MEU AMOR EM PARIS

Capítulo 33

MEU AMOR EM PARIS

A madrugada parecia não ter fim.

No hospital da pequena cidade, Flor permanecia no quarto acompanhado pela equipe médica e por sua mãe. As primeiras contrações haviam começado horas antes e, desde então, o trabalho de parto havia avançado.

Flor estava cansado, assustado e emocionado.

Mesmo assim, havia uma coisa que repetia para si mesmo:

Sua filha estava chegando.

Sua mãe permanecia sentada ao lado da cama, segurando a mão dele.

MÃE: — Estou aqui com você, meu filho.

Flor respirou profundamente.

FLOR: — Eu sei, mãe.

Uma enfermeira entrou no quarto para verificar como ele estava.

ENFERMEIRA: — Como você está se sentindo, Flor?

FLOR: — Cansado… mas estou bem.

A enfermeira sorriu tranquilamente.

ENFERMEIRA: — Está indo muito bem. Continue seguindo as orientações do médico.

Flor assentiu.

FLOR: — Está bem.

Quando a enfermeira saiu, Flor olhou para sua mãe.

FLOR: — Está realmente chegando a hora.

MÃE: — Sim.

Flor ficou alguns segundos em silêncio.

FLOR: — Eu esperei tantos meses por isso.

MÃE: — E agora você vai conhecer sua filha.

Flor sorriu emocionado.

FLOR: — Minha filha…

Ele colocou a mão sobre a barriga.

FLOR: — Eu fico imaginando como ela vai ser.

MÃE: — Você já escolheu o nome?

FLOR: — Clara.

A mãe sorriu.

MÃE: — Clara.

FLOR: — Eu gosto desse nome.

A hora se aproxima

O tempo passou.

A equipe médica voltou ao quarto e explicou a Flor que o nascimento estava próximo.

Flor ouviu atentamente.

MÉDICO: — Flor, vamos continuar acompanhando você. Quando eu orientar, faça força conforme explicado. Estamos aqui para ajudar você e sua filha.

FLOR: — Certo.

Sua mãe apertou a mão dele.

MÃE: — Você consegue.

Flor respirou fundo.

FLOR: — Eu estou com medo.

MÃE: — Pode ter medo. Só não pense que precisa enfrentar isso sozinho.

Flor olhou para ela.

FLOR: — Obrigado por estar aqui.

MÃE: — Eu não perderia esse momento por nada.

Outra contração começou.

Flor fechou os olhos e concentrou-se na respiração.

MÃE: — Isso… respira devagar.

Flor respirou.

FLOR: — Minha filha está chegando.

MÃE: — Está.

O nascimento

Depois de mais algum tempo, a equipe médica avisou que o momento havia chegado.

Flor concentrou-se completamente nas orientações recebidas.

Sua mãe continuava ao lado dele, sem soltar sua mão.

MÃE: — Vamos, meu filho. Você está indo muito bem.

FLOR: — Eu consigo.

MÉDICO: — Isso, Flor. Continue.

Flor respirou profundamente e seguiu as orientações da equipe.

O momento foi difícil e cansativo, mas ele continuou.

Depois de algum tempo, o silêncio do quarto foi interrompido pelo primeiro choro do bebê.

Flor abriu os olhos.

Por alguns segundos, ficou completamente parado.

Então ouviu a enfermeira dizer:

ENFERMEIRA: — É uma menina.

Os olhos de Flor se encheram de lágrimas.

FLOR: — Minha filha…

Ele sorriu emocionado.

FLOR: — Ela nasceu.

Sua mãe começou a chorar de felicidade.

MÃE: — Nasceu, meu filho.

Flor respirou fundo, ainda emocionado.

FLOR: — Eu quero vê-la.

Depois dos primeiros cuidados realizados pela equipe, a pequena bebê foi cuidadosamente aproximada de Flor.

Ele olhou para a filha pela primeira vez.

E ficou completamente encantado.

Clara

A menina era pequena e delicada.

Tinha cabelos escuros e macios, olhos claros e traços muito parecidos com os de Flor.

Flor observou o rosto da filha durante vários segundos.

FLOR: — Ela parece comigo…

Sua mãe aproximou-se.

MÃE: — Parece muito.

Flor sorriu.

FLOR: — Olha esses olhos…

Ele tocou cuidadosamente a pequena mão da filha.

A bebê movimentou os dedos.

Flor soltou uma pequena risada emocionada.

FLOR: — Oi, Clara.

A menina permaneceu tranquila nos braços dele.

FLOR: — Eu sou seu pai.

Sua voz ficou embargada.

FLOR: — Eu sei que você ainda não entende o que estou dizendo…

Flor sorriu.

FLOR: — Mas eu quero que saiba que eu vou amar você todos os dias da minha vida.

Sua mãe colocou uma mão sobre o ombro dele.

MÃE: — Ela é linda.

FLOR: — É perfeita.

O pai de Flor entrou no quarto pouco depois.

Ao ver o filho segurando a bebê, ficou emocionado.

PAI: — Posso conhecer minha neta?

Flor sorriu.

FLOR: — Claro, pai.

O pai aproximou-se devagar.

Quando viu Clara, ficou alguns segundos admirando a menina.

PAI: — Ela é muito parecida com você.

FLOR: — Todo mundo está dizendo isso.

PAI: — Porque é verdade.

Ele sorriu para o filho.

PAI: — Parabéns, Flor.

FLOR: — Obrigado, pai.

Uma nova vida

Depois que os avós conheceram Clara, o quarto ficou mais tranquilo.

Flor estava cansado, mas não conseguia parar de olhar para a filha.

A pequena Clara dormia tranquilamente.

Flor passou delicadamente a mão sobre os cabelos dela.

FLOR: — Eu pensei em você durante todos esses meses.

Sua mãe se aproximou.

MÃE: — Você pensou muito nela.

FLOR: — Todos os dias.

MÃE: — E agora ela está aqui.

Flor sorriu.

FLOR: — Eu achei que nunca viveria isso.

Sua mãe percebeu a emoção no rosto do filho.

MÃE: — Você está feliz?

Flor olhou para Clara.

FLOR: — Muito.

Ele respirou fundo.

FLOR: — Mesmo com tudo o que aconteceu em Paris… eu não me arrependo de ter você, Clara.

Flor sabia que ainda havia uma história mal resolvida.

Sabia que o pai de Clara existia.

E sabia que, algum dia, precisaria contar a verdade.

Mas naquele momento, não queria pensar em Paris.

Não queria pensar em Antonie.

Não queria pensar em Paula.

Queria apenas aproveitar os primeiros momentos com sua filha.

FLOR: — Bem-vinda ao mundo, Clara.

A pequena mexeu os dedos.

Flor sorriu.

FLOR: — Seu pai está aqui.

Do lado de fora, a chuva começava a diminuir.

O céu lentamente clareava.

Uma nova manhã estava chegando.

E, naquela pequena cidade do interior, Flor começava uma nova fase da vida ao lado da filha.

Enquanto isso, em Paris, Antonie ainda não sabia que a mentira de Paula havia escondido dele algo muito maior.

Ele havia perdido meses procurando Flor.

Sem imaginar que, naquele exato momento, sua filha acabara de nascer.

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