
Capítulo 13
MEU AMOR EM PARIS
O fim da tarde chegava lentamente a Paris.
A chuva que havia caído durante boa parte do dia começava a diminuir, deixando as ruas cobertas por um brilho úmido. Os faróis dos carros refletiam no asfalto, enquanto táxis passavam pelas avenidas movimentadas.
Dentro do hotel, o movimento também começava a diminuir.
Flor terminava de organizar o último quarto de sua lista. Desde a reunião daquela manhã, ele tentava agir normalmente.
Mas não era fácil.
Agora ele sabia que Antonie era o proprietário do hotel.
E, pior ainda, Antonie sabia que Flor trabalhava ali.
Flor colocou os últimos objetos no lugar e conferiu o quarto uma última vez.
FLOR: — Pronto.
Ele pegou o carrinho e saiu.
Quando chegou ao corredor, encontrou Henri.
HENRI: — Flor.
FLOR: — Sim?
HENRI: — Quando terminar suas tarefas, pode passar no escritório do proprietário?
Flor parou.
FLOR: — No escritório do senhor Antonie?
HENRI: — Sim. Ele pediu para falar com você.
Flor respirou fundo.
FLOR: — Ele disse o motivo?
HENRI: — Não. Apenas pediu que você fosse quando terminasse.
Flor assentiu.
FLOR: — Tudo bem.
Henri seguiu pelo corredor.
Flor ficou alguns segundos parado.
Ele não sabia o que Antonie queria.
Mas decidiu não criar problemas antes da hora.
Terminou o trabalho, guardou seus objetos e seguiu até o elevador.
O escritório
O elevador chegou ao último andar.
Flor saiu e caminhou pelo corredor silencioso.
Parou diante da porta.
Bateu duas vezes.
ANTONIE: — Entre.
Flor abriu a porta.
Antonie estava sentado atrás da grande mesa de madeira. Alguns documentos estavam espalhados sobre ela, e o telefone fixo permanecia ao lado de uma pilha de papéis.
Antonie levantou os olhos.
ANTONIE: — Flor. Obrigado por vir.
FLOR: — O senhor pediu para falar comigo.
ANTONIE: — Pedi.
Flor permaneceu próximo à porta.
Antonie percebeu.
ANTONIE: — Pode se sentar.
Flor caminhou até a cadeira e se sentou.
Antonie fechou a pasta que estava lendo.
Por alguns segundos, ficou em silêncio.
Então decidiu falar diretamente.
ANTONIE: — Antes de qualquer coisa, quero que você saiba que essa conversa não tem relação com seu trabalho.
Flor ficou atento.
FLOR: — Então é sobre o quê?
Antonie apoiou as mãos sobre a mesa.
ANTONIE: — Sobre nós.
Flor franziu levemente a testa.
FLOR: — Nós?
ANTONIE: — Sobre os encontros que tivemos antes de você descobrir quem eu sou.
Flor desviou o olhar.
FLOR: — Eu imaginei.
Antonie respirou fundo.
ANTONIE: — Eu sei que fui insistente.
Flor soltou uma pequena risada.
FLOR: — Foi.
Antonie sorriu de leve.
ANTONIE: — Pelo menos você é sincero.
FLOR: — Você perguntou.
ANTONIE: — É verdade.
O ambiente ficou silencioso novamente.
Dessa vez, Antonie parecia escolher cuidadosamente suas palavras.
ANTONIE: — Eu quero ser honesto com você.
Flor olhou para ele.
ANTONIE: — Desde aquele primeiro encontro na rua, eu fiquei interessado em você.
Flor não respondeu.
Antonie continuou:
ANTONIE: — Não estou falando apenas da sua aparência ou de uma impressão passageira. Quero conhecer você de verdade.
Flor ficou surpreso.
FLOR: — Você nem me conhece.
ANTONIE: — Exatamente.
FLOR: — Então como pode dizer que está interessado?
Antonie sorriu discretamente.
ANTONIE: — Porque quero justamente descobrir quem você é.
Flor permaneceu calado.
Antonie continuou:
ANTONIE: — Quero saber sobre sua vida, sua família, seus sonhos, o que você gosta, o que pretende fazer em Paris.
Flor abaixou os olhos.
Aquilo era diferente das outras abordagens de Antonie.
Não havia brincadeira.
Não havia provocação.
