
Capítulo 18
MEU AMOR EM PARIS
Os dias que se seguiram ao beijo mudaram completamente a maneira como Flor e Antonie se olhavam.
Nenhum dos dois havia esquecido a conversa daquela noite.
Eles ainda tinham um problema para resolver: Paula.
Flor continuava consciente disso.
Antonie também.
Por isso, apesar dos sentimentos cada vez mais fortes, os dois decidiram não esconder aquilo de si mesmos, mas também não transformar o relacionamento em algo secreto ou desrespeitoso.
Ainda assim, era impossível negar.
Eles estavam apaixonados.
Antonie
Naquela manhã, Antonie estava em seu escritório.
Sobre a mesa havia contratos, relatórios financeiros e documentos que precisavam ser assinados.
Bernard estava diante dele explicando os números de uma das empresas.
BERNARD: — Se aprovarmos o contrato hoje, conseguimos iniciar o projeto ainda este mês.
Antonie olhava para os documentos.
Mas sua atenção estava longe.
Bernard percebeu.
BERNARD: — Senhor Antonie?
Antonie levantou os olhos.
ANTONIE: — Desculpe. Pode repetir?
Bernard sorriu discretamente.
BERNARD: — Eu estava falando sobre o contrato.
Antonie passou a mão pelo rosto.
ANTONIE: — Certo. Continue.
Bernard retomou a explicação.
Poucos minutos depois, Antonie voltou a olhar pela janela.
Pensou em Flor.
No sorriso dele.
Na maneira como Flor falava sobre sua família.
Naquela caminhada pelas ruas de Paris.
E no beijo que havia mudado alguma coisa entre os dois.
Antonie sorriu sem perceber.
Bernard notou novamente.
BERNARD: — Posso perguntar uma coisa?
ANTONIE: — Pode.
BERNARD: — Você está apaixonado?
Antonie ficou imóvel.
Depois soltou uma pequena risada.
ANTONIE: — Está tão óbvio assim?
BERNARD: — Para alguém que trabalha com você há anos? Sim.
Antonie olhou novamente pela janela.
ANTONIE: — Acho que sim.
BERNARD: — E isso parece preocupá-lo.
O sorriso de Antonie desapareceu um pouco.
ANTONIE: — Porque existe outra pessoa envolvida.
Bernard entendeu que ele estava falando de Paula.
BERNARD: — Então resolva sua situação antes de fazer qualquer promessa.
Antonie assentiu.
ANTONIE: — É exatamente o que pretendo fazer.
Flor
Enquanto isso, Flor estava no hotel.
Ele organizava alguns quartos, mas estava distraído.
A lembrança de Antonie fazia seu coração acelerar.
Ele tentou se concentrar no trabalho.
FLOR: — Concentre-se, Flor.
Arrumou a cama.
Organizou as toalhas.
Conferiu as janelas.
Mas um sorriso escapou.
Clara entrou no quarto naquele momento.
CLARA: — Você está feliz hoje.
Flor rapidamente disfarçou.
FLOR: — Estou?
CLARA: — Está.
FLOR: — Talvez eu tenha dormido bem.
Clara riu.
CLARA: — Então continue dormindo bem.
FLOR: — Vou tentar.
Clara saiu.
Flor respirou aliviado.
Ele não contaria nada.
A vida pessoal continuava sendo apenas dele.
Flor terminou o trabalho e olhou pela janela.
Paris estava linda naquela manhã.
E ele percebeu que estava começando a sentir algo que não conseguia mais esconder de si mesmo.
FLOR: — Eu estou apaixonado por ele.
Dizer aquilo em voz alta fez tudo parecer mais real.
Flor sentou-se por alguns segundos.
Mas logo sua expressão mudou.
FLOR: — Só que ele ainda está com a Paula.
A felicidade veio acompanhada daquela preocupação.
Flor não queria ser responsável pela dor de ninguém.
