MEU AMOR EM PARIS

Capítulo 19

MEU AMOR EM PARIS

A noite havia chegado lentamente a Paris.

As luzes dos postes iluminavam as ruas, enquanto os carros passavam pelas avenidas molhadas. Ao longe, era possível ouvir o som dos ônibus e o movimento habitual da cidade que nunca parecia dormir completamente.

Flor caminhava ao lado de Antonie em silêncio.

Depois da conversa que tiveram naquela tarde, os dois sabiam que alguma coisa havia mudado.

Eles já não conseguiam fingir que aquilo era apenas uma amizade.

Flor gostava de Antonie.

Antonie estava apaixonado por Flor.

Mas ainda existia uma questão que precisava ser resolvida: Paula.

Quando chegaram ao hotel, Antonie parou diante da entrada e olhou para Flor.

ANTONIE: — Você tem certeza de que quer ficar?

Flor respirou fundo.

FLOR: — Tenho.

Antonie permaneceu sério.

ANTONIE: — Não quero que você faça nada por pressão. Se estiver inseguro, podemos simplesmente conversar.

Flor deu um pequeno sorriso.

FLOR: — Eu sei. E é justamente por isso que estou aqui.

Os dois entraram.

O hotel estava tranquilo naquela noite. Funcionários caminhavam pelos corredores, e algumas poucas pessoas conversavam no salão principal.

Antonie pediu uma chave na recepção e conduziu Flor até um quarto reservado.

Antes de entrar, porém, Flor segurou seu braço.

FLOR: — Antonie…

ANTONIE: — O que foi?

FLOR: — Amanhã tudo vai continuar complicado.

Antonie assentiu.

ANTONIE: — Eu sei.

FLOR: — Paula ainda existe. Sua vida ainda existe. Seus negócios, sua família…

ANTONIE: — E você também passou a fazer parte da minha vida.

Flor abaixou os olhos.

FLOR: — Eu não quero ser um segredo.

ANTONIE: — Você nunca será.

Antonie abriu a porta.

Aquela noite foi diferente de todas as outras.

Eles conversaram durante horas. Falaram sobre o passado de Flor, sobre sua família no interior, sobre os sonhos que ele tinha quando chegou a Paris e sobre o medo de nunca conseguir construir uma vida naquele lugar.

Antonie também falou sobre sua própria solidão, apesar de toda a riqueza que possuía.

Por algumas horas, os dois simplesmente ficaram juntos, conversando e compartilhando aquele momento de proximidade.

Quando finalmente eles se entregaram um para o outro, Paris estava silenciosa do outro lado da janela.

🌅 Na manhã seguinte

A luz do amanhecer entrou pelas cortinas.

Flor acordou lentamente.

Por alguns segundos, ficou olhando para o teto, tentando organizar os pensamentos.

Então percebeu Antonie próximo à janela, já acordado.

Antonie observava Paris enquanto segurava uma xícara de café.

Flor se sentou na cama.

FLOR: — Você já está acordado?

Antonie virou-se.

ANTONIE: — Há algum tempo.

Flor sorriu discretamente.

FLOR: — Conseguiu dormir?

Antonie caminhou até ele.

ANTONIE: — Consegui pensar.

Flor ficou sério.

FLOR: — Pensar em quê?

Antonie sentou-se diante dele.

Por alguns segundos, não respondeu.

Então segurou a mão de Flor.

ANTONIE: — Em nós.

Flor ficou em silêncio.

ANTONIE: — Eu passei muito tempo tentando organizar minha vida como se tudo pudesse ser resolvido com contratos, dinheiro e decisões empresariais.

Ele respirou fundo.

ANTONIE: — Mas você apareceu na minha vida e fez tudo parecer diferente.

Flor apertou suavemente sua mão.

FLOR: — Antonie…

ANTONIE: — Eu estou mais decidido do que nunca.

Ele olhou diretamente para Flor.

ANTONIE: — Quero passar minha vida com você.

Flor ficou emocionado com aquelas palavras.

FLOR: — Você sabe que não será simples.

ANTONIE: — Eu sei.

FLOR: — E sabe que antes de qualquer coisa precisamos resolver sua situação com Paula.

Antonie assentiu.

ANTONIE: — Eu sei. E vou fazer isso da maneira certa.

Flor permaneceu pensativo.

FLOR: — Eu não quero começar nossa história machucando outra pessoa.

ANTONIE: — Nem eu.

Ele se levantou e caminhou até a janela.

Paris estava despertando.

Cafés começavam a abrir, carros percorriam as ruas e as primeiras pessoas caminhavam pelas calçadas.

Antonie voltou a olhar para Flor.

ANTONIE: — Eu não posso prometer que tudo será fácil.

Flor sorriu.

FLOR: — Só preciso que seja verdadeiro.

Antonie sorriu de volta.

ANTONIE: — Então será.

Os dois permaneceram em silêncio por alguns instantes.

Naquela manhã, nenhum deles sabia exatamente o que aconteceria nos próximos dias.

Mas uma coisa havia mudado.

Antonie tinha tomado uma decisão.

E agora precisava ter coragem para transformar aquela decisão em realidade.

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