MEU AMOR EM PARIS

Capítulo 26

MEU AMOR EM PARIS

A viagem de volta parecia muito mais longa do que Flor havia imaginado.

Sentado próximo à janela do trem, ele observava Paris desaparecer pouco a pouco.

Os grandes prédios foram ficando para trás.

Depois vieram os subúrbios, as pequenas cidades e, finalmente, as paisagens do interior.

Flor mantinha a pequena mala ao seu lado.

Dentro dela estavam suas poucas roupas, a fotografia de seus pais e o envelope com os resultados dos exames.

Ele colocou a mão sobre o envelope.

A notícia ainda parecia difícil de acreditar.

FLOR: — Eu vou conseguir.

Ele respirou fundo.

FLOR: — Preciso conseguir.

Durante toda a viagem, Flor pensou em como contaria aos pais.

Tinha medo de decepcioná-los.

Mas também sabia que precisava da família naquele momento.

🏡 A chegada

Depois de horas de viagem, Flor finalmente chegou à pequena cidade onde havia crescido.

Era completamente diferente de Paris.

As ruas eram tranquilas, as casas ficavam próximas umas das outras e quase todos se conheciam.

Flor desceu do transporte carregando sua mala.

Por alguns segundos, simplesmente ficou parado.

Sentiu uma familiaridade que não encontrava na grande cidade.

Então começou a caminhar até sua antiga casa.

Quando chegou ao portão, seu coração acelerou.

Bateu à porta.

Poucos segundos depois, sua mãe apareceu.

Ela ficou completamente surpresa.

MÃE: — Flor?!

Flor sorriu emocionado.

FLOR: — Oi, mãe.

Ela imediatamente o abraçou.

MÃE: — Meu filho! Por que você não avisou que estava voltando?

FLOR: — Eu queria fazer uma surpresa.

A mãe segurou seu rosto entre as mãos.

MÃE: — Você está bem? Aconteceu alguma coisa?

Flor tentou sorrir.

FLOR: — Eu estou bem, mãe.

Nesse momento, seu pai apareceu no corredor.

PAI: — Quem chegou?

Quando viu Flor, abriu um sorriso.

PAI: — Meu filho!

Flor abraçou o pai também.

PAI: — Que bom ver você.

FLOR: — Também senti muita falta de vocês.

Os três entraram na casa.

Flor deixou a mala próxima à porta.

Sua mãe ainda o observava com atenção.

MÃE: — Você está diferente.

Flor ficou nervoso.

FLOR: — Diferente como?

MÃE: — Parece preocupado.

O pai percebeu a mesma coisa.

PAI: — Está acontecendo alguma coisa em Paris?

Flor ficou em silêncio.

Era o momento.

Ele respirou fundo e sentou-se à mesa.

FLOR: — Pai… mãe… eu preciso contar uma coisa para vocês.

Os dois se sentaram diante dele.

MÃE: — Pode falar.

Flor segurou as próprias mãos.

FLOR: — Eu fui ao médico antes de voltar.

A mãe imediatamente ficou preocupada.

MÃE: — Você está doente?

FLOR: — Não.

Ele respirou fundo.

FLOR: — É justamente o contrário.

Os pais se entreolharam.

FLOR: — Eu estou esperando um bebê.

O silêncio tomou conta da cozinha.

Sua mãe ficou alguns segundos sem conseguir responder.

O pai também permaneceu imóvel.

Então a mãe segurou a mão do filho.

MÃE: — Você está grávido?

Flor assentiu.

FLOR: — Sim.

A mãe apertou sua mão.

MÃE: — Meu filho…

PAI: — Você tem certeza?

FLOR: — O médico confirmou.

O pai respirou profundamente.

PAI: — E você está bem?

FLOR: — Estou. Só tenho sentido alguns enjoos e tonturas.

A mãe levantou-se e abraçou o filho.

MÃE: — Você não precisa enfrentar isso sozinho.

Flor fechou os olhos por alguns segundos.

Aquelas palavras eram exatamente o que precisava ouvir.

FLOR: — Eu estava com muito medo de contar.

MÃE: — Por quê?

FLOR: — Porque achei que vocês ficariam decepcionados comigo.

O pai aproximou-se.

PAI: — Nunca.

FLOR: — Mas eu cometi erros.

PAI: — Todos nós cometemos.

A mãe acariciou seus cabelos.

MÃE: — O importante agora é você cuidar de si mesmo e do bebê.

Flor assentiu emocionado.

FLOR: — Eu quero ficar aqui.

PAI: — Então fique.

FLOR: — Quero trabalhar quando estiver melhor e ajudar vocês.

O pai sorriu.

PAI: — Você acabou de voltar para casa. Não precisa resolver sua vida inteira hoje.

Flor finalmente sorriu de verdade.

Havia uma coisa, porém, que ele não contou.

Não falou sobre Antonie.

Não contou como os dois haviam se conhecido.

Não contou que estava apaixonado.

Não contou que Antonie havia dito que queria passar a vida ao seu lado.

E, principalmente, não contou que Antonie era o pai do bebê.

Quando sua mãe perguntou:

MÃE: — Quem é o pai?

Flor baixou os olhos.

Por alguns segundos, pensou em responder.

Mas não conseguiu.

FLOR: — Eu… prefiro não falar sobre isso agora.

Sua mãe percebeu que aquela era uma ferida que ele ainda não estava preparado para tocar.

MÃE: — Tudo bem. Quando estiver pronto, nós estaremos aqui.

Flor assentiu.

Naquela noite, deitado no quarto onde havia passado boa parte da infância, Flor olhou para o teto.

Tinha voltado para casa.

Estava com sua família.

Mas ainda carregava um segredo enorme.

FLOR: — Um dia eu vou precisar contar a verdade.

Ele fechou os olhos.

Mas, por enquanto, queria apenas ter alguns dias de paz.

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