MEU AMOR EM PARIS

Capítulo 14

MEU AMOR EM PARIS

A noite havia chegado.

Paris estava iluminada pelas luzes dos postes, dos cafés e das vitrines. A chuva tinha parado, deixando as ruas úmidas e refletindo as luzes dos carros.

Flor havia passado boa parte da tarde pensando no convite.

Ele ainda não sabia exatamente o que esperar daquele jantar.

Mas havia aceitado.

E agora precisava cumprir sua palavra.

Na pensão de Madame Celine, Flor se arrumou com simplicidade. Escolheu sua melhor roupa, penteou os cabelos e conferiu sua aparência diante do pequeno espelho do quarto.

Madame Celine apareceu na porta.

CELINE: — Vai sair?

Flor se virou.

FLOR: — Vou jantar.

CELINE: — Com alguém especial?

Flor ficou um pouco sem graça.

FLOR: — É apenas um jantar.

Celine sorriu.

CELINE: — Claro. Apenas um jantar.

FLOR: — Madame Celine…

Ela riu.

CELINE: — Divirta-se, rapaz.

Flor pegou o casaco.

FLOR: — Eu volto mais tarde.

CELINE: — Estarei acordada.

Flor saiu.

O restaurante

Um carro esperava próximo à rua.

Antonie estava do lado de fora.

Quando viu Flor, sorriu.

ANTONIE: — Boa noite.

FLOR: — Boa noite.

ANTONIE: — Está pronto?

FLOR: — Acho que sim.

Antonie abriu a porta do carro para ele.

Flor entrou, e Antonie seguiu para o outro lado.

Durante o caminho, nenhum dos dois falou muito.

Paris passava pelas janelas.

Cafés movimentados, cinemas, táxis e pessoas caminhando pelas calçadas davam à cidade uma atmosfera especial.

Depois de alguns minutos, chegaram ao restaurante.

Era um estabelecimento elegante, mas tranquilo.

Um garçom os recebeu e os conduziu até uma mesa próxima à janela.

Flor olhou ao redor.

FLOR: — É muito bonito.

ANTONIE: — Fico feliz que tenha gostado.

Eles se sentaram.

Um garçom entregou os cardápios.

Flor abriu o seu e observou as opções.

FLOR: — Acho que não conheço metade dessas coisas.

Antonie riu.

ANTONIE: — Então hoje você pode experimentar algo novo.

FLOR: — Desde que não seja muito estranho.

ANTONIE: — Prometo escolher alguma coisa simples.

O garçom voltou.

Eles fizeram seus pedidos.

Quando ficaram novamente sozinhos, Flor apoiou as mãos sobre a mesa.

FLOR: — Então…

ANTONIE: — Então?

FLOR: — Você disse que queria me conhecer.

ANTONIE: — Disse.

FLOR: — Pode começar.

Antonie sorriu.

ANTONIE: — Certo. De onde você veio?

FLOR: — Do interior da França.

ANTONIE: — E por que Paris?

Flor olhou pela janela.

FLOR: — Porque eu queria uma oportunidade.

ANTONIE: — De trabalho?

FLOR: — Principalmente.

Ele fez uma pequena pausa.

FLOR: — Minha família não tem muito dinheiro. Eu queria conseguir um emprego e ajudar em casa.

Antonie ouviu atentamente.

ANTONIE: — Você sente falta deles?

FLOR: — Todos os dias.

Flor sorriu tristemente.

FLOR: — Mas sei que preciso construir minha própria vida também.

Antonie ficou impressionado com a resposta.

ANTONIE: — Você é mais determinado do que parece.

FLOR: — E você é diferente do que eu imaginava.

ANTONIE: — Isso é bom ou ruim?

Flor pensou.

FLOR: — Ainda estou decidindo.

Antonie riu.

Conhecendo um ao outro

A comida chegou.

A conversa continuou durante o jantar.

Flor descobriu que Antonie gostava de arquitetura, negócios e de conhecer lugares diferentes.

Antonie descobriu que Flor gostava de música, de caminhar pela cidade e que tinha sonhos muito maiores do que simplesmente conseguir um emprego.

