
Capítulo 11
MEU AMOR EM PARIS
A noite havia chegado completamente a Paris.
Depois de sair do hotel, Flor caminhou pelas ruas tranquilas em direção à pensão de Madame Celine.
O movimento era menor do que durante o dia. As vitrines estavam iluminadas, alguns restaurantes começavam a receber clientes e os postes lançavam círculos de luz sobre as calçadas.
Flor caminhava com sua pequena bolsa junto ao corpo.
Apesar do cansaço, estava satisfeito.
Tinha conseguido terminar mais um dia de trabalho.
E os elogios dos hóspedes ainda estavam em sua cabeça.
FLOR: — Acho que estou realmente conseguindo…
Ele sorriu sozinho.
Mas, depois de alguns minutos, seu sorriso desapareceu.
Flor diminuiu o passo.
Uma dor conhecida havia começado.
Ele parou perto de uma parede e respirou fundo.
Não era a primeira vez.
Infelizmente, era algo que já fazia parte de sua vida.
Flor levou discretamente uma mão ao abdômen e esperou alguns segundos, tentando controlar o desconforto.
FLOR: — De novo…
Ele fechou os olhos.
Desde muito jovem, havia aprendido a conviver com aquelas dores causadas por sua condição no útero. Às vezes apareciam de repente, como naquela noite.
E, embora já estivesse acostumado, nunca significava que fosse fácil.
Flor esperou até conseguir continuar.
Na pensão
Quando finalmente chegou à pensão, abriu a porta devagar.
Madame Celine estava na sala, lendo uma revista perto do rádio.
Ao perceber Flor, levantou os olhos.
MADAME CELINE: — Você chegou.
FLOR: — Cheguei.
Ela percebeu imediatamente que havia alguma coisa diferente.
MADAME CELINE: — Está tudo bem?
Flor tentou sorrir.
FLOR: — Estou apenas cansado.
Madame Celine observou-o por alguns segundos.
MADAME CELINE: — Tem certeza?
FLOR: — Tenho.
Ele não queria preocupar ninguém.
Subiu as escadas lentamente.
Quando chegou ao quarto, fechou a porta e deixou a bolsa sobre a cadeira.
Sentou-se na cama.
A dor ainda estava presente.
Flor respirou profundamente e ficou alguns minutos em silêncio.
Ele sabia que precisava descansar.
Tirou o uniforme do hotel, vestiu uma roupa confortável e deitou-se.
Pegou o cobertor e se cobriu.
FLOR: — Amanhã passa…
Era o que sempre dizia para si mesmo.
Uma lembrança difícil
Deitado, Flor olhou para o teto.
Sua condição era algo que conhecia desde a adolescência.
Os médicos já haviam explicado que seu corpo funcionava de uma maneira diferente e que uma futura gravidez poderia ser difícil.
Flor nunca gostava de pensar muito nisso.
Principalmente porque ainda tinha apenas dezenove anos.
Seu objetivo naquele momento era outro.
Trabalhar.
Ajudar sua família.
Construir uma vida em Paris.
Ele virou o rosto para o pequeno criado-mudo.
Ali estava a fotografia de sua família.
Flor estendeu a mão e pegou o retrato.
Passou os dedos pela borda da fotografia.
FLOR: — Eu vou conseguir.
A dor ainda incomodava, mas sua preocupação maior era não faltar ao trabalho no dia seguinte.
Ele precisava daquele emprego.
Não queria decepcionar Henri.
Não queria perder a oportunidade que havia conseguido depois de tantos dias procurando.
Flor fechou os olhos.
FLOR: — Só preciso descansar.
Enquanto isso, na casa de Antonie
Naquela mesma noite, Antonie havia chegado à sua residência.
Paula estava esperando por ele.
PAULA: — Você demorou.
Antonie tirou o casaco.
ANTONIE: — Tive algumas coisas para resolver no hotel.
Paula observou o rosto dele.
PAULA: — Está tudo bem?
ANTONIE: — Sim.
Ela se aproximou.
PAULA: — Você parece distraído.
Antonie pensou por um instante.
A imagem de Flor parado na frente do hotel voltou à sua cabeça.
Mas ele decidiu não comentar.
ANTONIE: — Foi apenas um dia cheio.
Paula assentiu.
PAULA: — Então deveria descansar.
ANTONIE: — Você tem razão.
Enquanto Antonie tentava voltar à rotina, Flor estava sozinho em seu pequeno quarto, esperando que a dor diminuísse.
Uma noite silenciosa
As horas passaram.
O rádio tocava baixinho no quarto.
Flor permanecia deitado.
Pouco a pouco, o desconforto começou a diminuir.
Ele respirou aliviado.
FLOR: — Finalmente…
Pegou o relógio sobre o criado-mudo.
Já estava tarde.
Flor fechou os olhos.
Antes de dormir, pensou no hotel.
Pensou nos elogios que havia recebido.
Pensou em sua família.
E, contra sua vontade, lembrou-se de Antonie.
FLOR: — Aquele homem…
Ele soltou um suspiro.
FLOR: — Espero não encontrar ele amanhã.
Flor virou para o lado e fechou os olhos.
Sem saber que o dia seguinte traria novas surpresas.
E que sua condição, mantida em segredo por tanto tempo, poderia acabar chamando a atenção de alguém.