Um encontro inesperado
No final da tarde, Flor saiu pela entrada dos funcionários.
Antonie estava do outro lado da rua.
Dessa vez, ele não o surpreendeu nem tentou impedi-lo de seguir seu caminho.
Apenas esperou.
Quando Flor percebeu sua presença, sorriu.
FLOR: — Você está me esperando?
ANTONIE: — Estou.
FLOR: — Por quê?
ANTONIE: — Queria ver você.
Flor ficou sem jeito.
FLOR: — Você fala isso como se fosse a coisa mais normal do mundo.
ANTONIE: — Para mim está começando a ser.
Flor riu.
FLOR: — Você é impossível.
ANTONIE: — E você gosta.
Flor tentou esconder o sorriso.
FLOR: — Talvez.
Antonie ficou olhando para ele.
ANTONIE: — Senti sua falta.
Flor baixou os olhos.
FLOR: — Eu também senti a sua.
A sinceridade da resposta deixou Antonie emocionado.
Uma caminhada
Os dois começaram a caminhar pelas ruas.
Não havia necessidade de um destino específico.
Eles simplesmente queriam estar juntos.
ANTONIE: — Como foi seu dia?
FLOR: — Trabalhoso.
ANTONIE: — Algum problema?
FLOR: — Nenhum. Henri está satisfeito comigo.
ANTONIE: — Eu sabia que estaria.
Flor olhou para ele.
FLOR: — Você realmente acredita em mim.
ANTONIE: — Muito.
Flor sorriu.
Depois de alguns passos, Antonie perguntou:
ANTONIE: — E sua família?
FLOR: — Continuam bem. Minha mãe mandou outra carta.
ANTONIE: — Você fala muito deles.
FLOR: — Porque são importantes para mim.
Antonie assentiu.
ANTONIE: — Eu gosto disso em você.
Flor olhou para ele.
FLOR: — O que você gosta em mim?
Antonie pensou por alguns segundos.
ANTONIE: — Sua sinceridade.
Flor sorriu.
ANTONIE: — Sua coragem.
Flor ficou quieto.
ANTONIE: — E a maneira como você não se deixa impressionar pelo dinheiro ou pelo meu nome.
Flor riu.
FLOR: — Isso é porque eu nem sabia quem você era.
Antonie riu também.
ANTONIE: — E talvez tenha sido a melhor coisa que poderia ter acontecido.
O sentimento
Eles chegaram a uma pequena praça.
Sentaram-se em um banco.
Por alguns minutos, ficaram apenas observando as pessoas passando.
Então Flor falou:
FLOR: — Antonie?
ANTONIE: — Sim?
FLOR: — Eu acho que estou apaixonado por você.
Antonie ficou em silêncio.
Flor ficou nervoso.
FLOR: — Eu sei que é complicado.
Antonie sorriu emocionado.
ANTONIE: — Eu também estou apaixonado por você.
Flor sorriu.
Os dois ficaram olhando um para o outro.
Antonie segurou delicadamente a mão de Flor.
ANTONIE: — Mas eu quero fazer isso direito.
Flor assentiu.
FLOR: — Eu também.
ANTONIE: — Não quero que você seja um segredo.
FLOR: — Nem eu.
ANTONIE: — E não quero que você carregue a culpa pelas minhas escolhas.
Flor apertou levemente a mão dele.
FLOR: — Então resolva sua vida primeiro.
ANTONIE: — Vou resolver.
Flor sorriu.
FLOR: — Depois veremos o que acontece.
Antonie sorriu de volta.
ANTONIE: — Depois veremos.
Os dois permaneceram ali por mais algum tempo, conversando e rindo.
O amor estava começando.
Mas ambos sabiam que, antes de viverem plenamente aquele sentimento, Antonie precisaria enfrentar uma verdade que já não podia mais evitar:
seu relacionamento com Paula precisava ser resolvido com honestidade.