
Capítulo 7
MEU AMOR EM PARIS
Paris, 1984 — fim da manhã
O telefone público ainda estava atrás de Flor quando ele saiu da cabine.
O sorriso em seu rosto era impossível de esconder.
Depois de tantos dias ouvindo recusas, finalmente tinha conseguido um emprego.
Flor caminhava pela calçada segurando seu pequeno caderno contra o peito. Pensava na reação de sua família e em como contaria todos os detalhes quando escrevesse para eles.
FLOR: — Eu consegui…
Ele sorriu novamente.
FLOR: — Amanhã começo no hotel.
A felicidade fez com que Flor ficasse distraído.
Ele atravessou alguns passos sem perceber que alguém vinha na direção contrária.
Até que…
TUM!
Flor esbarrou em alguém.
Seu caderno quase caiu.
FLOR: — Desculpe!
Ele levantou os olhos.
E imediatamente reconheceu aquele rosto.
Era Antonie.
O homem do cartão.
Flor perdeu o sorriso na mesma hora.
Antonie, por outro lado, ficou surpreso e depois abriu um sorriso.
ANTONIE: — Parece que é o destino.
Flor respirou fundo.
FLOR: — Infelizmente.
Antonie arqueou uma sobrancelha.
ANTONIE: — Por que infelizmente?
Flor ajeitou o caderno debaixo do braço.
FLOR: — olha eu tenho que ir embora.
ANTONIE: — Tão rápido?
FLOR: — Sim.
Antonie deu um passo na direção dele.
ANTONIE: — Eu posso levar você para sua casa.
Flor imediatamente balançou a cabeça.
FLOR: — Não precisa.
ANTONIE: — Eu insisto.
Flor olhou para o carro estacionado alguns metros adiante e depois voltou a olhar para Antonie.
FLOR: — Parece que você tem muito tempo sobrando.
Antonie soltou uma pequena risada.
ANTONIE: — Você acha?
FLOR: — Acho.
Antonie cruzou os braços.
ANTONIE: — E por quê?
Flor ficou alguns segundos em silêncio.
Ele não queria ser grosseiro, mas também não queria dar espaço para Antonie continuar insistindo.
FLOR: — Porque eu já disse que não preciso de carona.
Antonie permaneceu olhando para ele.
Flor respirou fundo.
FLOR: — Eu não quero ser mal-educado, então, por favor, não volte a me importunar.
A expressão de Antonie mudou.
Ele claramente não esperava uma resposta tão direta.
Flor, entretanto, não esperou por outra resposta.
Virou-se e começou a andar.
FLOR: — Tenha um bom dia.
Ele continuou pela calçada, sem olhar para trás.
Antonie permaneceu parado.
Observou Flor desaparecer entre as pessoas.
Por alguns segundos, não disse nada.
Jacques, que estava próximo ao carro, havia acompanhado parte da situação.
Ele se aproximou.
JACQUES: — Senhor Antonie?
Antonie continuou olhando para a direção em que Flor havia ido.
ANTONIE: — Eu não vou desistir.
Jacques ficou surpreso.
JACQUES: — Tem certeza?
Antonie finalmente desviou o olhar.
Um sorriso divertido apareceu em seu rosto.
ANTONIE: — Mais que menino difícil.
Jacques tentou esconder um sorriso.
JACQUES: — Talvez ele simplesmente não esteja interessado.
Antonie olhou para ele.
ANTONIE: — Talvez.
Jacques abriu a porta do carro.
JACQUES: — Então vamos?
Antonie entrou no veículo.
Antes que a porta fosse fechada, ele olhou mais uma vez para a rua.
ANTONIE: — Vamos.
O carro começou a se afastar.
🌹 Do outro lado da rua
Flor continuava caminhando.
Seu coração ainda estava acelerado, mas não por causa de Antonie.
Ele estava feliz por causa do emprego.
Flor parou diante de uma vitrine e ajeitou o cabelo.
FLOR: — Amanhã começa uma nova vida.
Ele sorriu.
Guardou o caderno no bolso do casaco e seguiu em direção à pensão.
Sem imaginar que o homem que acabara de dispensar era justamente o proprietário do hotel onde começaria a trabalhar no dia seguinte.
E Antonie também não fazia ideia de que o jovem difícil que tanto havia despertado sua curiosidade em breve estaria trabalhando dentro de seu próprio império.