MEU AMOR EM PARIS

Capítulo 16

MEU AMOR EM PARIS

Os dias seguintes passaram lentamente.

Depois do jantar, alguma coisa havia mudado entre Flor e Antonie.

Não era uma relação definida. Não havia promessas.

Era apenas uma aproximação cuidadosa.

Antonie passou a respeitar o espaço de Flor. Não o procurava pelos corredores do hotel sem necessidade e não usava sua posição de proprietário para obrigá-lo a conversar.

Quando se encontravam, porém, havia sempre um cumprimento.

Um sorriso.

Uma pequena conversa.

E, aos poucos, Flor começou a perceber que gostava daqueles momentos.

Uma manhã no hotel

Flor estava organizando alguns documentos na recepção quando Antonie entrou no saguão.

Ele conversava com Henri sobre os negócios do hotel.

HENRI: — Os hóspedes elogiaram bastante o serviço esta semana.

ANTONIE: — Isso é importante. Quero manter esse padrão.

Flor continuou trabalhando.

Antonie percebeu sua presença.

ANTONIE: — Bom dia, Flor.

Flor levantou os olhos.

FLOR: — Bom dia.

Antonie sorriu e voltou a conversar com Henri.

Flor observou os dois por alguns segundos.

Era estranho.

Antonie não estava tentando chamar sua atenção.

Não estava provocando.

Apenas o cumprimentara.

E aquilo, de alguma maneira, fez Flor sorrir.

Clara percebeu.

CLARA: — O que foi?

Flor imediatamente voltou a olhar para os papéis.

FLOR: — Nada.

CLARA: — Você estava sorrindo.

FLOR: — Eu posso sorrir, não posso?

CLARA: — Claro.

Clara riu e voltou ao trabalho.

Flor respirou aliviado.

Mais uma vez, não contou nada.

Um café

Na hora do intervalo, Flor saiu para tomar um café.

Sentou-se em uma pequena mesa próxima à janela.

Pouco depois, ouviu uma voz conhecida.

ANTONIE: — Posso me sentar?

Flor olhou para ele.

FLOR: — Você não precisa pedir permissão.

ANTONIE: — Prefiro pedir.

Flor sorriu.

FLOR: — Pode.

Antonie sentou-se.

Por alguns instantes, os dois apenas tomaram café.

ANTONIE: — Como está sua família?

Flor ficou surpreso com a pergunta.

FLOR: — Bem. Recebi uma carta da minha mãe.

ANTONIE: — Isso é bom.

FLOR: — Ela está orgulhosa de mim.

Antonie sorriu.

ANTONIE: — E você está orgulhoso de si mesmo?

Flor pensou.

FLOR: — Ainda estou tentando.

Antonie olhou para ele com atenção.

ANTONIE: — Acho que deveria estar.

Flor abaixou os olhos.

FLOR: — Você fala como se me conhecesse há anos.

ANTONIE: — Não conheço. Por isso quero conhecer.

Flor ficou em silêncio.

Aquelas palavras mexeram com ele.

O conflito de Flor

Quando Antonie saiu para continuar suas tarefas, Flor permaneceu sentado.

Ele olhou para a xícara de café.

Sabia que estava começando a gostar da companhia de Antonie.

Gostava das conversas.

Gostava da maneira como Antonie parecia realmente prestar atenção quando ele falava.

E era justamente isso que o assustava.

Flor sabia que havia um problema.

FLOR: — Ele está com a Paula…

Falou baixinho.

Flor não queria ser responsável por machucar outra pessoa.

Paula não havia feito nada contra ele.

Ela nem sequer o conhecia direito.

E, mesmo assim, Flor estava começando a ocupar um espaço na vida de Antonie.

Ele levantou-se e voltou ao trabalho.

Durante o resto do dia, tentou manter distância.

Um encontro no corredor

No fim da tarde, Antonie encontrou Flor sozinho no corredor.

ANTONIE: — Flor.

Flor parou.

FLOR: — Oi.

ANTONIE: — Você está me evitando?

Flor ficou quieto.

FLOR: — Talvez.

Antonie não se aproximou.

ANTONIE: — Fiz alguma coisa?

FLOR: — Não.

ANTONIE: — Então o que aconteceu?

Flor respirou fundo.

FLOR: — Você sabe.

Antonie entendeu.

ANTONIE: — Paula.

Flor assentiu.

FLOR: — Eu gosto de conversar com você.

Antonie ficou em silêncio.

FLOR: — Esse é justamente o problema.

ANTONIE: — Por quê?

Flor olhou diretamente para ele.

FLOR: — Porque você tem alguém.

Antonie baixou os olhos por um momento.

FLOR: — Eu não quero me tornar a pessoa que fica entre vocês dois.

ANTONIE: — Você não está fazendo isso.

FLOR: — Ainda não.

A resposta deixou Antonie pensativo.

Flor continuou:

FLOR: — Eu não quero fazer nada escondido.

ANTONIE: — Eu entendo.

FLOR: — Se um dia você quiser alguma coisa comigo, primeiro precisa resolver sua situação com ela.

Antonie assentiu lentamente.

ANTONIE: — Você tem razão.

Flor ficou surpreso.

FLOR: — Você não vai discutir?

ANTONIE: — Não.

Ele respirou fundo.

ANTONIE: — Você está colocando um limite. E eu vou respeitá-lo.

Flor sentiu um certo alívio.

FLOR: — Obrigado.

Antonie sorriu discretamente.

ANTONIE: — Mas posso continuar sendo seu amigo?

Flor pensou por alguns segundos.

Então sorriu.

FLOR: — Amigos podem tomar café.

ANTONIE: — Então temos um acordo.

Flor assentiu.

FLOR: — Temos.

Antonie seguiu pelo corredor.

Flor ficou parado observando-o se afastar.

Ele ainda sentia aquela confusão dentro do peito.

Sabia que estava se aproximando de Antonie.

Sabia também que aquilo poderia terminar machucando alguém.

Por isso, naquele momento, decidiu que não ultrapassaria nenhum limite.

Se Antonie realmente quisesse estar com ele algum dia, teria primeiro que tomar suas próprias decisões.

E Flor não faria isso por ele.

Naquela noite, enquanto caminhava de volta para a pensão, Flor olhou para as luzes de Paris.

FLOR: — Talvez gostar de alguém também seja saber quando esperar.

E continuou seu caminho, decidido a proteger tanto o próprio coração quanto o de Paula.

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