Era uma conversa séria.
FLOR: — E a Paula?
Antonie ficou em silêncio por alguns segundos.
ANTONIE: — Paula é uma pessoa importante na minha vida.
Flor assentiu.
FLOR: — Então isso complica tudo.
ANTONIE: — Eu sei.
FLOR: — Eu não quero entrar no meio de um relacionamento.
ANTONIE: — E não quero colocar você nessa posição.
Flor olhou para ele novamente.
ANTONIE: — Por isso estou falando claramente com você. Não quero esconder minhas intenções nem fingir que estou apenas sendo gentil.
Flor respirou fundo.
FLOR: — Então você realmente está interessado em mim?
ANTONIE: — Sim.
A resposta foi imediata.
Flor ficou pensativo.
O convite
Antonie se levantou e caminhou até a janela.
Lá fora, Paris começava a acender suas luzes.
ANTONIE: — Por isso quero fazer uma coisa diferente.
Flor esperou.
Antonie virou-se para ele.
ANTONIE: — Quero convidar você para jantar.
Flor arregalou um pouco os olhos.
FLOR: — Jantar?
ANTONIE: — Sim.
FLOR: — Você está me convidando para sair?
ANTONIE: — Estou.
Flor ficou em silêncio.
Antonie acrescentou:
ANTONIE: — Mas quero deixar claro que você pode dizer não.
Flor observou Antonie por alguns segundos.
ANTONIE: — E, se aceitar, não será uma obrigação. Também não será uma conversa sobre trabalho. Quero apenas sentar com você e conversar.
Flor passou alguns segundos pensando.
Uma parte dele ainda desconfiava daquele homem.
Afinal, Antonie tinha aparecido diversas vezes em sua vida desde que chegara a Paris.
Mas aquela conversa era diferente.
Ele não estava sendo pressionado.
Antonie havia finalmente colocado a escolha nas mãos de Flor.
FLOR: — Onde?
Antonie sorriu.
ANTONIE: — Conheço um restaurante tranquilo no centro.
FLOR: — Chique?
ANTONIE: — Provavelmente.
Flor riu baixinho.
FLOR: — Eu nunca fui a um lugar desses.
ANTONIE: — Então pode ser uma experiência nova.
Flor pensou mais um pouco.
Depois levantou os olhos.
FLOR: — Tudo bem.
Antonie ficou surpreso.
ANTONIE: — Você aceita?
Flor assentiu.
FLOR: — Aceito jantar com você.
Um sorriso apareceu no rosto de Antonie.
ANTONIE: — Então está combinado.
FLOR: — Mas com uma condição.
ANTONIE: — Qual?
Flor levantou um dedo.
FLOR: — Nada de ficar falando do meu trabalho durante o jantar.
Antonie riu.
ANTONIE: — Prometo.
FLOR: — E nada de me tratar como se eu fosse um funcionário.
ANTONIE: — Também prometo.
Flor sorriu pela primeira vez naquela conversa.
FLOR: — Então está combinado.
Depois da conversa
Flor se levantou.
FLOR: — Eu preciso ir. Madame Celine deve estar me esperando.
ANTONIE: — Claro.
Flor caminhou até a porta.
Antes de sair, olhou para trás.
FLOR: — Antonie?
ANTONIE: — Sim?
FLOR: — Obrigado por falar comigo diretamente.
Antonie assentiu.
ANTONIE: — Obrigado por aceitar.
Flor abriu a porta.
FLOR: — Boa noite.
ANTONIE: — Boa noite, Flor.
A porta se fechou.
Antonie ficou sozinho no escritório.
Por alguns segundos, apenas sorriu.
Pela primeira vez, Flor havia aceitado voluntariamente passar algum tempo com ele.
Mas Antonie sabia que aquele jantar seria apenas o começo de uma conversa.
Enquanto isso, Flor entrou no elevador.
Quando as portas se fecharam, ele encostou-se à parede e soltou o ar lentamente.
FLOR: — O que foi que eu acabei de fazer?
Ele balançou a cabeça, mas não conseguiu esconder um pequeno sorriso.
Naquela noite, Paris teria uma nova história para contar.
E, pela primeira vez, Flor e Antonie iriam se encontrar não por acaso, nem por causa do trabalho.
Iriam se encontrar porque Flor havia escolhido aceitar o convite.