MEU AMOR EM PARIS

Capítulo 31

MEU AMOR EM PARIS

Meses haviam passado desde que Flor deixara Paris.

A pequena cidade do interior continuava tranquila, mas, dentro da casa de sua família, tudo estava diferente.

Flor havia chegado ao último mês de gestação.

Naquela manhã, a luz do sol entrava pela janela de seu quarto. Sobre uma cadeira estavam algumas roupas largas que ele vinha usando durante os últimos meses.

Flor acordou devagar.

Por alguns segundos, ficou quieto, ouvindo os sons da casa.

Então sentiu o bebê se mexer.

Ele colocou a mão sobre a barriga e sorriu.

FLOR: — Bom dia, pequenino.

Ele permaneceu sentado na cama, acariciando a barriga com carinho.

Apesar de toda a preocupação que carregava desde que descobrira a gravidez, aquele momento fazia seu coração ficar tranquilo.

Ele ainda não sabia como seria o futuro.

Mas sabia que amava aquele bebê.

A preocupação da mãe

Pouco depois, sua mãe bateu na porta.

MÃE: — Flor? Posso entrar?

FLOR: — Pode, mãe.

Ela entrou carregando uma bandeja com café da manhã.

Ao ver o filho sentado na cama, sorriu.

MÃE: — Dormiu bem?

FLOR: — Mais ou menos.

MÃE: — Algum desconforto?

Flor assentiu.

FLOR: — Um pouco. Mas passou.

A mãe colocou a bandeja sobre a mesa.

MÃE: — Você está no último mês. Quero que fique o mais tranquilo possível.

FLOR: — Eu sei.

MÃE: — E nada de trabalhar no mercado.

Flor fez uma pequena expressão de contrariedade.

FLOR: — Eu já parei.

MÃE: — Ainda bem.

Ela se sentou ao lado dele.

MÃE: — Você passou meses tentando fazer tudo sozinho.

FLOR: — Eu queria ajudar vocês.

MÃE: — E ajudou. Agora é nossa vez de cuidar de você.

Flor baixou os olhos, emocionado.

FLOR: — Obrigado, mãe.

Ela segurou a mão dele.

MÃE: — Você não precisa agradecer.

O pai chega

Mais tarde, o pai de Flor entrou em casa trazendo algumas compras.

PAI: — Bom dia!

MÃE: — Fale baixo.

O pai imediatamente diminuiu a voz.

PAI: — Desculpa. Ele está dormindo?

MÃE: — Não. Está no quarto.

Flor apareceu no corredor.

FLOR: — Eu estou aqui.

O pai sorriu.

PAI: — Como está meu filho?

FLOR: — Estou bem.

O pai colocou as compras sobre a mesa.

PAI: — Trouxe algumas coisas que sua mãe pediu.

Depois olhou para a barriga de Flor.

PAI: — Parece que esse bebê está com bastante pressa para conhecer a família.

Flor riu.

FLOR: — Ainda falta um pouquinho.

PAI: — Mesmo assim, vamos deixar tudo preparado.

A família havia preparado um pequeno espaço para o bebê.

Não era luxuoso.

Era simples, mas cheio de carinho.

Havia um berço de madeira, algumas mantas e pequenas peças de roupa cuidadosamente dobradas.

Flor entrou no quarto e ficou olhando para tudo.

FLOR: — Eu nunca imaginei que teria uma família assim tão cedo.

A mãe se aproximou.

MÃE: — A vida às vezes muda os nossos planos.

FLOR: — Mudou os meus completamente.

PAI: — Mas isso não significa que seus sonhos acabaram.

Flor olhou para os pais.

PAI: — Você ainda pode estudar, trabalhar, conhecer lugares… construir sua vida.

Flor sorriu.

FLOR: — Eu quero fazer tudo isso.

Ele tocou novamente a barriga.

FLOR: — Só quero fazer tudo com meu bebê.

Uma tarde tranquila

Naquela tarde, Flor ficou sentado perto da janela.

Uma pequena rádio tocava música enquanto ele organizava algumas roupas do bebê.

Ele encontrou uma peça minúscula entre as outras e sorriu.

FLOR: — Isso vai ficar enorme em você.

O bebê se mexeu novamente.

Flor riu baixinho.

