MEU AMOR EM PARIS

Capítulo 22

MEU AMOR EM PARIS

Os dias seguintes foram difíceis para todos.

Depois da conversa com Antonie, Paula continuava na residência, mas o relacionamento dos dois havia mudado completamente.

Ela não aceitava o fim.

Antonie tentou conversar outras vezes, procurando manter a calma e explicar que sua decisão não tinha sido tomada de repente.

Mas Paula não queria ouvir.

PAULA: — Você vai mudar de ideia.

ANTONIE: — Paula, eu já tomei minha decisão.

PAULA: — Não. Você está confuso.

ANTONIE: — Eu pensei muito antes de decidir.

PAULA: — Então pense mais.

Antonie suspirava.

Ele não queria transformar o término em uma guerra, mas Paula também não estava disposta a facilitar.

Enquanto isso, Flor continuava trabalhando no hotel.

Porém, havia algo diferente acontecendo com ele.

Todos os dias, principalmente pela manhã, Flor vinha sentindo um mal-estar que parecia ficar mais frequente.

Às vezes, precisava parar o que estava fazendo porque ficava tonto.

Em outras ocasiões, sentia enjoo e precisava respirar profundamente até a sensação passar.

Clara começou a perceber.

Certa manhã, encontrou Flor parado próximo ao corredor dos quartos, segurando discretamente a parede.

CLARA: — Flor?

Ele levantou o rosto.

FLOR: — Estou bem.

CLARA: — Você está pálido.

FLOR: — É só uma tontura.

CLARA: — Tem certeza?

FLOR: — Tenho. Já vai passar.

Clara continuou olhando para ele, preocupada.

CLARA: — Você deveria procurar um médico.

Flor assentiu.

FLOR: — Eu sei.

Ele ainda não sabia o que estava causando aqueles sintomas.

Só sabia que estavam se tornando cada vez mais frequentes.

Alguns dias depois

O hotel estava movimentado naquela tarde.

Havia hóspedes chegando, funcionários entrando e saindo dos corredores e conversas acontecendo na recepção.

Flor estava organizando alguns documentos quando ouviu uma voz conhecida.

PAULA: — Eu preciso falar com o Flor.

Clara levantou os olhos.

CLARA: — Posso saber o assunto?

Paula não respondeu.

Ela entrou no salão principal e procurou Flor.

Quando o encontrou, caminhou diretamente até ele.

Flor ficou surpreso.

FLOR: — Paula?

Ela parou diante dele.

PAULA: — Então é você.

Flor não entendeu.

FLOR: — Desculpe?

Paula elevou a voz.

PAULA: — Você está seduzindo meu marido!

O salão inteiro pareceu ficar em silêncio.

Flor ficou completamente constrangido.

Alguns funcionários olharam uns para os outros.

Começaram os cochichos.

FUNCIONÁRIO 1: — É sobre o senhor Antonie?

FUNCIONÁRIA 2: — Parece que sim.

FUNCIONÁRIO 1: — Eu sabia que havia alguma coisa estranha…

Flor respirou fundo.

FLOR: — Senhora Paula, eu não quero discutir isso aqui.

PAULA: — Claro que não quer! É fácil ficar quieto depois de chamar a atenção dele.

FLOR: — Eu nunca tentei destruir seu relacionamento.

Paula respondeu imediatamente:

PAULA: — Mas conseguiu!

Flor ficou abalado.

FLOR: — Antonie tomou as próprias decisões.

Paula ficou ainda mais irritada.

PAULA: — Não coloque a culpa nele. Eu sei muito bem o que aconteceu.

Flor olhou ao redor.

Os funcionários continuavam cochichando.

Ele sentiu o rosto esquentar de vergonha.

FLOR: — Eu respeito você e não quero transformar o hotel em palco para uma discussão.

PAULA: — Você deveria ter pensado nisso antes.

Nesse momento, Henri apareceu no salão.

Ele percebeu imediatamente a tensão.

HENRI: — Senhora Paula, por favor.

Paula virou-se.

PAULA: — Isso não diz respeito ao senhor.

HENRI: — Diz respeito quando uma discussão está acontecendo no local de trabalho dos meus funcionários.

Henri aproximou-se de Flor.

HENRI: — Flor, vá para a sala dos funcionários por alguns minutos.

Flor assentiu.

Mas, antes que pudesse sair, sentiu novamente aquela tontura.

Ele parou.

HENRI: — Flor?

FLOR: — Estou bem…

Henri percebeu que ele precisava se apoiar no balcão.

HENRI: — Sente-se.

Clara correu para ajudá-lo.

Os cochichos cessaram.

Até Paula ficou em silêncio por alguns segundos.

CLARA: — Flor, você está passando mal de novo.

Flor fechou os olhos e respirou devagar.

FLOR: — Estou enjoado…

Henri ficou preocupado.

HENRI: — Você não vai continuar trabalhando assim.

Paula observou a cena, ainda magoada, mas agora percebeu que Flor realmente não estava bem.

Henri olhou para os funcionários.

HENRI: — Todos de volta ao trabalho, por favor.

Aos poucos, o salão voltou a se movimentar.

Flor permaneceu sentado, tentando recuperar-se.

Paula ficou parada por alguns instantes.

Então falou, dessa vez em um tom mais baixo:

PAULA: — Isso não terminou.

Flor levantou os olhos.

FLOR: — Eu não quero brigar com você.

Paula não respondeu.

Virou-se e saiu do hotel.

Flor acompanhou sua saída com o olhar.

Henri aproximou-se novamente.

HENRI: — Flor, você precisa cuidar da sua saúde.

Flor respirou fundo.

FLOR: — Eu vou procurar um médico.

E, pela primeira vez, percebeu que não podia continuar ignorando aqueles sintomas.

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