
Capítulo 35
MEU AMOR EM PARIS
A manhã chegou tranquila à pequena cidade onde Flor havia crescido.
Depois de alguns dias no hospital, acompanhando os cuidados necessários após o nascimento de sua filha, finalmente chegara o momento de voltar para casa.
Flor estava sentado na cama do quarto do hospital, segurando Clara cuidadosamente nos braços. A pequena dormia tranquila, enrolada em uma manta clara.
Flor olhava para ela com um sorriso cansado, mas cheio de carinho.
FLOR: — Finalmente vamos para casa, minha filha.
A mãe de Flor estava ao lado, organizando a pequena bolsa da bebê.
MÃE: — Já conferi tudo. As roupas, as mantinhas, as fraldas e a documentação dela estão aqui.
O pai entrou no quarto carregando o casaco de Flor.
PAI: — E o carro está pronto. Assim que o médico liberar vocês, podemos ir.
Flor olhou para os dois.
FLOR: — Obrigado por tudo.
A mãe se aproximou e ajeitou delicadamente a manta de Clara.
MÃE: — Você não precisa agradecer. Você é nosso filho, e ela é nossa neta.
Flor sorriu emocionado.
Pouco depois, o médico entrou no quarto para conversar com ele.
MÉDICO: — Flor, seus exames estão bem e você pode receber alta. Só quero que continue seguindo as orientações, descanse sempre que puder e venha às consultas de acompanhamento.
FLOR: — Vou fazer tudo certinho, doutor.
MÉDICO: — E não tente fazer tudo sozinho. Você acabou de passar por uma grande mudança.
O pai de Flor assentiu.
PAI: — Ele não vai fazer sozinho. Nós estaremos com ele.
Flor segurou Clara um pouco mais perto.
FLOR: — Eu sei.
🏡 De volta para casa
O carro percorreu as ruas tranquilas da cidade.
Flor estava no banco de trás, com Clara acomodada cuidadosamente ao seu lado. De vez em quando, ele olhava para a filha para verificar se ela estava confortável.
Sua mãe estava no banco da frente, virando-se algumas vezes para observar os dois.
Quando chegaram em casa, o pai abriu a porta.
PAI: — Chegamos.
Flor desceu cuidadosamente.
A casa parecia exatamente como ele lembrava, mas agora havia algo diferente.
Era o mesmo lugar onde havia crescido.
Só que agora ele estava entrando ali como pai.
A mãe abriu a porta e sorriu.
MÃE: — Bem-vindo de volta, filho.
Flor entrou carregando Clara.
FLOR: — Parece estranho estar aqui de novo.
PAI: — Estranho por quê?
Flor olhou para a filha.
FLOR: — Porque quando saí daqui, eu estava sozinho. Agora voltei com ela.
O pai colocou uma das mãos sobre seu ombro.
PAI: — E não está mais sozinho.
Aquelas palavras fizeram Flor sorrir.
👶 Uma nova rotina
Nos dias seguintes, a casa mudou completamente.
Os pais de Flor passaram a ajudá-lo em tudo que podiam.
Enquanto Flor descansava, sua mãe cuidava de algumas tarefas da casa e ajudava com Clara.
O pai também participava dos cuidados, aprendendo rapidamente a preparar as coisas da bebê.
Certa manhã, Flor estava sentado na sala, segurando Clara enquanto ela dormia.
Sua mãe apareceu com uma pequena pilha de roupas.
MÃE: — Olha o que eu lavei.
FLOR: — São dela?
MÃE: — Todas.
Flor pegou uma das roupinhas e sorriu.
FLOR: — Ela tem mais roupas do que eu.
O pai, sentado próximo à janela, riu.
PAI: — Isso acontece com o primeiro neto.
MÃE: — Principalmente quando a avó fica animada.
FLOR: — Eu percebi.
Os três riram.
Apesar das preocupações, aquela rotina trazia paz para Flor.
Ele ainda pensava em Paris.
Pensava no hotel.
Pensava em Antonie.
Mas quando olhava para Clara, tudo parecia ficar um pouco mais simples.
Certa noite, depois de colocar a filha para dormir, Flor ficou sentado perto do berço improvisado.
FLOR: — Você não sabe quantas coisas mudaram desde que você chegou.
Ele respirou fundo.
FLOR: — Mas eu vou cuidar de você.
Sua mãe observava da porta.
