MEU AMOR EM PARIS

Capítulo 29

MEU AMOR EM PARIS

Os meses começaram a passar.

Depois de deixar Paris, Flor tentou construir uma nova rotina na pequena cidade onde havia crescido.

Todas as manhãs, seu pai o levava até o mercadinho.

Todas as tardes, no fim do expediente, estava esperando por ele.

Sua mãe continuava preocupada e insistia para que Flor descansasse sempre que pudesse.

Flor, porém, queria continuar ajudando em casa.

MÃE: — Você não precisa fazer tudo sozinho.

FLOR: — Eu sei, mãe. Mas trabalhar me faz sentir útil.

MÃE: — Só não se esqueça de que agora precisa pensar em você também.

Flor sorria.

FLOR: — Eu prometo.

Com o passar das semanas, porém, uma mudança começou a ficar cada vez mais evidente.

Sua barriga estava crescendo.

No começo, quase ninguém percebia.

Flor conseguia usar suas roupas antigas normalmente.

Mas, conforme os meses avançavam, suas roupas começaram a ficar apertadas.

Ele passou a escolher camisas maiores, casacos largos e roupas que escondessem melhor sua nova aparência.

Certa manhã, Flor estava diante do espelho do quarto.

Segurava uma camisa larga diante do corpo.

Observou-se por alguns segundos.

FLOR: — Está ficando difícil esconder…

Ele vestiu a camisa e olhou novamente para o espelho.

A barriga já estava visível.

Flor passou a mão cuidadosamente sobre ela.

FLOR: — Você está crescendo tão rápido.

Um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.

Apesar de todos os medos, havia carinho naquele olhar.

🛒 No mercadinho

No trabalho, Flor também começou a usar roupas mais largas.

Marcel percebeu a mudança.

MARCEL: — Você está usando roupas bem maiores ultimamente.

Flor ficou um pouco nervoso.

FLOR: — As outras estavam apertadas.

MARCEL: — Ah.

Ele não fez mais perguntas.

Flor agradeceu mentalmente.

Durante o expediente, evitava carregar coisas pesadas e pedia ajuda quando precisava.

Os moradores continuavam entrando no mercadinho normalmente.

Alguns conheciam Flor desde criança.

SENHORA: — Flor, você está trabalhando demais.

FLOR: — Estou bem.

SENHORA: — Parece cansado.

FLOR: — É só o trabalho.

Ele sorria e mudava de assunto.

Ainda não queria contar a ninguém da cidade.

Seus pais eram as únicas pessoas que sabiam.

🇫🇷 Enquanto isso, em Paris…

Antonie não havia esquecido Flor.

Muito pelo contrário.

Desde o dia em que descobriu que ele havia deixado o hotel, passou a tentar descobrir para onde havia ido.

Mas fazia isso com cuidado.

Não queria invadir a privacidade de Flor.

Conversava com Henri, consultava os registros que Flor havia fornecido ao hotel e tentava encontrar uma forma legítima de entrar em contato.

Certa tarde, Bernard entrou no escritório.

BERNARD: — Ainda não encontrou Flor?

Antonie levantou os olhos.

ANTONIE: — Ainda não.

BERNARD: — Já faz meses.

ANTONIE: — Eu sei.

Bernard sentou-se diante dele.

BERNARD: — Talvez ele simplesmente não queira ser encontrado.

Antonie ficou em silêncio.

A possibilidade doía.

ANTONIE: — Talvez.

BERNARD: — E se for isso?

Antonie respirou fundo.

ANTONIE: — Então vou respeitar.

Bernard ficou surpreso.

BERNARD: — Mesmo querendo falar com ele?

ANTONIE: — Principalmente por isso.

Antonie olhou pela janela.

ANTONIE: — Eu quero que ele escolha voltar para mim. Não quero obrigá-lo.

Paula e a mentira

Enquanto Antonie continuava procurando por Flor, Paula mantinha em segredo a verdade.

Ela não estava grávida.

Nunca havia estado.

A notícia que contara a Flor havia sido uma mentira.

Ela havia inventado a gravidez porque queria afastá-lo de Antonie.

Paula acreditava que, se Flor pensasse que Antonie teria um filho com ela, desistiria da relação.

Durante algum tempo, achou que seu plano havia funcionado.

Mas Antonie continuava diferente.

Certa noite, ele voltou para casa e encontrou Paula na sala.

ANTONIE: — Precisamos conversar.

Paula ficou tensa.

PAULA: — Sobre o quê?

ANTONIE: — Sobre o bebê.

Paula desviou o olhar.

ANTONIE: — Você disse que estava grávida.

Ela ficou em silêncio.

ANTONIE: — Já se passaram meses, Paula.

Paula começou a ficar nervosa.

PAULA: — Antonie…

ANTONIE: — Eu quero saber como está sua gravidez. Quero acompanhar tudo.

Ela não conseguiu responder.

Antonie percebeu que havia algo errado.

ANTONIE: — Paula, olhe para mim.

Ela levantou os olhos.

ANTONIE: — Você está realmente grávida?

Paula ficou em silêncio.

E, pela primeira vez, percebeu que sua mentira estava prestes a desmoronar.

🌙 De volta à cidade

Naquela mesma noite, Flor estava em casa.

Depois do jantar, subiu para seu quarto.

Sentou-se na cama e colocou as mãos sobre a barriga.

O bebê continuava crescendo.

Flor sorriu.

Mas seu sorriso desapareceu quando pensou em Antonie.

FLOR: — Será que ele ainda pensa em mim?

Ele olhou para a fotografia de Paris guardada na gaveta.

Por alguns segundos, pensou em voltar.

Mas imediatamente lembrou da mentira de Paula.

FLOR: — Não…

Flor balançou a cabeça.

FLOR: — É melhor assim.

Ele não sabia que a verdade estava prestes a ser descoberta.

E também não sabia que, naquele exato momento, Antonie começava a perceber que a história contada por Paula tinha muitas coisas que não faziam sentido.

O segredo de Flor crescia a cada mês.

E a mentira de Paula estava chegando ao fim.

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