
Capítulo 27
MEU AMOR EM PARIS
Em Paris, a manhã começou normalmente.
O movimento nas ruas já era intenso quando Antonie chegou ao hotel. Vestia seu terno escuro e carregava uma pasta com alguns documentos, mas sua atenção estava longe dos negócios.
Desde a conversa com Paula, ele tinha uma única preocupação.
Flor.
Antonie havia decidido procurá-lo assim que pudesse. Queria conversar com ele, contar que finalmente havia encerrado seu relacionamento com Paula e dizer que pretendia construir uma nova vida.
Ao entrar no hotel, encontrou Henri próximo à recepção.
ANTONIE: — Bom dia, Henri.
HENRI: — Bom dia, senhor Antonie.
Antonie continuou andando, mas parou de repente.
ANTONIE: — Onde está Flor?
Henri ficou em silêncio por um instante.
HENRI: — Eu pensei que o senhor soubesse.
Antonie franziu a testa.
ANTONIE: — Soubesse o quê?
Henri respirou fundo.
HENRI: — Flor pediu demissão.
Antonie ficou imóvel.
ANTONIE: — O quê?
HENRI: — Ele veio alguns dias atrás. Disse que precisava voltar para a cidade natal.
ANTONIE: — Quando?
HENRI: — Pouco depois daquela discussão com Paula.
Antonie passou a mão pelo rosto.
ANTONIE: — Ele não me disse nada.
HENRI: — Pelo que percebi, ele não queria conversar sobre o assunto.
Antonie olhou para a entrada do hotel.
A sensação de perda tomou conta dele.
ANTONIE: — Para onde ele foi?
HENRI: — Eu não sei exatamente.
Antonie ficou pensativo.
ANTONIE: — Ele deixou algum endereço?
Henri balançou a cabeça.
HENRI: — Não.
Antonie sentiu o coração apertar.
Ele havia finalmente tomado a decisão que Flor esperava.
Mas, quando estava pronto para procurá-lo, Flor tinha desaparecido.
Na cidade do interior
Enquanto isso, Flor começava a se adaptar novamente à casa dos pais.
Sua mãe preparava o almoço na cozinha, enquanto seu pai trabalhava no quintal.
Flor estava sentado à mesa, tomando um pouco de água.
O enjoo havia diminuído naquela manhã.
Sua mãe apareceu com um prato.
MÃE: — Você precisa comer alguma coisa.
FLOR: — Estou tentando.
Ela colocou o prato diante dele.
MÃE: — E depois vamos marcar uma consulta com o médico daqui.
Flor assentiu.
FLOR: — Está bem.
O pai entrou na cozinha.
PAI: — Como você está hoje?
FLOR: — Melhor.
O pai sorriu.
PAI: — Ainda bem.
Flor olhou para os dois.
Sentia-se protegido naquela casa.
Mas havia uma parte de sua vida que continuava escondida.
Antonie.
Flor colocou a mão sobre o bolso onde guardava o pequeno papel com o endereço do hotel.
FLOR: — Eu preciso esquecer Paris.
Sua mãe ouviu.
MÃE: — Você sente falta de lá?
Flor ficou em silêncio.
FLOR: — De algumas coisas.
Ela percebeu que havia algo por trás da resposta.
Mas, novamente, não pressionou.
Antonie procura respostas
Em Paris, Antonie estava em seu escritório.
Bernard entrou carregando alguns documentos.
BERNARD: — O senhor pediu para falar comigo?
Antonie levantou os olhos.
ANTONIE: — Preciso encontrar uma pessoa.
Bernard colocou os documentos sobre a mesa.
BERNARD: — Quem?
ANTONIE: — Flor.
Bernard ficou surpreso.
BERNARD: — O funcionário do hotel?
ANTONIE: — Sim.
BERNARD: — Ele foi embora?
ANTONIE: — Sem me avisar.
Antonie levantou-se e caminhou até a janela.
ANTONIE: — Eu disse a ele que resolveria minha situação com Paula.
BERNARD: — E resolveu?
Antonie assentiu.
ANTONIE: — Sim.
Ele ficou olhando para Paris.
ANTONIE: — Mas talvez tenha chegado tarde demais.
Bernard observou o amigo em silêncio.
BERNARD: — Talvez ele só precise de tempo.
Antonie virou-se.
ANTONIE: — Eu quero respeitar o espaço dele.
BERNARD: — Então não tente forçá-lo a voltar.
Antonie assentiu.
ANTONIE: — Não vou.
Ele ficou alguns segundos pensativo.
ANTONIE: — Mas quero que ele saiba que estou livre para escolher minha própria vida.
Um segredo entre quatro paredes
Naquela noite, Flor estava novamente em seu antigo quarto.
Abriu uma pequena gaveta e guardou os documentos médicos.
Depois sentou-se na cama.
Pegou uma fotografia de Paris que havia comprado durante seus primeiros dias na cidade.
Ficou olhando para ela.
FLOR: — Adeus, Paris.
Ele colocou a fotografia de volta na gaveta.
Depois apagou a luz.
Do outro lado da França, Antonie permanecia acordado em sua residência.
Os dois estavam separados.
Nenhum sabia exatamente onde o outro estava.
E, enquanto Flor tentava proteger a si mesmo e ao bebê, Antonie começava uma busca silenciosa para descobrir para onde o homem que amava havia ido.