
Capítulo 34
MEU AMOR EM PARIS
A manhã já estava clara quando Flor permaneceu no quarto do hospital, olhando para a pequena Clara.
A bebê dormia tranquilamente no berço ao lado da cama.
Flor ainda estava cansado depois de tudo o que havia acontecido durante a madrugada, mas não conseguia parar de olhar para a filha.
Sua mãe estava sentada perto da janela, enquanto seu pai permanecia próximo ao berço.
Durante alguns minutos, os três ficaram em silêncio.
Até que a mãe de Flor respirou fundo e decidiu falar.
MÃE: — Filho…
Flor levantou os olhos.
FLOR: — O que foi, mãe?
Ela olhou para Clara e depois para o filho.
MÃE: — Agora não dá mais para esconder quem é o pai da Clara.
Flor ficou imóvel.
Aquela era justamente a conversa que ele vinha tentando evitar.
Ele desviou o olhar para a filha.
FLOR: — Eu sei.
Sua mãe se aproximou.
MÃE: — Nós não queremos pressionar você. Só queremos entender o que aconteceu.
Flor apertou as mãos sobre o lençol.
Seus olhos começaram a ficar marejados.
FLOR: — Mãe… pai… não fiquem bravos ou decepcionados comigo.
Seu pai aproximou-se imediatamente.
PAI: — Pode falar.
Flor olhou para os dois.
PAI: — Seja qual for a história, você continua sendo nosso filho.
Flor respirou profundamente.
FLOR: — O pai da Clara é um homem comprometido.
Sua mãe ficou surpresa.
MÃE: — Comprometido?
Flor assentiu.
FLOR: — Sim.
Ele fez uma pausa antes de continuar.
FLOR: — O nome dele é Antonie.
A história começa
Os pais de Flor permaneceram em silêncio, prestando atenção.
FLOR: — Eu conheci Antonie em Paris.
MÃE: — Foi antes de você conseguir o emprego no hotel?
FLOR: — Sim.
Flor começou a contar tudo desde o primeiro encontro.
Explicou que havia conhecido Antonie por acaso nas ruas de Paris.
Contou que Antonie era um homem muito rico e que possuía empresas, hotéis e clubes.
FLOR: — Eu não sabia que ele era o dono do hotel quando comecei a trabalhar lá.
PAI: — Então vocês se encontraram novamente depois?
FLOR: — Muitas vezes.
Flor abaixou os olhos.
FLOR: — E eu tentei manter distância.
MÃE: — Por causa da companheira dele?
Flor assentiu.
FLOR: — Sim. O nome dela é Paula.
Sua mãe ficou séria.
MÃE: — E você sabia que ele estava com ela?
FLOR: — Desde o nosso primeiro encontro.
Flor respirou fundo.
FLOR: — Por isso eu não queria me aproximar.
Os sentimentos
Flor continuou contando.
Falou sobre as conversas que teve com Antonie, sobre os encontros inesperados e sobre como, apesar de tentar manter distância, os sentimentos começaram a surgir.
FLOR: — Eu não queria me apaixonar por ele.
PAI: — Mas aconteceu.
Flor assentiu.
FLOR: — Aconteceu.
Ele olhou para Clara.
FLOR: — E eu acho que ele também se apaixonou por mim.
Sua mãe segurou a mão dele.
MÃE: — E o que aconteceu depois?
FLOR: — Eu tentei fazer a coisa certa.
Flor explicou que havia dito a Antonie que não queria ficar no meio da relação dele com Paula.
FLOR: — Eu falei que, se ele realmente quisesse alguma coisa comigo, primeiro precisava resolver a situação dele com ela.
PAI: — Você tentou colocar limites.
FLOR: — Tentei.
Seu pai assentiu.
PAI: — Isso foi importante.
A notícia de Paula
Flor respirou fundo.
Essa era a parte que mais lhe doía lembrar.
FLOR: — Então Paula apareceu na pensão.
Sua mãe franziu a testa.
MÃE: — Ela foi até onde você morava?
FLOR: — Foi.
PAI: — Por quê?
FLOR: — Ela me disse que estava grávida de Antonie.
Os pais se entreolharam.
Flor continuou:
FLOR: — Ela disse que não queria se separar dele porque estava esperando um filho.
Flor não tinha nenhuma razão para desconfiar daquilo.
Para ele, naquele momento, aquela informação havia sido verdadeira.
FLOR: — Quando ela me contou, eu fiquei destruído.
MÃE: — E foi por isso que você decidiu voltar?
