MEU AMOR EM PARIS

Capítulo 6

MEU AMOR EM PARIS

 

 

Paris, 1984 — 7h15 da manhã

A luz da manhã entrava pelas cortinas finas do pequeno quarto da pensão.

Flor ainda estava dormindo quando o despertador mecânico sobre a mesa começou a tocar.

TRIM! TRIM! TRIM!

Ele abriu os olhos lentamente e ficou alguns segundos olhando para o teto.

Mais um dia começava.

Flor se levantou, lavou o rosto e penteou os cabelos diante do pequeno espelho. Depois vestiu uma camisa clara, uma calça escura e seu casaco.

Sobre a mesa estava seu caderno.

Ele o abriu.

Havia vários endereços anotados, mas muitos já estavam riscados.

Flor suspirou.

FLOR: — Hoje eu preciso ter mais sorte.

Ele pegou a fotografia da família e a guardou cuidadosamente no bolso.

Quando abriu a porta do quarto, ouviu uma voz vindo do andar de baixo.

MADAME CELINE: — Flor!

Ele desceu rapidamente as escadas.

A dona da pensão estava parada perto do telefone fixo.

FLOR: — Bom dia, Madame Celine.

MADAME CELINE: — Bom dia. Estava justamente procurando você.

Flor percebeu a expressão dela.

FLOR: — Aconteceu alguma coisa?

MADAME CELINE: — Tem um telefonema para você.

Flor ficou surpreso.

FLOR: — Para mim?

MADAME CELINE: — Sim. É do hotel onde você deixou seu currículo.

Os olhos de Flor se arregalaram.

Por um instante, ele não conseguiu responder.

FLOR: — Do hotel?

MADAME CELINE: — Disseram que gostariam de entrevistá-lo.

Flor imediatamente se aproximou do telefone.

FLOR: — Obrigado.

Madame Celine entregou o aparelho.

FLOR: — Alô?

Uma voz masculina respondeu do outro lado.

GERENTE: — Bom dia. Estou falando com Flor?

FLOR: — Sim, senhor.

GERENTE: — Meu nome é Henri. Sou gerente do hotel. Recebemos seu currículo ontem.

Flor segurou o telefone com as duas mãos.

GERENTE: — Gostaríamos de conversar pessoalmente com você. Poderia vir ao hotel esta manhã?

Flor olhou para Madame Celine.

FLOR: — Sim! Claro que posso.

GERENTE: — Esteja aqui às dez horas.

FLOR: — Estarei.

GERENTE: — Até logo.

FLOR: — Até logo.

A ligação terminou.

Flor colocou o telefone no lugar e ficou parado por alguns segundos.

Madame Celine sorriu.

MADAME CELINE: — Finalmente.

Flor soltou uma pequena risada, ainda nervoso.

FLOR: — Eu nem sei se vou conseguir.

MADAME CELINE: — Mas pelo menos agora terá uma oportunidade.

FLOR: — É verdade.

👔 Preparando-se para a entrevista

Flor voltou rapidamente para o quarto.

Abriu o armário e começou a procurar sua melhor roupa.

Tinha poucas opções.

Escolheu uma camisa clara que estava bem conservada, uma calça escura e o casaco que havia trazido do interior.

Passou a mão pela camisa para tirar qualquer amassado.

Depois penteou os cabelos com cuidado.

Diante do espelho, ficou olhando para si mesmo.

Sua aparência delicada contrastava com o nervosismo que sentia.

FLOR: — Você consegue.

Pegou seu caderno, alguns documentos e saiu.

Antes de atravessar a porta da pensão, Madame Celine chamou sua atenção.

MADAME CELINE: — Flor!

Ele se virou.

FLOR: — Sim?

MADAME CELINE: — Boa sorte.

Flor sorriu.

FLOR: — Obrigado.

🏨 O grande hotel

Pouco antes das dez horas, Flor chegou ao centro de Paris.

O hotel parecia ainda mais impressionante de perto.

As grandes portas de vidro se abriam para um amplo saguão. Lustres iluminavam o ambiente, funcionários caminhavam usando uniformes impecáveis e hóspedes conversavam na recepção.

Flor parou diante da entrada.

Respirou fundo.

FLOR: — Vamos lá.

Entrou.

A recepcionista reconheceu seu nome.

CLARA: — Flor?

FLOR: — Sim.

CLARA: — O senhor Henri está esperando por você. Pode aguardar naquela sala.

FLOR: — Obrigado.

Flor sentou-se.

