aprender a cuidar dela.
FLOR: — Você vai aprender.
ANTONIE: — Mesmo que eu erre?
FLOR: — Todo mundo erra.
Antonie riu.
ANTONIE: — Então vou precisar de muita ajuda.
FLOR: — Você vai ter.
O silêncio voltou por alguns segundos.
A água do lago refletia o céu.
Algumas folhas caíam lentamente das árvores.
Clara permanecia tranquila no carrinho.
Uma pequena lembrança
Flor pegou uma pequena manta que estava no carrinho e cobriu Clara.
Antonie observou.
ANTONIE: — Você sempre cuida dela assim?
FLOR: — Sempre.
ANTONIE: — Dá para perceber.
FLOR: — Ela mudou minha vida.
Antonie sorriu.
ANTONIE: — Mudou a minha também.
Flor olhou para ele.
FLOR: — Você ainda tem sua vida em Paris.
ANTONIE: — Tenho.
FLOR: — Seus negócios, seus hotéis…
ANTONIE: — E agora tenho uma filha.
Flor sorriu.
FLOR: — Uma filha que mora longe.
ANTONIE: — Então vou aprender a viajar.
Flor riu.
FLOR: — Você fala como se fosse simples.
ANTONIE: — Não vai ser simples.
Ele olhou para Clara.
ANTONIE: — Mas vai valer a pena.
Flor ficou emocionado.
O primeiro momento de tranquilidade
Clara começou a fazer pequenos sons.
Antonie imediatamente se aproximou.
ANTONIE: — O que foi?
Flor sorriu.
FLOR: — Ela está acordando.
Antonie olhou para a filha.
ANTONIE: — Oi novamente.
Clara abriu os olhos.
Antonie segurou sua mão.
Dessa vez, Clara apertou seu dedo.
Antonie sorriu de uma maneira que Flor ainda não havia visto.
Era um sorriso completamente diferente.
Cheio de emoção.
ANTONIE: — Ela segurou minha mão.
FLOR: — Parece que ela está começando a confiar em você.
Antonie olhou para Flor.
ANTONIE: — Isso significa muito para mim.
FLOR: — Então continue vindo.
ANTONIE: — Eu vou.
O fim da tarde
O tempo passou.
O sol começou a baixar no horizonte, deixando a praça mais tranquila.
Flor empurrou o carrinho lentamente pelo caminho.
Antonie caminhava ao lado.
Clara já dormia.
Eles chegaram novamente perto do lago e pararam por alguns instantes.
Antonie olhou para a filha.
ANTONIE: — Posso dizer uma coisa?
FLOR: — Pode.
ANTONIE: — Quando eu cheguei naquela casa, eu estava nervoso.
Flor sorriu.
FLOR: — Eu também.
ANTONIE: — Eu não sabia como você reagiria.
FLOR: — Eu também não sabia.
Antonie respirou fundo.
ANTONIE: — Mas agora estou feliz por ter vindo.
Flor olhou para Clara.
FLOR: — Eu também.
Antonie ficou ao lado dele.
ANTONIE: — Obrigado por me deixar conhecê-la.
Flor respondeu com sinceridade.
FLOR: — Obrigado por querer conhecê-la.
Os dois ficaram olhando para Clara.
Naquele momento, não precisavam dizer mais nada.
A história que havia começado em Paris, entre encontros inesperados, desencontros, segredos e decisões difíceis, havia chegado a um novo ponto.
Não era o fim da vida deles.
Era o começo de uma família aprendendo a existir de uma maneira diferente.
Antonie se abaixou perto do carrinho e falou baixinho com Clara.
ANTONIE: — Eu vou estar aqui, pequena.
Flor sorriu.
FLOR: — Ela vai crescer sabendo disso.
Antonie levantou-se.
ANTONIE: — E você?
Flor olhou para ele.
FLOR: — Eu também quero tentar.
Antonie sorriu.
Os dois começaram a caminhar juntos pela praça, enquanto Clara dormia tranquilamente no carrinho.
O lago ficou para trás.
O céu escurecia lentamente.
E, pela primeira vez, Flor não sentiu que precisava fugir do futuro.
Porque agora, ao lado de Clara, havia alguém disposto a caminhar com eles.
🌹 FIM — UM AMOR EM PARIS 🌹