MEU AMOR EM PARIS

Capítulo 8

MEU AMOR EM PARIS

Paris, 1984 — 6h00 da manhã

O despertador mecânico tocou no pequeno quarto da pensão.

TRIM! TRIM! TRIM!

Flor abriu os olhos imediatamente.

Durante alguns segundos, ficou olhando para o teto.

Então se lembrou.

Era seu primeiro dia de trabalho.

Um sorriso apareceu em seu rosto.

FLOR: — Hoje começa minha nova vida.

Ele se levantou rapidamente.

Tomou banho, penteou os cabelos e vestiu o uniforme que havia recebido no dia anterior. Conferiu os documentos, colocou o pequeno caderno no bolso e desceu.

Na sala da pensão, Madame Celine já estava preparando o café.

MADAME CELINE: — Bom dia, trabalhador.

Flor sorriu.

FLOR: — Bom dia.

MADAME CELINE: — Nervoso?

FLOR: — Um pouco.

MADAME CELINE: — É normal.

FLOR: — Eu só quero fazer tudo direito.

MADAME CELINE: — Então faça seu melhor.

Flor tomou rapidamente seu café e saiu.

🏨 Chegando ao hotel

Às 7h30, Flor chegou ao hotel.

O enorme edifício já estava movimentado.

Funcionários entravam pelos corredores de serviço enquanto hóspedes desciam para o café da manhã.

Flor encontrou Henri.

HENRI: — Bom dia, Flor.

FLOR: — Bom dia, senhor Henri.

HENRI: — Pronto para começar?

FLOR: — Sim.

Henri entregou-lhe algumas instruções.

HENRI: — Você ficará inicialmente responsável pela organização dos quartos.

Flor assentiu atentamente.

HENRI: — Vai aprender a rotina aos poucos. Preste atenção aos detalhes.

FLOR: — Pode deixar.

Uma funcionária chamada Clara ficou responsável por mostrar a Flor o trabalho.

CLARA: — Primeiro vamos aos quartos que já foram liberados pelos hóspedes.

FLOR: — Certo.

CLARA: — Trocar lençóis, organizar a cama, verificar o banheiro, repor os itens necessários e deixar tudo preparado para o próximo hóspede.

FLOR: — Entendi.

CLARA: — Se encontrar algum problema, avise imediatamente.

FLOR: — Pode deixar.

🛏️ O primeiro quarto

Flor entrou no primeiro quarto.

Era muito maior e mais sofisticado do que qualquer quarto onde já havia dormido.

Havia uma cama enorme, móveis elegantes, telefone fixo sobre a mesa, televisão, poltrona e grandes cortinas cobrindo as janelas.

Flor ficou alguns segundos admirando o ambiente.

Depois lembrou que estava ali para trabalhar.

FLOR: — Vamos começar.

Ele retirou os lençóis antigos, colocou-os no carrinho e começou a preparar a cama.

Com cuidado, esticou o novo lençol.

Alisou cada canto.

Depois colocou os travesseiros no lugar.

Flor era extremamente cuidadoso.

Não queria que ninguém pudesse dizer que ele não fazia seu trabalho corretamente.

Quando terminou a cama, verificou novamente.

FLOR: — Acho que está bom.

Clara apareceu na porta.

CLARA: — Muito bem.

Flor sorriu.

FLOR: — Obrigado.

CLARA: — Continue assim.

Ela saiu para verificar outro quarto.

Flor ficou sozinho.

🪟 A janela

Depois de terminar a cama, Flor percebeu que as cortinas ainda estavam fechadas.

Caminhou até a janela.

Segurou o tecido pesado e começou a abri-lo.

FLOR: — Vamos deixar entrar um pouco de luz…

Ele puxou a cortina.

E congelou.

Do outro lado da janela, no prédio próximo, havia um homem parado diante de outra janela.

Antonie.

Flor arregalou os olhos.

FLOR: — Você?!

Antonie também o reconheceu.

Um sorriso surgiu imediatamente em seu rosto.

Flor deu um pequeno passo para trás.

FLOR: — Não é possível…

Antonie estava hospedado temporariamente em uma das suítes do próprio hotel enquanto cuidava de algumas questões administrativas.

Ele havia acabado de olhar pela janela quando viu Flor.

O encontro inesperado pareceu divertido para ele.

Flor, entretanto, não compartilhava da mesma opinião.

Fechou parcialmente a cortina.

FLOR: — Eu não acredito nisso.

Antonie levantou uma das mãos em cumprimento.

Flor simplesmente virou-se e voltou para o trabalho.

☎️ O telefone toca

Poucos segundos depois, o telefone fixo do quarto tocou.

TRIM! TRIM!

Flor olhou para o aparelho.

FLOR: — será que é ele?

Ele atendeu.

FLOR: — Alô?

Do outro lado estava Antonie.

ANTONIE: — Bom dia.

Flor reconheceu imediatamente sua voz.

FLOR: — Você?

ANTONIE: — Parece que realmente é o destino.

Flor fechou os olhos por um instante.

FLOR: — O que você quer?

Antonie riu discretamente.

ANTONIE: — Apenas conversar.

FLOR: — Estou trabalhando.

ANTONIE: — Eu percebi.

FLOR: — Então sabe que estou ocupado.

ANTONIE: — Você está diferente com esse uniforme.

Flor olhou para a própria roupa.

FLOR: — É o meu uniforme de trabalho.

ANTONIE: — Ficou bem em você.

Flor permaneceu em silêncio por alguns segundos.

FLOR: — Você ligou para falar sobre meu uniforme?

ANTONIE: — Talvez.

FLOR: — Então ligou à pessoa errada.

Antonie soltou uma risada.

ANTONIE: — Você sempre responde desse jeito?

FLOR: — Quando alguém fica me incomodando, sim.

ANTONIE: — Eu só estou tentando ser gentil.

FLOR: — Ser gentil seria me deixar trabalhar.

Antonie ficou em silêncio por um momento.

ANTONIE: — Você realmente não facilita.

Flor começou a arrumar alguns objetos sobre a mesa.

FLOR: — Eu não estou aqui para facilitar sua vida.

Antonie sorriu do outro lado da linha.

ANTONIE: — Isso eu já percebi.

Flor respirou fundo.

FLOR: — Se terminou, eu tenho mais o que fazer.

ANTONIE: — Flor…

FLOR: — Bom trabalho para você.

ANTONIE: — Espere—

Flor desligou.

CLICK.

Ele colocou o telefone no lugar.

Olhou para a janela.

Depois caminhou até ela.

Fechou completamente a cortina.

FLOR: — Agora sim.

Voltou para a cama que estava arrumando e continuou seu trabalho.

Enquanto isso, Antonie permaneceu com o telefone na mão por alguns segundos.

Depois colocou o aparelho no lugar.

Um sorriso divertido apareceu em seu rosto.

ANTONIE: — Que menino difícil…

Mas, pela primeira vez, Antonie começava a perceber que Flor não era alguém que se impressionaria facilmente com seu dinheiro, seu sobrenome ou sua posição.

E isso apenas aumentava sua curiosidade.

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