
Capítulo 28
MEU AMOR EM PARIS
Uma semana havia se passado desde que Flor deixara Paris.
A pequena cidade do interior parecia ter voltado ao ritmo de sempre. As manhãs eram tranquilas, os vizinhos se cumprimentavam pelas ruas e as pessoas conheciam umas às outras.
Para Flor, porém, tudo havia mudado.
Ele agora carregava consigo um segredo que transformava cada dia em uma nova descoberta.
Naquela manhã, acordou cedo.
Vestiu uma camisa simples, uma calça confortável e um casaco. Depois desceu para a cozinha.
Sua mãe já estava preparando o café.
MÃE: — Você não deveria estar levantando tão cedo.
FLOR: — Eu preciso trabalhar.
Ela parou o que estava fazendo e olhou para ele.
MÃE: — Flor, você está grávido. Não precisa trabalhar agora.
FLOR: — Eu sei, mãe.
MÃE: — Então fique em casa e descanse.
Flor sentou-se à mesa.
FLOR: — Eu quero ajudar.
MÃE: — Seu pai e eu conseguimos cuidar das despesas.
FLOR: — Mas eu também sou parte dessa família.
A mãe suspirou.
MÃE: — Eu só estou preocupada com você.
Flor segurou a mão dela.
FLOR: — Eu sei. E agradeço. Mas ficar parado em casa pensando em tudo também não vai me fazer bem.
Ela ficou em silêncio.
Depois de alguns segundos, assentiu.
MÃE: — Tudo bem. Mas você promete que vai se cuidar?
FLOR: — Prometo.
Nesse momento, seu pai entrou na cozinha.
PAI: — Pronto?
FLOR: — Pronto.
O pai pegou as chaves.
PAI: — Então vamos.
A mãe olhou para os dois.
MÃE: — E você vai buscá-lo no final do expediente.
PAI: — É claro.
Flor sorriu.
FLOR: — Não precisa fazer tudo isso.
PAI: — Precisa, sim. Enquanto você estiver trabalhando, eu quero ter certeza de que vai e volta com segurança.
Flor não discutiu.
FLOR: — Está bem.
🛒 O mercadinho
O pai levou Flor até um pequeno mercado próximo de casa.
Era um estabelecimento simples, conhecido pelos moradores da cidade.
Quando entraram, o proprietário, senhor Marcel, veio recebê-los.
MARCEL: — Bom dia!
PAI: — Bom dia, Marcel. Este é meu filho, Flor.
MARCEL: — Ah, então você é o rapaz que vai trabalhar conosco.
Flor sorriu.
FLOR: — Sim, senhor.
MARCEL: — Pode me chamar de Marcel. Aqui todo mundo se conhece.
FLOR: — Obrigado pela oportunidade.
Marcel apontou para as prateleiras.
MARCEL: — O trabalho é simples. Organizar produtos, ajudar os clientes e cuidar do caixa quando for necessário.
FLOR: — Pode deixar.
O pai olhou para Flor.
PAI: — Eu volto no fim do dia.
FLOR: — Até mais tarde, pai.
O pai apertou seu ombro.
PAI: — Qualquer coisa, peça para Marcel me chamar.
FLOR: — Eu vou.
O pai saiu.
Flor começou seu primeiro dia.
Ele organizou as prateleiras, ajudou alguns moradores e aprendeu rapidamente onde ficavam os produtos.
Uma senhora entrou procurando farinha.
SENHORA: — Bom dia, rapaz. Você sabe onde fica a farinha?
FLOR: — Sei, sim. É naquela prateleira do fundo.
Ele a acompanhou.
SENHORA: — Obrigada.
FLOR: — Por nada.
Mais tarde, Marcel observou Flor trabalhando.
MARCEL: — Você aprende rápido.
FLOR: — Preciso aprender.
MARCEL: — Está gostando?
Flor olhou ao redor.
FLOR: — Estou. É bem diferente do meu antigo trabalho.
MARCEL: — Você trabalhava onde?
Flor hesitou.
FLOR: — Em Paris.
Marcel arregalou os olhos.
MARCEL: — Paris?
FLOR: — Sim.
MARCEL: — E voltou para cá?
FLOR: — Voltei.
Ele não entrou em detalhes.
Preferia deixar o passado em Paris.
🌤️ Durante o expediente
Perto do meio-dia, Flor sentiu novamente um leve enjoo.
Parou por alguns instantes e respirou devagar.
Marcel percebeu.
MARCEL: — Está tudo bem?
FLOR: — Sim. Só preciso de um minuto.
MARCEL: — Vá sentar um pouco.
Flor assentiu.
Sentou-se em uma pequena cadeira atrás do balcão.
Pouco depois, sentiu-se melhor.
FLOR: — Já passou.
MARCEL: — Não precisa provar nada para ninguém.
Flor sorriu.
FLOR: — Eu só quero trabalhar.
MARCEL: — Então trabalhe, mas cuide de você também.
Flor agradeceu.
🚗 O fim do dia
Quando o expediente terminou, Flor saiu do mercado.
Poucos minutos depois, o carro de seu pai apareceu na rua.
Ele estacionou e abriu a porta.
PAI: — Como foi o primeiro dia?
Flor entrou no carro.
FLOR: — Foi bom.
PAI: — Cansado?
FLOR: — Um pouco.
PAI: — Então vamos direto para casa.
Durante o caminho, o pai olhou rapidamente para ele.
PAI: — Sua mãe vai ficar feliz quando souber que você conseguiu trabalhar sem problemas.
Flor sorriu.
FLOR: — Eu só quero ajudar vocês.
PAI: — Você já está ajudando.
Flor ficou olhando pela janela.
A paisagem da cidade passava lentamente.
Ele sabia que sua vida tinha tomado um rumo completamente diferente daquele que imaginara em Paris.
Mas, naquele momento, estava com sua família.
E isso lhe dava forças para continuar.
Enquanto o carro seguia para casa, Flor colocou discretamente a mão sobre o próprio abdômen.
FLOR: — Vamos conseguir.
E, pela primeira vez desde que havia descoberto a gravidez, sentiu que talvez fosse possível começar novamente.