
Capítulo 21
MEU AMOR EM PARIS
Depois da conversa difícil com Paula, Antonie deixou a residência.
Ele precisava de algum tempo para colocar os pensamentos em ordem.
Enquanto isso, em outro ponto de Paris, Flor havia voltado para a pensão de Madame Celine.
A manhã estava chegando ao fim. O céu continuava nublado, e uma chuva fina começava a cair sobre as ruas.
Flor entrou pela porta da pensão carregando seu pequeno casaco.
Madame Celine estava na sala, organizando algumas contas sobre uma mesa.
MADAME CELINE: — Flor! Você voltou cedo.
Flor tentou sorrir.
FLOR: — Sim. Eu tinha algumas coisas para resolver.
Ele deixou o casaco sobre uma cadeira.
MADAME CELINE: — Está tudo bem?
FLOR: — Está.
Mas, assim que terminou de falar, Flor percebeu algo estranho.
Sua cabeça começou a girar.
Ele piscou algumas vezes.
A sala pareceu se movimentar diante de seus olhos.
Flor segurou a borda da cadeira.
FLOR: — Espera…
Madame Celine levantou-se imediatamente.
MADAME CELINE: — Flor?
FLOR: — Estou meio tonto.
Ela caminhou rapidamente até ele.
MADAME CELINE: — Sente-se.
Flor obedeceu.
Sentou-se devagar, apoiando as mãos nos joelhos.
FLOR: — Não sei o que está acontecendo.
MADAME CELINE: — Você comeu alguma coisa hoje?
Flor tentou lembrar.
FLOR: — Eu… acho que não.
Madame Celine suspirou.
MADAME CELINE: — Você precisa cuidar de si mesmo, rapaz.
Ela foi até a cozinha.
MADAME CELINE: — Vou preparar alguma coisa para você.
Flor assentiu.
Porém, poucos segundos depois, uma nova sensação desagradável surgiu.
Ele levou a mão à boca.
FLOR: — Madame Celine…
Ela voltou rapidamente.
MADAME CELINE: — O que foi?
Flor engoliu em seco.
FLOR: — Estou enjoado.
Madame Celine percebeu que ele estava ficando cada vez mais pálido.
MADAME CELINE: — Não tente levantar.
FLOR: — Eu estou bem…
MADAME CELINE: — Não está.
Flor tentou responder, mas sentiu a garganta apertar com o mal-estar e teve uma crise de tosse.
Madame Celine colocou um copo de água sobre a mesa.
MADAME CELINE: — Beba devagar.
Flor tomou pequenos goles.
FLOR: — Obrigado.
MADAME CELINE: — Você tem sentido isso há quanto tempo?
Flor ficou pensativo.
FLOR: — Hoje foi pior.
MADAME CELINE: — E a tontura?
FLOR: — Começou agora.
Madame Celine sentou-se ao lado dele.
MADAME CELINE: — Talvez seja cansaço. Você está trabalhando demais, quase não come e ainda passa o dia inteiro andando pela cidade.
Flor abaixou os olhos.
FLOR: — Eu só quero conseguir ajudar minha família.
MADAME CELINE: — E para ajudar sua família você também precisa cuidar de você.
Flor deu um pequeno sorriso.
FLOR: — Eu sei.
Ela colocou uma pequena refeição diante dele.
Flor tentou comer, mas o enjoo ainda estava presente.
MADAME CELINE: — Não precisa comer muito de uma vez.
FLOR: — Vou tentar.
Ele respirou fundo e permaneceu sentado.
Aos poucos, a tontura começou a diminuir.
Flor encostou-se na cadeira.
FLOR: — Acho que está passando.
MADAME CELINE: — Ainda assim, se continuar acontecendo, você precisa procurar um médico.
Flor ficou em silêncio por alguns segundos.
FLOR: — Talvez eu devesse mesmo.
Madame Celine sorriu discretamente.
MADAME CELINE: — Prometa.
FLOR: — Prometo.
Flor olhou para a janela.
A chuva continuava caindo sobre Paris.
Sua mente voltou para Antonie.
Ele se perguntou como havia sido a conversa com Paula.
FLOR: — Espero que ele esteja bem…
Madame Celine ouviu, mas não perguntou quem era.
Flor permaneceu quieto, tentando recuperar as forças.
Naquele momento, ele ainda não sabia que aquele mal-estar inesperado poderia ser o começo de uma nova preocupação em sua vida.