ANTONIE: — Se pudesse fazer qualquer coisa no futuro, o que faria?

Flor ficou pensativo.

FLOR: — Eu gostaria de ter uma casa confortável para minha família.

ANTONIE: — Só isso?

Flor sorriu.

FLOR: — Por enquanto, sim.

ANTONIE: — E para você?

Flor demorou um pouco para responder.

FLOR: — Quero descobrir.

Antonie assentiu.

ANTONIE: — Essa é uma resposta honesta.

Flor tomou um pouco de água.

FLOR: — E você? Já conseguiu tudo o que queria?

Antonie ficou pensativo.

ANTONIE: — Tenho dinheiro. Tenho empresas. Tenho coisas que muita gente gostaria de ter.

Ele olhou para a janela.

ANTONIE: — Mas isso não significa que eu tenha encontrado tudo o que procuro.

Flor observou-o em silêncio.

A conversa começava a ficar mais profunda.

E, pela primeira vez, Flor percebeu que Antonie não era apenas o homem rico que ele havia imaginado.

Havia muito mais por trás daquela pessoa.

O fim do jantar

Depois de algum tempo, os pratos foram retirados.

Flor percebeu que a noite havia passado rapidamente.

FLOR: — Eu gostei daqui.

ANTONIE: — Eu gostei da companhia.

Flor sorriu discretamente.

Quando saíram do restaurante, o ar estava frio.

Antonie percebeu que Flor estava com frio e perguntou:

ANTONIE: — Quer voltar para casa?

Flor hesitou.

FLOR: — Acho que sim.

Antonie assentiu.

Os dois caminharam até o carro.

Durante o caminho, Flor ficou olhando pela janela.

Então percebeu que estavam seguindo por outra direção.

FLOR: — Antonie?

ANTONIE: — Sim?

FLOR: — Para onde estamos indo?

Antonie respondeu tranquilamente:

ANTONIE: — Para o hotel.

Flor ficou surpreso.

FLOR: — Hotel?

ANTONIE: — O clima está ficando mais frio e está tarde. Pensei que seria melhor você descansar em um lugar confortável antes de decidir se quer voltar para a pensão.

Flor ficou alguns segundos em silêncio.

FLOR: — Eu não quero que isso pareça outra coisa.

Antonie olhou para ele.

ANTONIE: — Não vai acontecer nada que você não queira.

Flor respirou fundo.

A resposta o tranquilizou.

FLOR: — Tudo bem.

Uma noite tranquila

O hotel era elegante e silencioso.

Antonie pediu dois quartos separados.

Flor ficou surpreso.

FLOR: — Dois quartos?

ANTONIE: — Claro.

FLOR: — Eu achei que…

ANTONIE: — Eu sei o que você achou.

Antonie sorriu.

ANTONIE: — Mas eu disse que queria ganhar sua confiança. Isso começa respeitando você.

Flor ficou em silêncio por alguns segundos.

Então sorriu.

FLOR: — Obrigado.

No quarto, Flor colocou o casaco sobre uma cadeira e olhou pela janela.

Paris continuava iluminada.

Pouco depois, bateram à porta.

Era Antonie.

ANTONIE: — Está tudo bem?

FLOR: — Está.

ANTONIE: — Gostou do jantar?

Flor sorriu.

FLOR: — Gostei.

ANTONIE: — Eu também.

Os dois permaneceram alguns minutos conversando à porta.

Sem pressa.

Sem cobranças.

Aquela noite não precisava ser mais do que aquilo.

Uma conversa.

Um jantar.

E a primeira oportunidade verdadeira de dois desconhecidos começarem a se conhecer.

Antes de ir embora, Antonie disse:

ANTONIE: — Boa noite, Flor.

FLOR: — Boa noite, Antonie.

Antonie voltou para seu quarto.

Flor fechou a porta e ficou alguns segundos encostado nela.

Ele estava sorrindo.

FLOR: — Talvez ele não seja tão ruim assim.

Do outro lado do corredor, Antonie também pensava naquela noite.

Pela primeira vez, não estava interessado apenas em conquistar a atenção de Flor.

Queria conquistar sua confiança.

E sabia que isso levaria tempo.

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