MÃE: — Você já é um bom pai.
Flor olhou para ela.
FLOR: — Eu ainda tenho medo de não conseguir.
MÃE: — Ninguém nasce sabendo ser pai. Você vai aprender todos os dias.
Flor sorriu.
FLOR: — Espero conseguir.
MÃE: — Vai conseguir.
🏙️ Enquanto isso, em Paris
Muito longe dali, Antonie finalmente estava perto de encontrar uma resposta.
Durante semanas, ele havia procurado informações sobre Flor.
Depois que Paula confessara que havia mentido sobre a gravidez, Antonie percebeu que havia uma parte daquela história que ainda não fazia sentido.
Flor havia desaparecido.
Não atendia.
Não trabalhava mais no hotel.
E Antonie não sabia onde encontrá-lo.
Naquela tarde, Bernard entrou no escritório carregando uma pasta.
BERNARD: — Antonie, consegui uma informação.
Antonie levantou os olhos imediatamente.
ANTONIE: — Sobre Flor?
Bernard colocou a pasta sobre a mesa.
BERNARD: — Sim.
Antonie abriu a pasta.
Havia informações sobre a cidade onde Flor havia crescido.
Ele ficou alguns segundos em silêncio.
ANTONIE: — Então é lá que ele está.
BERNARD: — Pelo que conseguimos confirmar, sim.
Antonie fechou a pasta lentamente.
ANTONIE: — Quanto tempo de viagem?
BERNARD: — Algumas horas, dependendo do trânsito e das condições da estrada.
Antonie levantou-se.
ANTONIE: — Vou hoje.
Bernard ficou surpreso.
BERNARD: — Você tem certeza?
ANTONIE: — Tenho.
Ele pegou o casaco.
ANTONIE: — Eu procurei Flor por tempo demais.
Bernard o acompanhou até a porta.
BERNARD: — E se ele não quiser falar com você?
Antonie parou por um instante.
A pergunta pesou.
ANTONIE: — Então eu vou respeitar.
Ele respirou fundo.
ANTONIE: — Mas preciso pelo menos ter a chance de explicar tudo.
Bernard assentiu.
BERNARD: — Então vá preparado para ouvir também.
Antonie olhou para ele.
ANTONIE: — Eu sei.
🚗 A viagem
Pouco depois, Antonie entrou no carro.
Jacques estava ao volante.
JACQUES: — Para onde vamos?
Antonie entregou a ele um papel com o nome da cidade.
Jacques olhou rapidamente.
JACQUES: — É longe.
ANTONIE: — Eu sei.
JACQUES: — Tem certeza que quer ir?
Antonie olhou pela janela para as ruas de Paris.
Durante meses, Flor havia sido a única coisa que ele não conseguira tirar da cabeça.
ANTONIE: — Tenho.
Jacques ligou o carro.
O veículo deixou Paris para trás.
Antonie permaneceu em silêncio durante boa parte da viagem.
Em sua mente, voltavam as lembranças de Flor.
O primeiro encontro.
As discussões.
O trabalho no hotel.
O jeito como Flor sempre mantinha distância.
E, principalmente, a última vez que o vira.
Antonie não sabia que Flor tinha uma filha.
Não sabia que aquela criança era sua.
Não sabia que, naquela mesma cidade para onde estava indo, uma pequena menina chamada Clara dormia tranquilamente em uma casa simples.
🌙 Naquela mesma noite
Flor estava sentado no quarto, olhando para Clara.
Sua mãe entrou e colocou uma xícara de chá sobre a mesa.
MÃE: — Você deveria descansar.
FLOR: — Já vou.
MÃE: — Você está pensando nele outra vez?
Flor ficou em silêncio.
Depois olhou para a filha.
FLOR: — Às vezes.
MÃE: — Antonie?
Flor assentiu.
FLOR: — Eu ainda não consigo esquecer.
A mãe sentou ao lado dele.
MÃE: — Você não precisa decidir tudo hoje.
FLOR: — Eu sei.
Ele olhou para Clara.
FLOR: — Só tenho medo do que vai acontecer quando ele descobrir.
Do lado de fora, o vento passava pelas árvores.
Flor não fazia ideia de que, naquele exato momento, Antonie já estava a caminho de sua cidade.
E, pela primeira vez desde que havia deixado Paris, o passado estava prestes a bater novamente à sua porta.