
Capítulo 10
MEU AMOR EM PARIS
O relógio do hotel já se aproximava do fim do expediente.
Depois de um dia inteiro de trabalho, o movimento no grande saguão começava a diminuir. Alguns hóspedes voltavam para seus quartos, outros saíam para jantar, e os funcionários começavam a encerrar suas tarefas.
Flor estava no terceiro andar, fazendo as últimas verificações.
Ele conferiu o último quarto da lista, ajeitou algumas toalhas e olhou ao redor.
Tudo estava em ordem.
Flor soltou um suspiro de alívio.
FLOR: — Finalmente.
Ele pegou o carrinho e voltou para o corredor.
Durante aquele dia, havia recebido vários elogios dos hóspedes. Aquilo ainda o deixava feliz.
Não era apenas por ter sido elogiado.
Era porque significava que estava fazendo um bom trabalho.
Quando chegou ao setor dos funcionários, entregou os materiais e guardou suas coisas.
Clara estava terminando de organizar alguns papéis.
CLARA: — Terminou?
FLOR: — Finalmente.
CLARA: — Foi um dia cansativo?
Flor riu.
FLOR: — Bastante.
CLARA: — Mas você foi bem.
FLOR: — Obrigado.
CLARA: — Até amanhã, Flor.
FLOR: — Até amanhã, Clara.
Flor pegou sua pequena bolsa.
Antes de sair, passou pelo espelho do corredor e ajeitou rapidamente os cabelos.
Depois respirou fundo.
Queria chegar logo à pensão.
Estava cansado e só pensava em tomar um banho, comer alguma coisa e descansar.
A saída do hotel
Já era noite quando Flor atravessou o saguão.
As luzes do hotel iluminavam a entrada, enquanto lá fora Paris estava movimentada.
Táxis passavam pela rua.
Algumas pessoas caminhavam pelas calçadas.
O ar estava frio.
Flor colocou o casaco e saiu pela porta principal.
Assim que colocou os pés na calçada, parou.
Do outro lado da entrada havia um carro elegante estacionado.
Encostado nele estava Antonie.
Flor ficou olhando para ele por alguns segundos.
Antonie estava com as mãos nos bolsos do casaco, observando tranquilamente a movimentação da rua.
Quando percebeu Flor, sorriu.
ANTONIE: — Achei que não ia mais sair.
Flor fechou os olhos por um instante.
Respirou fundo.
Então abriu novamente.
FLOR: — Meu Deus… o que eu fiz para merecer isso?
Antonie riu baixinho.
ANTONIE: — Nossa. Boa noite para você também.
Flor passou a mão pelo rosto.
FLOR: — Você não cansa de perturbar as pessoas, não?
Antonie descruzou os braços e ficou de frente para ele.
ANTONIE: — Você é bem atrevido.
Flor cruzou os braços.
ANTONIE: — Mas eu gosto disso.
Flor fez uma expressão de incredulidade.
FLOR: — Sua mulher sabe que você está me seguindo?
Antonie ficou alguns segundos em silêncio.
ANTONIE: — A Paula…
Flor interrompeu antes que ele terminasse.
FLOR: — Não me interessa nada que você vai me falar.
Antonie tentou responder.
ANTONIE: — Flor, eu só—
FLOR: — Boa noite.
Flor se virou.
Começou a caminhar pela calçada.
Antonie permaneceu ao lado do carro, observando-o se afastar.
Por alguns segundos, pareceu pensar em ir atrás.
Mas parou.
Lembrou-se das palavras de Flor.
Ele não queria ser incomodado.
Então Antonie permaneceu onde estava.
A última tentativa
Depois de alguns metros, Flor olhou rapidamente por cima do ombro.
Antonie ainda estava parado junto ao carro.
Flor voltou a caminhar.
FLOR: — Finalmente…
Ele continuou pela rua.
Atrás dele, Antonie soltou uma pequena risada.
ANTONIE: — Difícil…
Nesse momento, Jacques apareceu ao lado do carro.
JACQUES: — Senhor Antonie?
ANTONIE: — Sim?
JACQUES: — Vamos para casa?
Antonie olhou na direção em que Flor havia desaparecido.
Depois entrou no carro.
ANTONIE: — Vamos.
Jacques fechou a porta e assumiu o volante.
O carro começou a se afastar.
Antonie ficou olhando pela janela.
A imagem de Flor caminhando sozinho pela rua permanecia em sua cabeça.
Mas, dessa vez, havia algo diferente.
Ele sabia que não podia simplesmente invadir a vida de Flor.
Se quisesse que aquele jovem algum dia confiasse nele, teria que aprender a respeitar seus limites.
Enquanto isso, Flor seguia para a pensão, ainda reclamando baixinho.
FLOR: — Paris tem milhões de pessoas… por que justamente eu tinha que encontrar aquele homem?
Ele continuou andando.
Sem imaginar que aquele encontro na frente do hotel seria apenas mais um capítulo da complicada aproximação entre os dois.