
Capítulo 15
MEU AMOR EM PARIS
A manhã chegou devagar sobre Paris.
A luz do sol atravessava as cortinas do quarto do hotel, iluminando o ambiente. Do lado de fora, a cidade começava novamente sua rotina: carros circulando pelas ruas, pessoas caminhando apressadas e cafés abrindo suas portas.
Flor acordou cedo.
Por alguns segundos, ficou olhando para o teto, tentando lembrar onde estava.
Então se lembrou da noite anterior.
O jantar.
A conversa.
Antonie.
Flor sentou-se na cama.
FLOR: — Foi só um jantar.
Ele tentou convencer a si mesmo.
Mas um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.
Flor levantou-se, arrumou suas coisas e se preparou para sair.
Quando abriu a porta do quarto, encontrou Antonie no corredor.
Ele também estava pronto para sair.
ANTONIE: — Bom dia.
FLOR: — Bom dia.
ANTONIE: — Dormiu bem?
FLOR: — Muito bem.
Antonie sorriu.
ANTONIE: — Fico feliz.
Os dois caminharam juntos até o elevador.
Durante alguns segundos, ficaram em silêncio.
Então Flor perguntou:
FLOR: — Você sempre acorda tão cedo?
ANTONIE: — Quase sempre. Tenho reuniões logo pela manhã.
FLOR: — Deve ser cansativo.
ANTONIE: — Às vezes.
As portas do elevador se abriram.
Eles entraram.
ANTONIE: — E você?
FLOR: — Preciso voltar para o hotel.
ANTONIE: — Hoje você está de folga.
Flor olhou para ele.
FLOR: — Como você sabe?
Antonie sorriu.
ANTONIE: — Sou o dono.
Flor fez uma expressão divertida.
FLOR: — Ah, claro. Esqueci.
Antonie riu.
Na recepção
Quando chegaram ao térreo, Clara estava trabalhando na recepção.
Ao ver Flor chegando com Antonie, ficou surpresa.
Flor percebeu imediatamente.
FLOR: — Bom dia, Clara.
CLARA: — Bom dia.
Clara olhou rapidamente para Antonie.
CLARA: — Bom dia, senhor Antonie.
ANTONIE: — Bom dia, Clara.
Flor não explicou nada.
Clara também não perguntou.
Antonie percebeu que Flor queria manter sua vida pessoal separada do trabalho.
ANTONIE: — Flor, você vai para casa?
FLOR: — Sim.
ANTONIE: — Então tenha um bom descanso.
FLOR: — Obrigado.
Flor começou a caminhar em direção à saída.
Antes de sair, olhou para trás.
Antonie ainda estava conversando com Clara.
Por alguns segundos, os olhares dos dois se encontraram.
Flor sorriu discretamente e foi embora.
De volta à pensão
Flor chegou à pensão perto do meio da manhã.
Madame Celine estava na sala, organizando algumas roupas.
Assim que o viu entrar, levantou os olhos.
CELINE: — Finalmente!
Flor colocou o casaco sobre uma cadeira.
FLOR: — Bom dia.
CELINE: — Você passou a noite fora.
Flor ficou sem jeito.
FLOR: — Eu sei.
CELINE: — E então?
Flor sorriu.
FLOR: — Foi uma noite tranquila.
Celine cruzou os braços.
CELINE: — Só isso?
FLOR: — Só.
Ela percebeu que Flor não queria falar muito.
CELINE: — Tudo bem. Não vou fazer perguntas.
Flor sorriu agradecido.
FLOR: — Obrigado.
Ele subiu para o quarto.
Ao entrar, encontrou uma carta sobre sua pequena mesa.
Reconheceu imediatamente a letra.
Era de sua mãe.
Flor abriu a carta e começou a ler.
Ela perguntava sobre o trabalho, sobre Paris e dizia que toda a família estava orgulhosa dele.
Flor sentou-se na cama.
Seus olhos ficaram marejados.
FLOR: — Eu vou conseguir.
Guardou a carta com cuidado.
Antonie e Paula
Enquanto isso, Antonie havia retornado para sua residência.
Paula estava na sala.
Ela percebeu imediatamente que Antonie parecia diferente.
PAULA: — Você está de bom humor.
Antonie tirou o casaco.
ANTONIE: — Estou apenas descansado.
Paula observou-o.
PAULA: — Alguma coisa aconteceu?
Antonie ficou em silêncio por um instante.
ANTONIE: — Jantei com alguém ontem.
Paula ficou surpresa.
PAULA: — Com quem?
Antonie sabia que aquela conversa precisava ser tratada com honestidade.
ANTONIE: — Com Flor.
O sorriso de Paula desapareceu.
Ela ficou alguns segundos em silêncio.
PAULA: — O funcionário do hotel?
ANTONIE: — Sim.
PAULA: — Então você realmente está interessado nele.
Antonie não tentou negar.
ANTONIE: — Estou.
Paula respirou fundo.
PAULA: — E o que pretende fazer?
ANTONIE: — Conhecê-lo.
Paula olhou para ele.
PAULA: — E nós?
A pergunta ficou suspensa no ambiente.
Antonie não tinha uma resposta simples.
ANTONIE: — Eu não quero mentir para você.
Paula assentiu lentamente.
PAULA: — Então não minta.
Ela se levantou e caminhou até a janela.
PAULA: — Se você está começando a sentir alguma coisa por outra pessoa, precisamos conversar sobre isso.
Antonie ficou em silêncio.
Aquela conversa ainda teria consequências.
Um novo dia
Mais tarde, Flor caminhava pelas ruas de Paris.
Ele carregava a carta da mãe dentro do bolso do casaco.
Pensava no trabalho.
Pensava em sua família.
E, apesar de tentar evitar, pensava também em Antonie.
O jantar havia mudado alguma coisa.
Não era amor.
Ainda não.
Era apenas curiosidade.
Uma vontade de conhecer melhor aquele homem que, até pouco tempo atrás, Flor considerava apenas um incômodo.
Ele parou diante de uma vitrine.
Sorriu para si mesmo.
FLOR: — Vamos ver onde isso vai dar.
Então continuou caminhando pelas ruas de Paris.
Sem saber que, naquele mesmo momento, Antonie também estava tomando decisões que poderiam mudar completamente a vida dos dois.