MEU AMOR EM PARIS

Capítulo 23

MEU AMOR EM PARIS

Os sintomas continuaram durante os dias seguintes.

Flor tentava manter sua rotina no hotel, mas os enjoos e as tonturas estavam ficando cada vez mais frequentes. Madame Celine insistia para que ele procurasse um médico.

Naquela manhã, Flor finalmente decidiu que não podia mais adiar.

Depois do café, vestiu seu casaco, pegou alguns documentos e saiu da pensão.

Paris estava fria. O céu permanecia cinzento, e as pessoas caminhavam apressadas pelas calçadas.

Flor entrou em um consultório médico próximo e aguardou na sala de espera.

Depois de alguns minutos, uma enfermeira chamou seu nome.

ENFERMEIRA: — Senhor Flor?

FLOR: — Sim.

ENFERMEIRA: — O doutor pode atendê-lo agora.

Flor levantou-se e entrou no consultório.

O médico cumprimentou-o e indicou a cadeira.

MÉDICO: — Bom dia. Sente-se, por favor. O que está sentindo?

Flor explicou tudo.

FLOR: — Tenho sentido muita tontura. Também estou enjoado com frequência. Às vezes preciso parar o que estou fazendo porque parece que vou perder o equilíbrio.

O médico fez algumas perguntas sobre sua alimentação, rotina e histórico de saúde.

Depois, solicitou alguns exames.

Flor aguardou, preocupado.

Algum tempo depois, o médico voltou com os resultados.

Ele sentou-se diante de Flor e examinou novamente os documentos.

MÉDICO: — Flor, preciso fazer uma pergunta antes de explicar os resultados.

FLOR: — Claro.

MÉDICO: — Você teve relações íntimas recentemente?

Flor ficou imóvel.

A pergunta imediatamente fez sua memória voltar para aquela noite que havia passado com Antonie.

Ele abaixou os olhos.

FLOR: — Sim. Por quê?

O médico manteve uma expressão tranquila.

MÉDICO: — Porque os exames indicam uma gravidez.

Flor ficou completamente em silêncio.

Por alguns segundos, pareceu não compreender.

FLOR: — Uma… gravidez?

O médico assentiu.

MÉDICO: — Sim. Você está esperando um bebê.

Flor levou a mão à boca, surpreso.

Tudo pareceu ficar distante.

Os enjoos.

As tonturas.

O cansaço.

Aquela sensação estranha que vinha sentindo nos últimos dias.

Agora tudo começava a fazer sentido.

FLOR: — Mas… isso não deveria ser possível.

O médico olhou para ele com atenção.

MÉDICO: — Você tinha alguma condição que dificultasse uma gravidez?

Flor assentiu lentamente.

FLOR: — Os médicos sempre disseram que poderia ser muito difícil para mim.

MÉDICO: — Difícil não significa impossível. E precisamos confirmar todos os detalhes e acompanhar sua saúde adequadamente.

Flor permaneceu sentado, tentando processar a notícia.

Ele pensou em sua família.

Pensou na vida que havia deixado no interior.

E então pensou em Antonie.

O homem que amava.

O homem que havia dito naquela manhã que queria passar a vida com ele.

Flor colocou a mão sobre o próprio abdômen, ainda incrédulo.

FLOR: — Eu vou ser pai…

O médico sorriu discretamente.

MÉDICO: — Sim. Mas, por enquanto, o mais importante é cuidar de você e fazer o acompanhamento necessário.

Flor respirou profundamente.

Havia medo.

Havia surpresa.

Mas também havia uma emoção que ele ainda não conseguia explicar.

Ao sair do consultório, Flor caminhou lentamente pela rua.

Paris continuava igual.

Os carros passavam.

As pessoas conversavam.

Os cafés estavam cheios.

Mas, para Flor, o mundo inteiro havia mudado.

Ele parou na calçada e olhou para o céu.

FLOR: — Antonie…

Agora precisava contar a verdade a ele.

E sabia que aquela conversa mudaria para sempre a vida dos dois.

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