FLOR: — Sim.
Ele enxugou uma lágrima.
FLOR: — Eu pensei que não tinha direito de interferir na família deles.
PAI: — Mas você já estava esperando Clara.
Flor assentiu.
FLOR: — Eu descobri que estava grávido pouco antes disso.
Sua mãe apertou a mão dele.
FLOR: — Eu fiquei com medo.
O segredo de Flor
FLOR: — Eu não contei para Antonie.
MÃE: — Por quê?
FLOR: — Porque achei que ele tinha uma vida com Paula e que eles teriam um filho juntos.
Flor olhou para Clara.
FLOR: — Eu não queria aparecer no meio daquela situação com uma gravidez.
PAI: — Então você decidiu ir embora sem contar nada.
FLOR: — Sim.
MÃE: — E ele procurou por você?
Flor pensou por alguns segundos.
FLOR: — Acho que sim.
PAI: — Você acha?
FLOR: — Quando eu estava em Paris, ele dizia que queria me encontrar. Depois que fui embora, eu não sei o que aconteceu.
Flor ficou pensativo.
FLOR: — Talvez ele tenha desistido.
Seu pai balançou a cabeça.
PAI: — Talvez não.
O medo de Flor
Flor começou a chorar silenciosamente.
FLOR: — Eu sei que deveria ter contado.
Sua mãe aproximou-se e o abraçou.
MÃE: — Filho, olhe para mim.
Flor levantou os olhos.
MÃE: — Nós não estamos decepcionados com você.
FLOR: — Mesmo sabendo que ele era comprometido?
PAI: — Nós estamos preocupados com tudo o que você passou. Isso é diferente.
MÃE: — Você tomou decisões tentando proteger outras pessoas.
Flor respirou fundo.
FLOR: — Eu só queria evitar problemas.
PAI: — Mas agora existe Clara.
Flor olhou para a filha.
PAI: — E um dia ela vai perguntar quem é o pai.
Flor ficou em silêncio.
FLOR: — Eu sei.
O medo de contar a Antonie
Sua mãe sentou-se novamente ao lado de Flor.
MÃE: — Você pretende contar para Antonie?
Flor demorou para responder.
FLOR: — Eu não sei.
MÃE: — Você ainda ama esse homem?
Flor olhou para Clara.
Depois fechou os olhos por alguns segundos.
FLOR: — Sim.
Sua mãe apertou sua mão.
FLOR: — Mas eu também acredito que ele está construindo uma família com Paula.
Flor não sabia que Paula havia mentido.
Para ele, a suposta gravidez de Paula continuava sendo uma realidade.
FLOR: — Se ele realmente vai ter um filho com ela, eu não quero destruir a vida deles.
Seu pai respirou fundo.
PAI: — Mas Clara também é filha dele.
Flor assentiu.
FLOR: — Eu sei.
PAI: — Então você vai precisar pensar com cuidado.
FLOR: — Eu vou.
A mãe olhou para Clara.
MÃE: — Talvez, algum dia, você precise contar toda a verdade.
Flor acariciou delicadamente a mão da filha.
FLOR: — Eu sei.
Uma promessa
Flor pediu para ficar alguns minutos sozinho com Clara.
Seus pais saíram para o corredor.
Flor aproximou o berço da cama e ficou olhando para a filha.
FLOR: — Seu pai se chama Antonie.
Clara continuava dormindo.
FLOR: — Ele não sabe que você existe.
Flor sorriu tristemente.
FLOR: — Talvez um dia você conheça ele.
Ele fez uma pausa.
FLOR: — Mas, aconteça o que acontecer, eu vou estar aqui.
Flor tocou delicadamente a pequena mão da filha.
FLOR: — Você nunca vai ficar sozinha.
Do lado de fora do quarto, seus pais conversavam em voz baixa.
MÃE: — Ele ainda ama Antonie.
PAI: — Eu sei.
MÃE: — E agora existe uma criança.
PAI: — Vamos ajudar nosso filho a fazer o que for melhor para Clara.
Dentro do quarto, Flor continuava olhando para a filha.
Ele ainda não sabia que, em Paris, Antonie já havia descoberto a mentira de Paula.
E muito menos sabia que Antonie continuava procurando por ele.
Para Flor, a história ainda parecia impossível de resolver.
Mas o nascimento de Clara havia mudado tudo.
Agora, o segredo não era apenas sobre dois homens que haviam se apaixonado.
Era sobre uma filha que, algum dia, precisaria conhecer a própria história.