MEU AMOR EM PARIS

Capítulo 32

MEU AMOR EM PARIS

A madrugada havia tomado conta da pequena cidade.

Era pouco depois das três horas da manhã. A casa estava completamente silenciosa, iluminada apenas pela fraca luz que entrava pela janela do quarto de Flor.

Do lado de fora, uma chuva fina caía sobre o telhado.

Flor dormia tranquilamente.

Ou pelo menos tentava.

De repente, abriu os olhos.

Sentiu uma pressão diferente e ficou imóvel por alguns segundos, tentando entender o que estava acontecendo.

Ele respirou devagar.

A sensação passou.

Flor olhou para o relógio sobre a mesa de cabeceira.

FLOR: — Talvez tenha sido só um desconforto…

Ele voltou a se deitar.

Poucos minutos depois, outra contração começou.

Dessa vez, foi mais intensa.

Flor segurou o lençol e respirou profundamente, esperando passar.

FLOR: — Calma… calma…

Quando a contração terminou, ele permaneceu sentado na cama.

Seu coração começou a bater mais rápido.

Aquela sensação era diferente das que havia sentido durante a gravidez.

Flor olhou para a barriga.

FLOR: — Você está querendo nascer?

Ele ficou alguns segundos em silêncio.

Então percebeu que precisava chamar sua mãe.

A casa acorda

Flor saiu da cama cuidadosamente e caminhou até a porta.

Antes mesmo de conseguir atravessar o corredor, outra contração veio.

Ele parou e apoiou uma mão na parede.

Respirou lentamente.

FLOR: — Mãe…

A voz saiu baixa.

Ele esperou alguns segundos.

FLOR: — Mãe!

Do quarto ao lado, sua mãe acordou assustada.

MÃE: — Flor?

Ela abriu a porta rapidamente.

Ao encontrar o filho parado no corredor, percebeu imediatamente que alguma coisa havia acontecido.

MÃE: — O que foi?

Flor tentou manter a calma.

FLOR: — Acho que começou.

A mãe ficou imóvel por um instante.

MÃE: — Começou o quê?

Flor segurou a barriga.

FLOR: — As contrações.

A expressão da mãe mudou imediatamente.

Ela se aproximou.

MÃE: — Elas estão vindo com frequência?

FLOR: — Eu não sei. Começaram há pouco.

MÃE: — Está sentindo muita dor?

FLOR: — Ainda consigo respirar normalmente.

A mãe segurou os ombros dele.

MÃE: — Então vamos manter a calma. Vou acordar seu pai.

Ela saiu rapidamente pelo corredor.

MÃE: — Acorda! Precisamos ir!

Poucos segundos depois, o pai apareceu ainda sonolento, vestindo um casaco sobre a roupa de dormir.

PAI: — O que aconteceu?

MÃE: — As contrações começaram.

O pai imediatamente despertou.

PAI: — Já?

FLOR: — Acho que sim.

PAI: — Então vamos nos preparar.

Preparativos

A casa, que minutos antes estava mergulhada no silêncio, ficou movimentada.

A mãe foi até o quarto do bebê e pegou a pequena bolsa que havia deixado preparada semanas antes.

Dentro dela estavam algumas roupas, mantas e outros itens necessários.

MÃE: — A bolsa está pronta.

PAI: — Eu vou buscar as chaves.

O pai pegou o casaco e saiu rapidamente.

Flor permaneceu sentado na beirada da cama.

A cada nova contração, ele respirava profundamente e tentava não entrar em pânico.

Sua mãe ficou ao lado dele.

MÃE: — Olhe para mim.

Flor levantou os olhos.

MÃE: — Respira devagar.

Flor inspirou.

MÃE: — Isso. Agora solta o ar lentamente.

Flor obedeceu.

FLOR: — Mãe…

MÃE: — Estou aqui.

FLOR: — Eu estou com medo.

Ela segurou sua mão.

MÃE: — É normal estar com medo.

FLOR: — E se alguma coisa acontecer?

MÃE: — Nós vamos para o hospital e você vai ser acompanhado pelos médicos. Você não estará sozinho.

