MEU AMOR EM PARIS

Capítulo 37

MEU AMOR EM PARIS

A casa ficou em silêncio depois que Antonie perguntou quem era a bebê.

Clara continuava no bebê-conforto, tranquila, enquanto Flor permanecia perto dela.

A mãe de Flor olhou para Antonie e depois para Bernard, que ainda estava próximo à porta.

Ela percebeu que aquela conversa não poderia acontecer do lado de fora.

MÃE: — Vocês dois entram. Está tarde e não vamos conversar na porta.

Antonie assentiu.

ANTONIE: — Obrigado.

Bernard entrou logo depois e fechou a porta cuidadosamente.

O pai de Flor permaneceu próximo à cozinha, observando tudo.

Flor continuava em silêncio.

Antonie caminhou alguns passos pela sala.

Então seus olhos voltaram para Clara.

A bebê estava deitada no bebê-conforto, usando uma pequena roupa clara depois do banho. Seus cabelos ainda eram finos e macios, e ela mexia tranquilamente as mãos.

Antonie se aproximou devagar.

Ele não tocou nela.

Apenas ficou olhando.

Havia algo naquela criança que chamava sua atenção de uma maneira difícil de explicar.

ANTONIE: — Ela é muito pequena…

Bernard permaneceu alguns passos atrás.

BERNARD: — É sua filha, Flor?

Flor olhou para Bernard.

Depois para Antonie.

Seus pais ficaram em silêncio.

Durante meses, Flor havia imaginado aquele momento.

Ele sabia que Antonie acabaria descobrindo.

Só nunca soube como seria.

Antonie continuava olhando para a bebê.

Então virou o rosto para Flor.

ANTONIE: — Essa menina é…

Ele não conseguiu terminar.

Flor respirou profundamente.

Seus olhos ficaram marejados.

Ele sabia que não poderia esconder mais.

FLOR: — É sua filha.

O silêncio que veio depois pareceu tomar conta de toda a casa.

Antonie ficou completamente imóvel.

Ele olhou para Flor como se estivesse tentando entender aquelas três palavras.

Depois voltou os olhos para a bebê.

ANTONIE: — Minha… filha?

Flor assentiu lentamente.

FLOR: — Sim.

Bernard ficou surpreso.

Ele olhou para Antonie e depois para a criança.

BERNARD: — Antonie…

Antonie não respondeu.

Ele parecia incapaz de tirar os olhos de Clara.

ANTONIE: — Você está dizendo que ela é minha filha?

FLOR: — Estou.

Antonie passou a mão pelo rosto, tentando organizar os pensamentos.

ANTONIE: — Por que você nunca me contou?

Flor abaixou os olhos.

FLOR: — Porque eu estava com medo.

ANTONIE: — Medo de quê?

Flor olhou para Clara.

FLOR: — De tudo.

Sua mãe se aproximou do filho.

MÃE: — Flor passou por muita coisa sozinho antes de voltar para casa.

Antonie olhou para ela.

ANTONIE: — Eu não sabia de nada.

MÃE: — Nós sabemos.

O pai de Flor também se aproximou.

PAI: — Quando ele voltou, contou que estava esperando uma criança. Depois nos contou quem era o pai.

Antonie ficou ainda mais emocionado.

ANTONIE: — E vocês sabiam que era minha filha?

O pai assentiu.

PAI: — Sim.

Antonie olhou novamente para Clara.

Durante todos aqueles meses, ele havia procurado Flor.

Havia imaginado dezenas de razões para seu desaparecimento.

Mas nunca imaginara aquilo.

Uma filha.

Sua filha.

Clara mexeu as mãos e soltou um pequeno som.

Antonie deu um passo mais perto.

ANTONIE: — Ela tem nome?

Flor sorriu discretamente, apesar das lágrimas.

FLOR: — Clara.

Antonie repetiu baixinho.

ANTONIE: — Clara…

Ele olhou para a bebê novamente.

ANTONIE: — É um nome lindo.

Flor enxugou uma lágrima.

FLOR: — Eu queria um nome que lembrasse algo bonito.

Antonie ficou alguns segundos em silêncio.

ANTONIE: — Quantos meses ela tem?

FLOR: — Nasceu há pouco tempo.

Antonie fechou os olhos por um instante.

Ele percebeu quantos momentos havia perdido.

A gravidez.

O nascimento.

Os primeiros dias da filha.

Tudo havia acontecido sem que ele soubesse.

ANTONIE: — Eu perdi tudo isso…

Flor não respondeu imediatamente.

FLOR: — Eu não queria que fosse assim.

Antonie olhou para ele.

ANTONIE: — Então por que você foi embora?

Flor respirou fundo.

Ele sabia que aquela conversa precisaria acontecer.

Mas não naquela hora.

Não diante de Clara dormindo.

FLOR: — Eu vou contar tudo. Mas preciso que você tenha calma.

Antonie assentiu.

ANTONIE: — Está bem.

Bernard se aproximou discretamente.

BERNARD: — Antonie, acho que vocês precisam conversar com tranquilidade.

Antonie concordou.

ANTONIE: — Você tem razão.

Ele voltou a olhar para Clara.

Dessa vez, seu olhar era diferente.

Não era apenas curiosidade.

Era a consciência repentina de que aquela pequena menina fazia parte dele.

ANTONIE: — Posso ficar um pouco aqui?

Flor olhou para os pais.

Sua mãe fez um pequeno gesto afirmativo.

Flor voltou a olhar para Antonie.

FLOR: — Pode.

Antonie puxou uma cadeira e sentou-se perto do bebê-conforto.

Sem tocar na bebê, ficou observando Clara dormir.

Flor permaneceu de pé alguns passos atrás.

Ainda havia muitas perguntas entre eles.

Havia a história de Paris.

Havia Paula.

Havia a gravidez escondida.

Havia a razão pela qual Flor havia partido.

Mas, naquela noite, uma verdade finalmente havia sido revelada.

Antonie tinha uma filha.

E, pela primeira vez, ele estava diante dela.

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