
Capítulo 12
MEU AMOR EM PARIS
Naquela manhã, Paris parecia diferente.
O hotel onde Flor trabalhava estava fechado para hóspedes durante algumas horas. As grandes portas permaneciam fechadas, e uma pequena placa informava que o estabelecimento não receberia clientes naquele período.
Era um dia reservado para uma reunião geral com os funcionários.
Flor não sabia disso quando acordou.
Como de costume, levantou cedo, tomou café na pensão e vestiu sua roupa de trabalho.
Ao descer, encontrou Madame Celine.
MADAME CELINE: — Bom dia, Flor.
FLOR: — Bom dia.
MADAME CELINE: — Hoje você está com uma cara séria.
Flor ajeitou a bolsa.
FLOR: — É que eu ainda estou tentando me acostumar com o trabalho.
MADAME CELINE: — Você está gostando?
Flor sorriu.
FLOR: — Muito.
MADAME CELINE: — Então continue fazendo seu melhor.
FLOR: — Vou continuar.
Ele saiu.
O hotel estava diferente
Quando Flor chegou ao hotel, imediatamente percebeu que havia alguma coisa estranha.
Não havia hóspedes entrando e saindo.
Não havia malas sendo carregadas.
A recepção estava mais silenciosa.
Vários funcionários estavam reunidos no grande salão.
Flor aproximou-se de Clara.
FLOR: — Bom dia.
CLARA: — Bom dia, Flor.
FLOR: — O que aconteceu?
CLARA: — Hoje é a reunião geral.
FLOR: — Reunião?
CLARA: — Sim. O hotel vai ficar fechado durante algumas horas para isso.
Flor olhou ao redor.
FLOR: — E por que ninguém me avisou?
CLARA: — Henri comentou ontem.
Flor levou a mão à testa.
FLOR: — Eu devo ter esquecido.
Clara riu.
CLARA: — Não se preocupe. É só uma reunião com os funcionários.
FLOR: — Só?
CLARA: — Sim.
FLOR: — E quem vai participar?
Clara respondeu naturalmente:
CLARA: — O gerente, os supervisores, os funcionários… e o dono.
Flor assentiu.
FLOR: — O dono?
CLARA: — Sim.
Flor nunca tinha visto o proprietário pessoalmente.
Para ele, o hotel simplesmente pertencia a um empresário rico que raramente aparecia.
Ele jamais imaginaria quem era.
Pouco depois, Henri entrou na sala.
Ele carregava uma pasta e parecia mais sério do que de costume.
HENRI: — Bom dia a todos.
Os funcionários responderam quase ao mesmo tempo.
FUNCIONÁRIOS: — Bom dia.
Henri colocou a pasta sobre uma mesa.
HENRI: — Como vocês sabem, nosso hotel está passando por algumas mudanças administrativas. Hoje teremos uma reunião com o proprietário.
Flor estava sentado mais ao fundo.
Ao ouvir a palavra proprietário, seu coração acelerou levemente.
Até aquele momento, ele nunca havia visto o dono pessoalmente.
Para Flor, aquilo não passava de mais uma pessoa rica que provavelmente apareceria, faria um discurso e iria embora.
Ele respirou fundo.
FLOR: — Vai ficar tudo bem.
Disse baixinho para si mesmo.
Então as portas da sala se abriram.
Henri imediatamente ficou de pé.
Os funcionários fizeram o mesmo.
Um homem entrou usando um elegante terno escuro.
Flor levantou os olhos.
E congelou.
Era ele.
Antonie.
Por alguns segundos, Flor simplesmente ficou imóvel.
A lembrança dos últimos encontros voltou de uma vez.
A rua.
A chuva.
O convite para jantar.
A carona que ele havia recusado.
A conversa na frente do hotel.
E, principalmente, suas próprias palavras.
“Você não cansa de perturbar as pessoas, não?”
Depois:
“Sua mulher sabe que você tá me seguindo?”
E, por último:
“Não me interessa nada que você vai me falar. Boa noite.”
Flor sentiu o rosto esquentar.
FLOR: — Meu Deus…
Falou tão baixo que ninguém ouviu.
Agora ele finalmente entendia.
O homem que vinha insistindo em falar com ele era justamente o proprietário do hotel onde trabalhava.
Flor olhou rapidamente para baixo.
FLOR: — Agora eu perco meu emprego.
Clara, que estava sentada próxima, percebeu apenas que Flor havia ficado nervoso.
CLARA: — Flor?
Ele levantou os olhos.
FLOR: — O quê?
CLARA: — Você ficou pálido.