Suas mãos estavam um pouco tensas.

Ele olhou para os próprios documentos.

Poucos minutos depois, a porta se abriu.

HENRI: — Flor?

Flor levantou-se imediatamente.

FLOR: — Sim, senhor.

HENRI: — Pode entrar.

📋 A entrevista

Henri conduziu Flor até uma sala administrativa.

Sobre a mesa havia uma pilha de documentos.

Henri indicou uma cadeira.

HENRI: — Sente-se.

Flor se sentou.

HENRI: — Seu currículo é bastante simples.

Flor assentiu.

FLOR: — Eu ainda não tive muitas oportunidades.

Henri observou o jovem.

HENRI: — Você veio do interior recentemente?

FLOR: — Sim. Vim para Paris porque preciso trabalhar e ajudar minha família.

HENRI: — Por que escolheu nosso hotel?

Flor pensou antes de responder.

FLOR: — Porque quero aprender. Sei que este é um lugar importante e acredito que posso crescer profissionalmente aqui.

Henri fez algumas anotações.

HENRI: — Você sabe lidar com pessoas?

FLOR: — Eu acredito que sim.

HENRI: — Mesmo com clientes difíceis?

Flor respirou fundo.

FLOR: — Eu tentaria manter a educação e resolver o problema da melhor maneira possível.

Henri sorriu discretamente.

HENRI: — E se não soubesse fazer alguma coisa?

FLOR: — Perguntaria. Prefiro aprender corretamente do que fingir que sei.

Henri deixou a caneta sobre a mesa.

HENRI: — Essa é uma boa resposta.

Flor relaxou um pouco.

🏨 Uma oportunidade

A entrevista continuou por alguns minutos.

Henri explicou a rotina do hotel, os horários, as responsabilidades e a importância de tratar os hóspedes com respeito.

Flor ouviu atentamente.

HENRI: — O trabalho será exigente.

FLOR: — Eu estou disposto a trabalhar duro.

HENRI: — Talvez precise aprender algumas coisas rapidamente.

FLOR: — Eu aprendo rápido.

Henri ficou em silêncio por alguns segundos.

Então pegou uma folha.

HENRI: — Flor, vou ser direto.

O jovem ficou atento.

HENRI: — Você não tem experiência em hotelaria.

Flor baixou os olhos.

HENRI: — Mas demonstrou disposição para aprender e parece responsável.

Flor levantou novamente o olhar.

HENRI: — Estamos dispostos a lhe dar uma oportunidade.

Flor demorou um instante para entender.

FLOR: — O senhor quer dizer…

Henri sorriu.

HENRI: — Você está contratado.

Os olhos de Flor se iluminaram.

FLOR: — Eu consegui?

HENRI: — Conseguiu.

Flor abriu um sorriso enorme.

FLOR: — Muito obrigado!

Henri estendeu a mão.

HENRI: — Começa amanhã.

Flor apertou a mão dele.

FLOR: — Eu não vou decepcionar o senhor.

HENRI: — Espero que não.

🌆 Uma notícia para a família

Ao sair do hotel, Flor parou na calçada.

Paris continuava movimentada ao seu redor.

Ele olhou para o prédio enorme atrás de si.

Ainda parecia difícil acreditar.

Ele havia conseguido.

Tirou algumas moedas do bolso e entrou em uma cabine telefônica próxima.

Pegou o telefone e ligou para sua família.

Depois de alguns toques, alguém atendeu.

MÃE DE FLOR: — Alô?

Flor sorriu imediatamente.

FLOR: — Mãe?

MÃE DE FLOR: — Flor! Está tudo bem?

FLOR: — Está. Eu tenho uma notícia.

Houve silêncio do outro lado.

MÃE DE FLOR: — Que notícia?

Flor respirou fundo.

FLOR: — Eu consegui emprego.

A voz da mãe ficou emocionada.

MÃE DE FLOR: — Meu filho…

FLOR: — Vou começar amanhã.

MÃE DE FLOR: — Estou tão orgulhosa de você.

Flor sorriu.

FLOR: — Eu prometi que ajudaria vocês.

MÃE DE FLOR: — E vai conseguir.

A ligação terminou pouco depois.

Flor saiu da cabine telefônica com um sorriso no rosto.

Pela primeira vez desde que chegara a Paris, sentiu que realmente poderia construir uma nova vida.

Ele ainda não sabia que aquele hotel pertencia a Antonie.

E muito menos imaginava que seu novo emprego faria com que os dois se encontrassem novamente.

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