Flor assentiu.

A mãe acariciou seus cabelos.

MÃE: — Você chegou até aqui. Só precisa dar mais um passo.

Flor respirou fundo.

FLOR: — Eu quero que meu bebê fique bem.

MÃE: — Ele vai ter você ao lado dele desde o primeiro momento.

A caminho do hospital

O pai voltou para casa com as chaves.

PAI: — O carro está pronto.

A mãe ajudou Flor a colocar um casaco.

MÃE: — Vamos devagar.

Flor caminhou pelo corredor.

Quando chegou à porta, outra contração começou.

Ele parou.

O pai imediatamente se aproximou.

PAI: — Precisa sentar?

FLOR: — Não… só espera um pouquinho.

Os dois aguardaram.

Quando passou, Flor respirou fundo.

FLOR: — Podemos ir.

O pai abriu a porta do carro.

A madrugada estava fria.

A chuva continuava fina, deixando as ruas brilhantes sob a iluminação dos postes.

Flor entrou no banco traseiro.

Sua mãe sentou ao lado dele.

O pai assumiu o volante.

PAI: — Vamos para o hospital.

O carro começou a percorrer as ruas quase vazias.

Flor olhava pela janela.

As casas passavam lentamente.

Ele colocou uma mão sobre a barriga.

FLOR: — Está chegando…

Sua mãe olhou para ele.

MÃE: — Está.

Flor sorriu nervosamente.

FLOR: — Eu passei tantos meses imaginando esse momento.

MÃE: — E agora ele chegou.

Outra contração começou.

Flor fechou os olhos e respirou como havia aprendido durante as consultas.

Sua mãe segurou sua mão.

MÃE: — Isso. Devagar.

O pai olhou rapidamente pelo retrovisor.

PAI: — Está tudo bem aí atrás?

FLOR: — Está.

PAI: — Se precisar parar, me avise.

FLOR: — Tá bom.

O carro continuou.

No hospital

Pouco tempo depois, chegaram ao hospital.

O pai estacionou próximo à entrada.

Uma enfermeira veio ajudá-los assim que percebeu que Flor estava em trabalho de parto.

ENFERMEIRA: — Vamos entrar. Precisamos avaliar você.

Flor assentiu.

FLOR: — Está bem.

Sua mãe caminhou ao lado dele.

MÃE: — Estou aqui.

FLOR: — Eu sei.

O pai carregou a bolsa.

PAI: — Eu vou resolver a entrada.

A enfermeira conduziu Flor para ser avaliado.

Ele estava nervoso, mas tentava permanecer tranquilo.

Depois de algum tempo, a equipe confirmou que o trabalho de parto havia começado e que ele permaneceria sob observação.

Sua mãe ficou ao lado dele.

FLOR: — Mãe…

MÃE: — Sim?

FLOR: — Quando eu olhar para ele pela primeira vez…

Ele parou, emocionado.

MÃE: — O que foi?

Flor sorriu.

FLOR: — Eu acho que vou esquecer todos os meus medos.

A mãe apertou sua mão.

MÃE: — Talvez.

Flor olhou para o teto e respirou profundamente.

FLOR: — Eu queria que meu pai estivesse aqui.

MÃE: — Ele está. Está resolvendo algumas coisas e já volta.

Flor fechou os olhos.

Então sentiu outra contração.

Segurou a mão da mãe com mais força.

MÃE: — Respira, meu filho.

Flor respirou.

FLOR: — Eu consigo.

MÃE: — Consegue.

Do lado de fora, o pai aguardava preocupado, olhando constantemente para o relógio.

Dentro do quarto, Flor começava sua longa madrugada.

Depois de tantos meses escondendo a gravidez, depois de deixar Paris, depois de carregar sozinho o segredo sobre o pai de seu filho…

Finalmente havia chegado o momento.

Seu bebê estava a caminho.

E, enquanto Flor se preparava para conhecer a criança que havia protegido desde o primeiro instante, em Paris, Antonie continuava sem saber que aquela mesma noite poderia mudar sua vida para sempre.

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