Flor imediatamente inventou uma explicação simples.
FLOR: — É só nervosismo. Eu nunca participei de uma reunião assim.
Clara sorriu tranquilamente.
CLARA: — Vai dar tudo certo.
Flor apenas assentiu.
Ele não contou nada.
Henri tomou a palavra.
HENRI: — Gostaria de apresentar oficialmente o proprietário do hotel, senhor Antonie.
Alguns funcionários cumprimentaram Antonie.
ANTONIE: — Bom dia.
FUNCIONÁRIOS: — Bom dia, senhor.
Antonie olhou pela sala.
Então encontrou Flor.
Por um instante, seus olhos se cruzaram.
Flor desviou imediatamente o olhar.
Antonie percebeu.
Mas não disse nada.
Ele não mencionou seus encontros anteriores.
Não fez nenhuma brincadeira.
Não colocou Flor em uma situação constrangedora diante dos outros funcionários.
Apenas caminhou até a frente da sala.
ANTONIE: — Sei que mudanças podem causar preocupação. Mas quero deixar claro que o trabalho de cada funcionário é importante para este hotel.
Flor permaneceu em silêncio.
Antonie continuou falando sobre a administração, os planos para o hotel e a importância de manter o bom atendimento aos hóspedes.
Depois de alguns minutos, Henri acrescentou:
HENRI: — Aproveitando a presença do proprietário, gostaria também de destacar o desempenho de alguns funcionários.
Flor levantou os olhos.
HENRI: — Temos recebido elogios de vários hóspedes nas últimas semanas.
Antonie olhou para Henri.
ANTONIE: — Quem tem recebido esses elogios?
Henri abriu uma pasta.
HENRI: — Entre outros funcionários, o jovem Flor.
Flor sentiu o coração bater mais forte.
HENRI: — Ele começou recentemente, mas tem sido extremamente cuidadoso com os quartos e muito educado com os hóspedes.
Uma funcionária ao lado comentou:
FUNCIONÁRIA: — Alguns hóspedes já perguntaram por ele.
Clara sorriu.
CLARA: — Ele realmente trabalha muito bem.
Flor ficou sem graça com os elogios.
FLOR: — Obrigado.
Antonie observou Flor por alguns segundos.
Mas não se aproximou.
ANTONIE: — Continue assim.
Flor apenas assentiu.
FLOR: — Sim, senhor.
Foi só isso.
Flor não acrescentou nenhuma palavra.
Não tentou conversar.
Não perguntou nada.
E, assim que a reunião terminou, ele foi um dos primeiros funcionários a deixar a sala.
No corredor, Flor respirou profundamente.
Ele precisava manter o emprego.
Era tudo o que importava.
Ele não podia deixar que aqueles encontros com Antonie atrapalhassem sua vida.
Clara saiu logo depois.
CLARA: — Flor, você vai para o seu setor?
FLOR: — Vou.
CLARA: — Até depois.
FLOR: — Até.
Flor seguiu pelo corredor.
Ele não procurou Antonie.
Não perguntou onde ele estava.
Não tentou falar com ele.
Na verdade, fez exatamente o contrário.
Sempre que percebia que Antonie estava próximo, Flor encontrava uma tarefa para fazer em outra parte do hotel.
Enquanto isso, Antonie permanecia na sala com Henri.
HENRI: — Alguma coisa preocupou o senhor?
Antonie fechou a pasta que estava segurando.
ANTONIE: — Não.
Henri assentiu.
HENRI: — O Flor é um bom funcionário.
Antonie olhou para a porta por onde o rapaz havia saído.
ANTONIE: — Eu percebi.
Henri sorriu.
HENRI: — Ele parece determinado a construir uma vida aqui em Paris.
ANTONIE: — Então deve ter espaço para ele fazer isso.
Henri ficou satisfeito com a resposta.
Antonie não iria usar sua posição para pressionar Flor.
Se Flor queria distância, ele teria que respeitar.
No final do expediente, Flor guardou suas coisas.
Antes de sair, olhou uma última vez para o grande salão do hotel.
Agora sabia quem era o proprietário.
E aquilo tornava tudo mais complicado.
Ele pegou seu casaco.
FLOR: — Eu só preciso continuar trabalhando.
Então saiu pela porta principal.
Sem procurar Antonie.
Sem esperar por ele.
Sem contar nada a Clara.
Flor queria apenas voltar para a pensão de Madame Celine e esquecer, pelo menos por algumas horas, que o homem que tanto o incomodava agora fazia parte do lugar onde ele precisava trabalhar.