FLOR: — Ou talvez você já esteja dizendo que não gostou.

Sua mãe, que estava passando pelo corredor, ouviu.

MÃE: — Já está conversando com ele outra vez?

FLOR: — Ele gosta.

MÃE: — Tem certeza?

FLOR: — Tenho.

Os dois riram.

Mas, depois do momento divertido, Flor ficou pensativo.

Seu olhar se perdeu pela janela.

Paris parecia distante.

Muito distante.

Ele pensou em Antonie.

Pensou no hotel.

Nas caminhadas pelas ruas.

Nas conversas.

No sentimento que havia nascido entre os dois.

E então pensou na mentira de Paula.

Flor não sabia que Antonie finalmente havia descoberto a verdade.

Não sabia que, naquele momento, Antonie ainda tentava descobrir onde ele estava.

Para Flor, tudo aquilo havia terminado quando ele deixou Paris.

FLOR: — Talvez seja melhor assim…

Sua mãe percebeu a mudança em seu rosto.

MÃE: — Está pensando nele?

Flor ficou em silêncio.

Depois respondeu:

FLOR: — Um pouco.

MÃE: — Você ainda gosta dele?

Flor respirou fundo.

FLOR: — Acho que uma parte de mim nunca deixou de gostar.

A mãe sentou-se ao lado dele.

MÃE: — Então não precisa fingir que não sente nada.

FLOR: — Eu só não quero voltar para aquela confusão.

MÃE: — Você não precisa decidir nada agora.

Flor assentiu.

FLOR: — Agora minha prioridade é o bebê.

MÃE: — Exatamente.

Em Paris

Enquanto Flor se preparava para conhecer seu bebê, Antonie continuava tentando reconstruir os acontecimentos dos últimos meses.

Depois de descobrir que Paula havia mentido, ele havia encerrado definitivamente aquele relacionamento.

Paula havia ido embora por algum tempo para ficar com familiares, e os dois não mantinham mais a relação que tinham antes.

Antonie, porém, não conseguia simplesmente esquecer Flor.

Em seu escritório, Bernard entrou carregando uma pasta.

BERNARD: — Antonie.

ANTONIE: — Encontrou alguma coisa?

Bernard colocou a pasta sobre a mesa.

BERNARD: — Ainda não temos o endereço exato.

Antonie suspirou.

ANTONIE: — Então continuamos procurando.

BERNARD: — Com cuidado.

ANTONIE: — Sim.

Bernard observou o amigo por alguns segundos.

BERNARD: — Você realmente não conseguiu esquecê-lo.

Antonie olhou para a fotografia de Paris que ficava sobre sua mesa.

ANTONIE: — Não.

BERNARD: — E se ele não quiser voltar?

Antonie ficou em silêncio.

Depois respondeu com sinceridade:

ANTONIE: — Então vou respeitar.

Bernard assentiu.

BERNARD: — Essa é a decisão certa.

Antonie respirou fundo.

ANTONIE: — Mas eu gostaria pelo menos de saber se ele está bem.

A noite

Naquela noite, uma chuva fina começou a cair sobre a pequena cidade.

Flor estava deitado quando sentiu novamente o bebê se mexer.

Ele sorriu e chamou a mãe.

FLOR: — Mãe?

Ela entrou no quarto.

MÃE: — O que foi?

Flor segurou a mão dela e colocou sobre sua barriga.

FLOR: — Ele mexeu.

A mãe sorriu emocionada.

MÃE: — Está quase chegando a hora.

Flor olhou para ela.

FLOR: — Você acha que eu vou conseguir?

MÃE: — Claro que vai.

FLOR: — Estou com medo.

A mãe apertou sua mão.

MÃE: — Ter medo não significa que você não seja forte.

Flor respirou profundamente.

FLOR: — Eu só quero que ele fique bem.

MÃE: — E vamos cuidar para que vocês dois fiquem bem.

Flor fechou os olhos por alguns segundos.

A chuva continuava batendo suavemente contra a janela.

Naquela casa simples, todos esperavam pelo grande momento.

O bebê de Flor estava prestes a nascer.

E, em Paris, Antonie ainda não fazia ideia de que a pessoa que procurava estava muito mais perto de uma grande mudança do que ele poderia imaginar.

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