
Capítulo 24
MEU AMOR EM PARIS
Desde que havia saído do consultório, Flor não conseguia pensar em outra coisa.
A confirmação da gravidez havia mudado completamente seus pensamentos.
Enquanto caminhava pelas ruas de Paris, ele segurava o envelope com os resultados dos exames dentro do bolso do casaco.
Ele poderia simplesmente procurar Antonie.
Poderia ir até o hotel.
Poderia ligar para a residência.
Mas não conseguiu.
Ainda não.
Precisava pensar.
Precisava entender o que faria dali em diante.
Quando chegou à pensão, Madame Celine estava na sala.
MADAME CELINE: — Flor, você foi ao médico?
Flor parou por um instante.
FLOR: — Fui.
MADAME CELINE: — E o que ele disse?
Flor apertou o envelope dentro do bolso.
Por alguns segundos, pensou em contar tudo.
Mas desistiu.
FLOR: — Disse que preciso descansar mais e cuidar da alimentação.
Madame Celine percebeu que ele parecia preocupado.
MADAME CELINE: — Tem certeza de que é só isso?
FLOR: — Tenho.
Ela não insistiu.
MADAME CELINE: — Então vá descansar um pouco.
FLOR: — Obrigado.
Flor subiu para seu quarto.
Assim que fechou a porta, sentou-se na cama.
Retirou o envelope do bolso e ficou olhando para ele.
FLOR: — Eu preciso pensar…
Ele não queria contar para ninguém ainda.
Nem para Madame Celine.
Nem para Clara.
Nem para Henri.
E, principalmente, ainda não sabia como contar a Antonie.
Flor sabia que Antonie precisava saber.
Mas também sabia que aquela notícia mudaria tudo.
Ele respirou profundamente.
FLOR: — Como eu vou contar isso para ele?
Uma visita inesperada
Naquela mesma tarde, alguém bateu à porta da pensão.
Madame Celine foi atender.
Ao abrir a porta, encontrou Paula.
MADAME CELINE: — Posso ajudá-la?
PAULA: — Eu preciso falar com Flor.
Madame Celine ficou surpresa.
MADAME CELINE: — Você conhece o Flor?
PAULA: — Sim.
Depois de alguns segundos, Madame Celine chamou:
MADAME CELINE: — Flor! Tem uma pessoa procurando por você!
Flor desceu as escadas.
Quando viu Paula, ficou surpreso.
FLOR: — Paula?
PAULA: — Precisamos conversar.
Flor ficou desconfortável.
FLOR: — Sobre o quê?
Paula entrou na sala e olhou para ele.
Dessa vez, não estava gritando como havia feito no hotel.
Parecia nervosa.
PAULA: — Eu não vim brigar.
Flor permaneceu em silêncio.
PAULA: — Eu vim contar uma coisa que você precisa saber.
Flor sentou-se lentamente.
Paula respirou fundo.
PAULA: — Eu não queria me separar do Antonie agora.
Flor ficou atento.
PAULA: — Eu sei que ele disse que acabou. Sei que ele está decidido.
Ela fez uma pausa.
PAULA: — Mas existe um motivo para eu não querer que esse relacionamento termine.
Flor não respondeu.
Então Paula revelou:
PAULA: — Eu estou grávida dele.
Flor ficou completamente imóvel.
Por alguns segundos, não conseguiu dizer nada.
A notícia atingiu-o de maneira inesperada.
Ele levou a mão discretamente ao bolso onde ainda estava guardado o envelope do médico.
Paula continuou:
PAULA: — Eu descobri recentemente.
Flor abaixou os olhos.
Agora havia duas verdades dentro daquela pequena sala.
Paula esperava um bebê de Antonie.
E Flor também esperava um bebê.
Nenhum dos dois sabia ainda da verdade do outro.
PAULA: — Eu pensei que, se contasse para ele, talvez tudo pudesse voltar ao normal.
Flor respirou lentamente.
FLOR: — Você já contou para ele?
Paula balançou a cabeça.
PAULA: — Ainda não.
Flor permaneceu em silêncio.
Paula percebeu que ele estava diferente.
PAULA: — Por que você ficou tão pálido?
Flor imediatamente desviou o olhar.
FLOR: — Estou apenas cansado.
PAULA: — Você está passando mal?
FLOR: — Já faz alguns dias.
Paula ficou preocupada por um instante.
PAULA: — Você deveria procurar um médico.
Flor quase respondeu que já tinha ido.
Mas se conteve.
FLOR: — Eu estou cuidando disso.
Paula assentiu.
PAULA: — Flor, eu sei que você tem sentimentos pelo Antonie.
Ele não respondeu.
PAULA: — Mas eu também tenho uma história com ele. E agora existe um bebê.
Flor sentiu o coração apertar.
FLOR: — Eu entendo.
PAULA: — Eu não quero perder minha família.
Flor olhou para ela.
FLOR: — Eu também não quero que ninguém sofra.
Paula ficou em silêncio.
Depois de alguns segundos, levantou-se.
PAULA: — Eu preciso conversar com Antonie.
FLOR: — Sim.
Paula caminhou até a porta.
Antes de sair, olhou novamente para Flor.
PAULA: — Eu espero que você entenda.
FLOR: — Eu entendo.
Paula foi embora.
Flor fechou a porta lentamente.
Subiu novamente para seu quarto e sentou-se na cama.
Retirou o envelope do médico do bolso.
Olhou para ele.
Depois pensou nas palavras de Paula.
FLOR: — Ela também está grávida…
Ele ficou olhando para os resultados.
Agora contar a Antonie parecia ainda mais difícil.
Flor abraçou os próprios joelhos e permaneceu em silêncio.
FLOR: — O que eu vou fazer?
Naquela noite, Antonie ainda não sabia de nenhuma das duas notícias.
E Flor decidiu que, pelo menos por enquanto, guardaria seu segredo consigo.