MEU AMOR EM PARIS

Capítulo 17

MEU AMOR EM PARIS

Alguns dias haviam passado desde a última conversa entre Flor e Antonie.

Os dois continuavam se encontrando pelo hotel, mas mantinham certa distância. Flor havia deixado claro que não queria ultrapassar nenhum limite enquanto Antonie ainda estivesse com Paula.

Mesmo assim, a amizade entre os dois começava a crescer.

Naquela tarde, Flor estava terminando seu expediente quando ouviu alguém chamá-lo.

ANTONIE: — Flor.

Ele se virou.

FLOR: — Oi.

Antonie parou a alguns passos de distância.

ANTONIE: — Você tem algum compromisso hoje à noite?

Flor ficou desconfiado.

FLOR: — Por quê?

ANTONIE: — Queria convidar você para sair. Apenas conversar.

Flor pensou por alguns segundos.

FLOR: — Você e a Paula estão bem?

Antonie ficou sério.

ANTONIE: — Nós ainda precisamos resolver algumas coisas.

Flor assentiu.

FLOR: — Então está bem. Podemos sair como amigos.

ANTONIE: — Como amigos.

Flor sorriu.

FLOR: — Aceito.

Uma caminhada por Paris

Mais tarde, os dois se encontraram fora do hotel.

Antonie havia escolhido um lugar tranquilo para caminharem antes de jantar.

Paris estava movimentada naquela noite. As vitrines estavam iluminadas, os cafés tinham mesas ocupadas e os carros passavam pelas ruas.

Flor caminhava ao lado de Antonie.

ANTONIE: — Você parece mais tranquilo hoje.

FLOR: — Talvez porque agora eu conheça um pouco melhor você.

ANTONIE: — E sua opinião mudou?

Flor sorriu.

FLOR: — Um pouco.

ANTONIE: — Só um pouco?

FLOR: — Não quero deixar você convencido.

Antonie riu.

Eles continuaram caminhando.

Conversaram sobre coisas simples: a infância de Flor no interior, os lugares que ele gostaria de conhecer e os negócios de Antonie.

Em determinado momento, Flor parou diante de uma vitrine.

FLOR: — Quando eu era criança, imaginava como seria conhecer Paris.

ANTONIE: — E agora?

Flor olhou para a cidade.

FLOR: — Agora estou aqui.

Antonie sorriu.

ANTONIE: — E está gostando?

FLOR: — Muito.

Uma conversa sincera

Depois da caminhada, os dois se sentaram em um pequeno café.

Flor tomou seu chocolate quente enquanto Antonie tomava café.

ANTONIE: — Posso perguntar uma coisa?

FLOR: — Pode.

ANTONIE: — Você se arrepende de ter aceitado aquele primeiro jantar?

Flor pensou.

FLOR: — Não.

Antonie sorriu.

ANTONIE: — Eu também não.

Flor ficou alguns segundos em silêncio.

FLOR: — Mas ainda existe uma coisa que me preocupa.

ANTONIE: — Paula.

Flor assentiu.

FLOR: — Eu não quero machucar ninguém.

Antonie respondeu calmamente:

ANTONIE: — Eu sei.

FLOR: — E também não quero que você tome nenhuma decisão por minha causa.

ANTONIE: — Entendi.

FLOR: — Se algum dia você quiser realmente ficar comigo, essa decisão precisa ser sua.

Antonie ficou em silêncio.

ANTONIE: — Você tem razão.

Um momento inesperado

Quando saíram do café, os dois voltaram a caminhar.

Em uma rua mais tranquila, Antonie parou.

Flor percebeu.

FLOR: — O que foi?

Antonie olhou para ele.

ANTONIE: — Flor…

FLOR: — Sim?

Por alguns segundos, Antonie pareceu hesitar.

Então se aproximou e deu a Flor um beijo breve.

Flor ficou surpreso.

O momento terminou rapidamente.

Os dois se afastaram.

Flor levou alguns segundos para processar o que havia acontecido.

FLOR: — Antonie…

ANTONIE: — Desculpa.

Flor olhou para ele.

Não estava com raiva.

Estava apenas confuso com os próprios sentimentos.

Depois de alguns segundos, Flor se aproximou novamente e correspondeu ao beijo de forma breve e carinhosa.

Quando se afastaram, os dois ficaram em silêncio.

Antonie respirou fundo.

ANTONIE: — Você está me deixando louco.

Flor deu um pequeno sorriso.

FLOR: — Talvez porque você complique tudo.

Antonie riu baixinho.

Mas Flor logo ficou sério.

FLOR: — Antonie, isso não muda o que conversamos.

ANTONIE: — Eu sei.

FLOR: — Paula continua existindo.

ANTONIE: — Eu sei.

FLOR: — Então não quero que isso vire alguma coisa escondida.

Antonie assentiu.

ANTONIE: — Não vai.

Flor segurou o casaco junto ao corpo e olhou para as luzes da cidade.

FLOR: — Então vamos devagar.

ANTONIE: — Devagar.

Os dois continuaram caminhando lado a lado.

Aquela noite não resolveu todos os problemas.

Mas deixou uma coisa clara para ambos:

os sentimentos estavam começando a ficar cada vez mais difíceis de ignorar.

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