
Capítulo 25
MEU AMOR EM PARIS
A noite havia sido longa para Flor.
Depois que Paula foi embora da pensão, ele permaneceu durante horas sentado na cama, olhando para o envelope que guardava os resultados dos exames.
A notícia da gravidez de Paula não saía de sua cabeça.
Antonie seria pai.
Paula esperava um filho dele.
E ele estava esperando um bebê também.
Flor sentiu que tudo havia se tornado complicado demais.
Ele levantou-se e caminhou até a pequena janela do quarto.
Paris estava iluminada.
As ruas continuavam movimentadas, mesmo naquela hora.
Durante meses, aquela cidade havia representado uma nova oportunidade.
Era onde ele tinha chegado cheio de esperança.
Onde havia conseguido seu primeiro emprego.
Onde havia conhecido Antonie.
Mas agora Paris parecia grande demais para ele.
Flor tocou o vidro frio da janela.
FLOR: — Eu não posso continuar aqui.
Ele fechou os olhos.
FLOR: — Não quero atrapalhar a vida de ninguém.
A decisão começou a tomar forma em sua mente.
Ele voltaria para sua cidade natal.
Voltaria para sua família.
Talvez fosse melhor assim.
Talvez pudesse criar seu filho longe daquela confusão e recomeçar.
Flor sentou-se novamente e abriu uma pequena mala.
Começou a guardar suas roupas cuidadosamente.
Cada peça lembrava um momento de sua vida em Paris.
O uniforme do hotel.
Algumas camisas.
Um casaco.
A fotografia de sua família.
Ele colocou tudo dentro da mala.
Quando terminou, ficou alguns segundos olhando para o quarto.
FLOR: — Eu fui um idiota por ter me envolvido com ele.
A voz saiu baixa.
Seus olhos ficaram marejados.
FLOR: — Eu sabia que ele tinha uma vida antes de mim.
Flor respirou fundo.
FLOR: — Eu sabia que existia a Paula.
Ele pegou a fotografia da família.
FLOR: — Eu devia ter pensado antes.
Flor guardou a fotografia na mala.
Então olhou para o envelope médico.
Não queria abandonar seu bebê.
Pelo contrário.
Era justamente por causa dele que precisava pensar com cuidado.
FLOR: — Você não tem culpa de nada.
Ele colocou a mão sobre a mala.
FLOR: — Eu vou cuidar de você.
Na manhã seguinte, Flor acordou cedo.
Vestiu suas roupas simples e desceu as escadas.
Madame Celine estava preparando o café.
MADAME CELINE: — Bom dia, Flor.
FLOR: — Bom dia.
Ela percebeu a mala.
MADAME CELINE: — Vai viajar?
Flor ficou alguns segundos em silêncio.
FLOR: — Vou voltar para minha cidade.
Madame Celine ficou surpresa.
MADAME CELINE: — Aconteceu alguma coisa?
FLOR: — Eu só percebi que preciso voltar para casa.
MADAME CELINE: — E seu trabalho?
Flor abaixou os olhos.
FLOR: — Vou conversar com o senhor Henri.
MADAME CELINE: — Você parecia tão feliz quando conseguiu aquele emprego.
Flor sorriu tristemente.
FLOR: — Eu estava.
Madame Celine aproximou-se.
MADAME CELINE: — Então por que está indo embora?
Flor não conseguiu contar a verdade.
FLOR: — Às vezes, voltar para casa é a melhor escolha.
Ela percebeu que havia algo que ele não estava dizendo, mas decidiu respeitar seu silêncio.
MADAME CELINE: — Você sempre terá um lugar aqui.
Flor sorriu.
FLOR: — Obrigado por tudo.
Ele abraçou Madame Celine.
Depois pegou sua mala.
Antes de sair, olhou uma última vez para a pensão.
Aquele lugar havia sido seu primeiro lar em Paris.
Agora ele estava indo embora.
No hotel
Flor chegou ao hotel pouco depois.
Henri estava na recepção.
Ao vê-lo com a mala, ficou surpreso.
HENRI: — Flor? O que aconteceu?
FLOR: — Eu preciso conversar com o senhor.
Henri percebeu que era algo sério.
HENRI: — Vamos para meu escritório.
Flor o acompanhou.
Poucos minutos depois, explicou que precisava deixar o emprego.
Não contou sobre a gravidez.
Também não falou sobre Antonie.
Henri tentou convencê-lo a pensar melhor, mas percebeu que Flor já havia tomado sua decisão.
HENRI: — Você tem certeza?
FLOR: — Tenho.
HENRI: — É uma pena. Você era um dos melhores funcionários que contratamos.
Flor sorriu.
FLOR: — Obrigado por ter acreditado em mim.
Henri estendeu a mão.
HENRI: — Espero que sua volta para casa seja tranquila.
FLOR: — Eu também.
Flor saiu do escritório.
Passou pela recepção e encontrou Clara.
Ela ficou surpresa ao vê-lo com a mala.
CLARA: — Flor? Você vai viajar?
Flor assentiu.
FLOR: — Vou voltar para casa.
CLARA: — Mas por quê?
Flor apenas sorriu.
FLOR: — Acho que está na hora.
Clara ficou triste.
CLARA: — Vou sentir sua falta.
FLOR: — Eu também vou sentir falta daqui.
Ele não contou nada.
Não contou sobre o médico.
Não contou sobre o bebê.
E não contou que estava indo embora por causa de Antonie.
Quando saiu do hotel, Flor olhou uma última vez para o prédio.
Então começou a caminhar pela rua com sua mala.
Ele não sabia que, naquele mesmo momento, Antonie estava procurando por ele.
E não imaginava que sua partida mudaria completamente os próximos acontecimentos.